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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Dilma: desgraça para gays


 Dilma: a pior desgraça para os LGBTs


por João Marinho

Quando estive na audiência pública do Senado, em 2007 (uma das vááárias que o projeto já teve: me pergunto por que ainda precisa de MAIS!), que discutia o PLC, vi Ideli Salvatti fazendo um apelo emocionado a favor do PLC 122, quase que com lágrimas nos olhos. Dizia ela que, se o projeto merecesse reparos, que fossem feitos, mas que não se deixasse de aprová-lo, dada a sua importância contra a violência, que vitima tantas famílias.

Seis anos depois, agora assisto à mesma Ideli atendendo ao pedido do Planalto para que adiem o PLC até as eleições de 2014, mostrando novamente como o governo petista e de Dilma Rousseff está de joelhos, desde já, frente ao fundamentalismo – e que papelão da Ideli! Eu pediria para sair, se agir significasse ir contra valores morais que eu mesmo preguei e condenar toda uma população a permanecer à margem do direito positivo, deixando de gozar um direito que seus algozes, os evangélicos, já possuem (a lei já protege contra a discriminação por motivo religioso).

Quero ver agora algum amigo petista ainda defender a "senhora presidenta". Não há dúvida alguma: Dilma Rousseff e seu governo foram a pior desgraça que já aconteceu no Brasil para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais desde a redemocratização.

Jamais terá meu voto novamente. Sim, voto nulo em 2014 se for necessário, mas nessa pessoa inescrupulosa que colocamos como presidente, jamais. Nem para síndica de prédio. Espero com ardor o dia em que será engolida pela história e envenenada pelas alianças espúrias que se propôs a fazer. Eu, que simpatizava com o PT.

"Vamos votar em uma mulher, um marco histórico para o Brasil", diziam os petistas que me convenceram em 2010. Que piada! Talvez Margaret Thatcher fosse menos pior para o Brasil. Ela, pelo menos, era franca: não se fazia de "defensora" dos direitos de minorias, enquanto dava a rasteira nessas mesmas minorias nos bastidores.

E anotem esses nomes, LGBTs: Wellington Dias (PT-PI) e Walter Pinheiro (PT-BA) não são merecedores de seus votos em 2014 .

Mais e por quê:
http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-12-13/por-2014-planalto-freia-projeto-que-criminaliza-homofobia.html

sábado, 1 de outubro de 2011

Olhem para o sol, pois em volta dele há um arco-íris


Quando li do fenômeno, pensei em postar algo, mas me quedei inerte, pois sabia que os evangélicos, em sua maioria, alucinados beirando à psicose, iriam fazer alguma coisa para que se pudesse deles, devidamente, debochar... 

Não deu outra, no twitter pipocaram mensagens dizendo que o fenômeno NATURAL era o sinal da VOLTA DE JESUS! (risos contundentes).

Assim, no dia 30 de de setembro, perto do meio-dia, o céu de Brasília foi embelezado pelo fenômeno conhecido como ‘halo’, um "arco-íris" que circula o sol, e os evangélicos de plantão dispararam suas asneiras habituais e recorrentes: Gente olhem pro sol!!! JESUS ESTÁ VOLTANDOO. este é O SINAL!” enviou um usuário para o Gospel+ no twitter. Outra twitteira publicou que “hoje o sol tava tão bonito. Meu primo leu na Bíblia que é sinal que Jesus volta em breve”. “Pessoas, olhem pro SOL, olha o sinal da vinda de JESUS! :)”, disse uma jovem terapeuta que sonha em ser pastora em 2016.

Tudo isso se deu por conta de uma má interpretação de um texto de Lucas 21,25: "E haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas".

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno conhecido como halo é formado pelo reflexo do Sol em cristais de gelo. “É um fenômeno meteorológico provocado por finíssimas luzes de cristais de gelo que ficam dentro das nuvens e são rebatidas pelo Sol”, disse o meteorologista do Inmet Manuel Rangel. A duração do halo varia, chegando a permanecer até mesmo durante uma hora no céu. 

Mas, dessa vez eu queria mesmo que fosse um sinal no céu de Brasilia, um sinal de Deus dizendo: "CONGRESSO NACIONAL OLHE PARA O SOL E VEJA, HÁ UM ARCO- ÍRIS NELE, SÍMBOLO DA MINHA ALIANÇA, AMOR E PROMESSA, SÍMBOLO DE UM POVO ANGUSTIADO, AMORDAÇADO, HUMILHADO, DISCRIMINADO, ASSASSINADO. CONGRESSO NACIONAL OLHE PARA O SOL E VEJA O ARCO-ÍRIS E APROVE A LEI QUE TORNA CRIME A HOMOFOBIA NESTA NAÇÃO ABENÇOADA, ACABE COM A INJUSTIÇA E DÊ UMA CHANCE A PAZ E AO AMOR, OLHE PARA O SOL E VEJA, HÁ NELE UM ARCO-ÍRIS, SIMBOLO DA MINHA VONTADE E PROMESSA!"

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Uma carta de repúdio aos pastores e a igreja



Tenho recebido de muitos pastores e amigos evangélicos por e-mail e através de minhas redes sociais, pedidos para que assine eletronicamente um abaixo assinado (feito por vários pastores, cito entre eles o pastor Silas Malafaia), contra a tão discutida PL122. Quero deixar claro e em poucas palavras minha postura em relação à posição que a igreja (dita noiva de Cristo), tem tomado em relação a este assunto.

Discordo totalmente e penso que a igreja tem agido de forma não só imprudente, mas tola, intolerante e separatista. Pergunto aos amados pastores e aos membros que insistentemente discutem comigo chegando à loucura de agredir a minha família (por meios de mensagens e e-mails que recebo), com palavras torpes e de baixo calão, se algum dia esteve preocupada ou envolvida na conversão destes hereges homossexuais?

Seria esta a postura que Cristo tomaria? Pergunto aos amados pastores (que infelizmente terei que fazer algo que eu prometi a mim mesmo jamais tornar a fazer, mas que se faz necessário nesta amarga carta que escrevo), os muitos que se encontram acima de seu peso ideal, pois bem, pergunto aos pastores (glutões e beberrões), aos pastores que em sua maioria se preocupam em como arrancar mais ofertas e dízimos de sua membresia e pregam engodo e mentiras, distorcendo a Palavra em favor próprio, escondendo as verdadeiras nuanças da infindável Graça Divina, se Cristo agiria como os senhores têm agido e levado a maioria da igreja a agir? A igreja está preocupada em ganhar vidas ou em dizer e apontar o que é pecado?

Só nos falta agora escolher a quem Deus deve perdoar e remir com o Sangue de seu precioso filho, Jesus, o mesmo que comia e bebia com pecadores (chegou a ser chamado de glutão e beberrão por conta disto), este mesmo Jesus, perdoou a uma prostituta, quando a lei era clara em apontar-lhe os erros e sentenciá-la ao apedrejamento. Agora percebo algo, JESUS FOI CHAMADO DE GLUTÃO e BEBERRÃO! Então meus amados pastores, os senhores também podem ser chamados assim, não é mesmo? Se meu mestre foi, porque eu também não posso ser? (perdoem-me a ironia, mas um sorriso sarcástico surgiu em meus lábios).

Mas voltemos ao cerne, busco lembrar quando foi que Jesus usou de repúdio e negou-se a curar, amar e perdoar aos excluídos. Entre seus discípulos havia pescadores, cobradores de impostos, mas não havia fariseus (a única classe que realmente tirava Jesus do sério), e para mim a igreja de hoje tem agido da mesma forma que os fariseus agiam! Apontando os erros dos outros, julgando, faltando apenas dizer ao próprio Deus a quem ele deve ou não “deixar” entrar na nova Jerusalém ou céu, como queiram.
           
Penso que a igreja deve estar envolvida na evangelização, em levar as boas novas, estar envolvida em causas humanitárias, ajudar aos necessitados. Mas não! A igreja não se preocupa com os mais necessitados de seu próprio meio, vai se preocupar com os de fora? (rsrs) jamais!
           
Penso que se continuarmos com esta postura ridícula, poderemos fechar as portas após o horário do começo dos cultos e por uma placa com os dizeres: - IGREJA SANTA REUNIDA, UM GRUPO FECHADO QUE NÃO TEM MAIS LUGAR PARA PECADORES! Certa vez lembro-me de ter participado de um culto onde um missionário se travestiu de mendigo e um membro da igreja (não sabendo que era um missionário querendo trazer uma mensagem de como a igreja trata os excluídos), ofereceu-lhe dez reais para que ele fosse embora! É isto que somos? Foi para isto que Deus me elegeu e chamou desde antes da fundação do mundo? Para ser um acusador e só preocupar-me com meu umbigo? Minha benção? Hoje começamos com abaixo assinado contra gays, amanhã não se aceita usuário de drogas, depois de amanhã a quem excluiremos de nosso seleto e santo meio?

Sinto-me forçado perguntar: - Onde foi que a igreja escondeu o Jesus que aceitava o perfume de prostitutas? Que comia e bebia com pecadores? Que perdoava os pecados? Onde a igreja escondeu o Jesus que viveu sua humanidade se misturando em meio a todos, sendo tocado e tocando, e não como João Batista que se isolou no deserto?

A igreja de hoje prega Jesus, mas se isola como João Batista! Pensem nisto.

Anderson L. de Souza

domingo, 7 de agosto de 2011

Deu na VEJA: A fé dos homofóbicos


André Petry

A fé dos homofóbicos

"Dizem eles que a criminalização da homofobia levará à prisão em massa de pastores e padres, e viveremos todos sob o domínio gay. A história ensina que essa lei será aprovada, e a vida seguirá seu curso regular, sem nada de extraordinário"

Em 1946, quando os negros reivindicaram a inclusão de alguns direitos na Constituição, foi um salseiro. Foram acusados de antidemocráticos e racistas por congressistas e estudantes da UNE. Em 1988, a Constituição promoveu o racismo de contravenção a crime. Ninguém chiou. Na década de 50, quando se discutia o divórcio, teve cardeal dizendo que se devia pegar em armas para combater a proposta. Em 1977, o Congresso aprovou o divórcio. Não houve tiroteio, e a igreja do cardeal nunca mais tocou no assunto. Recordar é viver.

Agora, os evangélicos estão anunciando o apocalipse caso o Senado faça o que a Câmara já fez: aprovar lei punindo a homofobia com prisão. A lei em vigor pune a discriminação por raça, cor, etnia, religião e procedência nacional. A nova acrescenta a punição por discriminação contra homossexuais. Cerca de 1 000 evangélicos tentaram invadir o Senado em protesto. Dizem que a criminalização da homofobia levará à prisão em massa de pastores e padres, e viveremos todos sob o domínio gay. A história ensina que, cedo ou tarde, a lei, ou outra qualquer com objetivo similar, será aprovada, e a vida seguirá seu curso regular sem nada de extraordinário.

Os evangélicos e aliados dizem que proibir a discriminação contra gays fere a liberdade de expressão e religião. Dizem que padres e pastores, na prática de sua crença, não poderão mais criticar a homossexualidade como pecado infecto e, se o fizerem, vão parar no xadrez. É uma interpretação tão grosseira da lei que é difícil crer que seja de boa-fé.

Tal como está, a lei não proíbe a crítica. Proíbe a discriminação. Não pune a opinião. Pune a manifestação do preconceito. Uma coisa é ser contra o casamento gay, por razões de qualquer natureza. Outra coisa é humilhar os gays, apontá-los como filhos do demônio, doentes ou tarados. É tão reacionário quanto uma Ku Klux Klan alegar que a proibição da segregação racial fere sua liberdade de expressão. Querem a liberdade de usar a tecnologia Holerite de cartões perfurados pela IBM?

Alegam que a liberdade religiosa fica limitada porque combater o pecado vira crime. É um duplo equívoco. O primeiro é achar que uma doutrina de crença em forças sobrenaturais autoriza o fiel a discriminar o herege. O segundo é atribuir à lei valor moral. O direito penal não é instrumento para infundir virtudes. É um meio para garantir o convívio minimamente pacífico em sociedade. Matar é crime não porque seja imoral, mas porque a sociedade entendeu que a vida deve ser preservada. Dúvidas? Recorram ao Supremo Tribunal Federal. Na democracia, é assim. Lei não é bíblia de moralidade.

O que essa proposta pretende dar aos gays, e sabe-se lá se terá alguma eficácia, é aquilo a que todo ser humano tem direito: respeito à sua integridade física e moral. Os evangélicos, pelo menos os que foram a Brasília, dão prova de desconhecer que seres humanos não diferem de coisas só porque são um fim em si mesmos. Os seres humanos diferem das coisas porque, além de tudo, têm dignidade. As coisas têm preço.

VEJA

Escreva para o autor no endereço colunadopetry@abril.com.br /

Edição 2067
2 de julho de 2008

domingo, 22 de maio de 2011

Igreja Batista do Povo ataca aos homossexuais em culto


No culto matutino, às 10 horas da manhã, neste domingo dia 22 de maio,o pastor Jonas Neves de Souza, pastor presidente da Igreja Batista do Povo, localizada em Vila Mariana, São Paulo- Capital, em sua homilia, discursou sobre a família cristã e, em suas considerações, ele disse que a moral, os bons costumes e a ética da família brasileira estão sendo atacados pelo governo da presidente Dilma Rousseff, e que todos os crentes devem ficar atentos nas mudanças que estão ocorrendo na sociedade brasileira, pois a comunidade homossexual está querendo amordaçar a Igreja Cristã dentro dos templos, como fizerem os comunistas em tempos passados.

Ainda, Jonas Neves, em um discurso conservador, afrontou aos homossexuais dizendo para seu público que: “homem com homem, mulher com mulher é obra do INFERNO e não de Deus; a Bíblia condena e Deus não abençoa isto, pois nasceu no inferno!”.

Também, convocou os membros de sua denominação a entrarem na internet e assinarem todas as petições contra a comunidade gay e enviá-las as autoridades constituídas. Tudo isso, afirmou Jonas, que estava fazendo para salvar a família brasileira, pois ninguém é obrigado a ser cristão e não devemos ser preconceituosos, mas, a família tem que ser salva!

Jonas ainda disparou contrariamente ao Kit-Gay e ao PLC 122/06

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Ex-jogador Edmundo: "ninguém quer ter um filho homossexual"




O ex-jogador de Futebol Edmundo deu uma entrevista para a coluna "Direto da Fonte" do jornal "O Estado de S. Paulo" desta segunda-feira (16) e falou sobre o relacionamento que teve com Cristina Mortágua, mãe de seu filho Alexandre.


"Sempre gostei pra caramba de mulher. Até mais do que deveria. Mas quando maria-chuteira se aproveitava de mim, eu me aproveitava dela também. Acho até que, de verdade, tive pouco filho fora do casamento. Eu era recém-casado com minha ex-mulher e, durante uma noitada, engravidei a mãe do Alexandre - hoje com 16 anos. Não tivemos um relacionamento", afirmou, referindo-se à ex-modelo Cristina Mortágua.

O ex-jogador, que atualmente é comentarista na Band, disse ainda que considera que ela foi uma excelente mãe para Alexandre.

"Fui ausente, não posso agora querer ser o salvador da pátria. Muito da coisa psicológica dele é fruto da ausência do pai."

Edmundo também falou sobre o fato de ter um filho homossexual. "Ele nunca me falou: ´Pai, sou gay´. Mas claro que não sou idiota, ele tem aparência total. E vi a mãe dele falando na TV. Mas não muda nada. Respeito e admiro igualmente. Tenho muitos amigos gays. Mas é claro que quando é com o outro é mais fácil, mais legal. Quando é na nossa família fica mais difícil. Por mais que não seja preconceituoso, ninguém quer ter um filho homossexual, até pelo preconceito que ele vai sofrer", disse.

Fonte: Cena G

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Só para constar: não discordo do Edmundo, não vejo nele preconceito algum. Ele apenas constatou o que, de fato, é e acontece! Ser gay é sempre mais fácil quando o gay está na casa do vizinho. As pessoas são amigas, compreensivas, divertem-se e, não admitem preconceito. Mas, quanto o gay está dentro da nossa casa, então, boommm! E o MUNDO TREME!

Edmundo, na minha modesta leitura, disse o que é a tendência, e como a sociedade heteronormativa age conosco, e com nossas questões existenciais. Por essas e mais outras é que sou pró- PLC 122/06. E, de fato, não vi preconceito nas declarações do Edmundo, ele apenas constatou!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Sodoma é aqui!

HCF

Querido leitor, esse vídeo do Bispo Hermes Fernandes me surpreendeu, ao passo que reproduzo aqui, no nosso espaço. Não concordo com a mensagem no que diz respeito a promiscuidade, mas é uma mensagem sóbria de um representante evangélico, que não compartilha do FUNDAMENTALISMO tacanho de Augusto Nicodemus, Silas Malafaia e demais figurinhas antipáticas do mundo gospel.

Vale a pena assistir, não só o que diz respeito ao PLC 122/06, mas em especial os minutos: 29’ 55” e 47’ 55”, que são surpreendentes.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Marta Suplicy assume relatoria do PLC 122/06

Marta Suplicy diz que vai agilizar votação de projeto pela criminalização da homofobia

Na última quarta-feira (2) o nome da senadora Marta Suplicy (PT-SP) foi escolhido oficialmente para assumir a relatoria do PLC 122/2006, que visa tornar crime a homofobia em todo o Brasil.

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Desde o começo do ano, a senadora já havia dado declarações públicas de que tinha "vontade" de assumir a relatoria do projeto de lei. E o senador Paulo Paim (PT-SP), que preside a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, designou tal tarefa à senadora. Marta Suplicy declarou que a sociedade não pode mais permitir que homossexuais sejam "humilhados, espancados e assassinados".

Neste momento, o PLC 122/2006 encontra-se na CDH, onde deve ser aprovado com facilidade. Em seguida, segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), local onde o PL tem de ser aprovado para então ser votado no plenário do Senado.

Se aprovado, o projeto volta para a Câmara, pois o texto sofreu alteração. Caso os deputados aprovem a proposta, ela segue para sanção ou veto da presidente Dilma Rousseff.

Fonte: A Capa

sábado, 5 de fevereiro de 2011

PLC 122/06 de volta à pauta do dia!

Senadora Marta Suplicy desarquiva PLC 122 que criminaliza a homofobia

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Marta Suplicy (PT-SP) mal chegou no Senado e já está sendo notícia diária nos grande jornais. Primeiro, por ser a primeira mulher a ocupar o cargo da vice-presidência da Casa; depois, foi por controlar o tempo de fala dos colegas - Suplicy chegou a cortar até mesmo o ex-marido Eduardo Suplicy (PT-SP); e agora a que mais interessa a comunidade gay: Marta conseguiu as 27 assinaturas necessárias para desarquivar o PLC 122/2006, que criminaliza a homofobia em território nacional.

De acordo com a coluna "Painel", do jornal "Folha de São Paulo", publicada na edição desta sexta-feira, a senadora conseguiu as assinaturas necessárias para desarquivar o projeto e disse que o debate terá que acontecer "com muita calma e sem pressa e com amplo espaço para o contraditório". Para a senadora, "trata-se apenas de proteger uma população que vive sob ameaça".

Em janeiro, por conta de um regimento do Senado, o PLC 122 foi arquivado por estar tramitando há duas legislaturas. Para que não fosse engavetado de vez, um senador teria que colher 27 assinaturas. Marta Suplicy também já declarou que tem a vontade de assumir a relatoria do projeto de lei.

Fonte: A CAPA

domingo, 21 de novembro de 2010

O Talibã no Brasil são os cristãos

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O discurso da hipocrisia, disfarçando o ódio como direito de liberdade de se expressar...

Imaginem vocês, caros leitores, se eu fosse um evangelinazista contumaz, talvez eu pudesse, em nome da liberdade de me expressar, congregar, na órbita desse conceito nobre, uma série de acusações contra um grupo qualquer, afinal, em nome do DIREITO DA EXPRESSÃO TODOS OS OUTROS SUCUMBEM, INCLUSIVE, O DA VIDA E O DA DIGNIDADE!

Assim, para exemplificar, deixe-me pegar como exemplo algumas coisas próprias de minha formação. Sou descendente de alemão nato, com italiana nata. Minha pele é branca, meu cabelo é liso, venho da classe média e tenho boa formação. Como direito posso expressar minha fé, e esta vem dos evangélicos, que acreditam, por exemplo, que a marca que Deus colocou em Caím, por ter matado Abel, foi a cor negra. Necessariamente, tal idéia de expressão religiosa foi justificada na escravidão norte-americana, nas colônias do sul. Dessa forma, todo um grupo de pessoas, de pele negra, estão marcados pelo poder da religião e sua interpretação bíblica.

As origens do racismo e do preconceito contra o negro, a religião dos negros e a comida dos negros são bíblicas! E eu posso não concordar com a cultura dos negros e me manifestar contra ela, porque minha fé me dá o direito de assim proceder, e se alguém tentar me contradizer, eu ainda tenho, na Constituição da República, o direito inconfundível, princípio que está acima de todos os princípios, da liberdade de expressão e crença.

Isso pode parecer nojento, hipócrita, abominável, mas é exatamente isso que a Igreja Evangélica fez aos negros nos EUA, e é exatamente isso que a Igreja Cristã faz contra os homossexuais na atualidade.

Semana passada, o pastor presbiteriano e chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Augustus Nicodemus Lopes, trouxe novamente a polêmica sobre a homossexualidade e a homofobia e o direito de se expressar... Para o pastor o PL 122/06 maximiza o direito de um determinado grupo, ao mesmo tempo em que, minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados pela Carta Magna e pela Declaração Universal dos Diretos Humanos.

Engraçado, o Nicodemus deve desconhecer o Código de Defesa do Consumidor, que trata os consumidores de forma a maximizar seus direitos frente os distribuidores e fornecedores numa relação de consumo, com o fim de tratar com igualdade a parte fraca na relação consumerista. Da mesma forma, não deve conhecer o Direito dos Trabalhadores, que maximiza o empregado e seus direitos frente ao poderio do empregador, restabelecendo a igualdade diante da lei dos interesses pretendidos. Deveria perguntar ao Nicodemus de quais direitos os homossexuais gozam para que, em havendo uma lei que proíba o preconceito, ferirá a relação de igualdade entre homossexuais e heterossexuais? E quando o dito pastor se refere a Carta Magna, a que Carta ele está se referindo, a Constituição ou a Bíblia? (isso é válido, pois quando na boca de um fundamentalista está dito a máxima carta ela nunca será a Constituição de qualquer país, antes de ser seu próprio livro sagrado).

Assim, a criminalização do racismo foi exatamente proibir a expressão livre do ódio contra um grupo, por este ter a cor da pele diferente da branca! A criminalização do homicídio é proibir a livre expressão do ódio contra alguém em que pese na eliminação deste da face da terra! A criminalização do roubo e do furto consistem em proibir a livre expressão e manifestação de alguém em saquear qualquer objeto de outrem por meios ardilosos ou pela força! A grave ameaça é a proibição da livre expressão da palavra, gestos e qualquer outro meio que intimide alguém de forma violenta. A criminalização da homofobia será a proibição da livre expressão de alguém difundir seu ódio contra o outro pelo simples fato desse se comportar diferente do que a heteronormatividade impõe.

Desta forma, a liberdade de expressão não é um direito absoluto no ordenamento jurídico, e em vários momentos a liberdade de expressão é e deve ser restringida, caso contrário uma pessoa que no momento da iria expressasse todo seu ódio contra o outro, no mais alto grau, matando-o, não poderia responder por homicídio (art. 121 do CP), pois ela simplesmente estaria usando seu direito absoluto de se expressar e manifestar. A própria constituição entende assim quando diz:

“Art. 5º, VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei”.

Ou seja, a própria Constituição limitou a liberdade de expressão frente à lei, não sendo tal princípio do Direito encarado de forma plena ou indiscutível. Ainda, dois princípios estão dispostos sobre todos os outros: a VIDA e a DIGNIDADE, e eles sempre se sobressairão em qualquer hermenêutica aplicada na lei para seus efeitos.

Não demorou, e logo um velho conhecido veio se manifestar: JÚLIO SEVERO. Júlio não sustenta nem 1/3 da inteligência que ele adoraria ter, aliás, basta ver seu argumento para que se tenha pena da falta de senso do mesmo. É um asno falante (e que me desculpem os asnos pela ofensa, afinal comparar Júlio Severo a qualquer criatura é demeritório às criaturas a que a ele forem comparadas)! Escarra Júlio:

“os homofascistas nunca trocariam o Mackenzie por uma mesquita como alvo de suas reais manifestações de ódio. Eles tremeriam de medo só de pensar em fazer um protesto na frente da Embaixada do Irã, país que tradicionalmente mata homossexuais!”

Assim, Julio afirma que os homossexuais se aproveitam da, suposta, passividade dos cristãos.

Bem, que passividade cristã é essa? A passividade da inquisição católica, a passividade de João Calvino com Serveto em Genebra, a passividade dos luteranos e de Lutero com camponeses e judeus na Alemanha, ou a passividade de Hitler, cristão católico, e leitor de Lutero, contra os judeus, gays, ciganos etc?

Agora, interessantíssimo, é saber que da passividade evangélica até um exército foi criado: A LIGA DE ESMALCADA, que pretendia lutar contra outro exercito cristão pacífico: a coalizão católica, e que os dois exércitos se uniram para derrotar os turcos seljúcidas: 1531-1538. Ou seja, católicos e protestantes guerreando contra os muçulmanos. E o que dizer da passividade dos irmãos irlandeses católicos e protestantes, armados até os dentes, com milícias terroristas de ambos os lados?

A passividade cristã é assombrosa, e é implícita a apologia à guerra e ao massacre que Júlio Severo faz em seu texto, uma vez em que os cristãos começarem a agredir fisicamente os gays, em semelhança do que acontece com os muçulmanos, os gays não terão coragem de reagir! Essa é a verdadeira imagem de Júlio Severo, um hipócrita talibã de bíblia em punho! ESSA É A FACE DA IGREJA EVANGÉLICA NO BRASIL, UMA IGREJA TALIBÃ, que ameaça tudo e todos que não se submetem aos seus desígnios.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Cidadania LGBT e as Eleições 2010

Toni Reis pres ABGLT 2

Por:Toni Reis*

Já na primeira semana do segundo turno das eleições presidenciais de 2010, dois Projetos de Lei - da competência do Legislativo Federal – surgiram no debate acerca das candidaturas ao mais alto cargo do Executivo. Nesta confusão entre competências das esferas governamentais, trouxe-se para a arena eleitoral a discussão da cidadania da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), como se a questão dos direitos humanos de determinados setores da sociedade fosse algo que pudesse ser usado para desmerecer uma ou outra candidatura à Presidência da República.

À luz das discussões e declarações feitas aos meios de comunicação na semana passada sobre os Projetos de Lei em questão: o Projeto de Lei da Câmara (PLC) nº 122/2006 e o Projeto de Lei nº 4914/2009; sinto-me obrigado a fazer umas considerações e a reproduzir na íntegra o texto de ambas as proposições, para que – em vez distorções e afirmações inverídicas a seu respeito – os(as) leitores(as) possam conhecer, avaliar e chegar às suas próprias opiniões sobre os mesmos. Recorrendo ao filósofo grego Aristóteles, quando disse “O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete”, vamos à reflexão:

O PLC 122/2006 objetiva amparar setores da população que ainda não contam com legislação específica que os garanta a proteção contra a discriminação, criando um paralelo com outras leis já regulamentadas que dispõem sobre crimes de discriminação, como é o caso do racismo. Ademais, o PLC 122/2006 não se restringe somente à proteção da população LGBT, sendo muito mais abrangente do que isso.

Projeto de Lei da Câmara nº 122, de 2006:

(Substitutivo, aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal em 10/11/2009)

Art. 1º A ementa da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Define os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.” (NR)

Art. 2º A Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, passa a vigorar com as seguintes alterações:

“Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.” (NR)

“Art. 8º Impedir o acesso ou recusar atendimento em restaurantes, bares ou locais semelhantes abertos ao público.

Pena: reclusão de um a três anos.

Parágrafo único: Incide nas mesmas penas aquele que impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público de pessoas com as características previstas no art. 1º desta Lei, sendo estas expressões e manifestações permitidas às demais pessoas.” (NR)

“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

Pena: reclusão de um a três anos e multa.” (NR)

Art. 3º O § 3º do art. 140 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal, passa a vigorar com a seguinte redação:

“§ 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:

..............................................................................” (NR)

Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

No caso especifico da população LGBT, determinados setores no Congresso Nacional têm argumentado desde a Constituinte que basta a disposição generalizada constante do Art. 3º da Constituição Federal, de que não haverá “preconceitos de ... sexo, ... e quaisquer outras formas de discriminação.”

Ora, se fosse assim, não ocorreriam em média 200 assassinatos de pessoas LGBT por ano no Brasil; a impunidade dos autores destes crimes não seria corriqueira; não haveria estudos científicos produzidos por organizações de renome, como a Unesco, e até pelo próprio Ministério da Educação, comprovando inequivocamente a existência de níveis elevados de práticas e atitudes discriminatórias contra pessoas LGBT nas escolas; não haveria estudos da Academia confirmando esta mesma discriminação na sociedade brasileira como um todo. O Governo Federal não teria implantado o Programa Brasil Sem Homofobia, e não estaria implementando o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, se não existissem discriminação e violência contra esta população.

Parte do propósito do PLC 122/2006 é contribuir para reverter este quadro vergonhoso de desrespeito aos direitos humanos básicos da população LGBT no Brasil, como descreveu o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello:

“São 18 milhões de cidadãos considerados de segunda categoria: pagam impostos, votam, sujeitam-se a normas legais, mas, ainda assim, são vítimas de preconceitos, discriminações, insultos e chacotas” ... e que as vítimas dos homicídios ... “foram trucidadas apenas por serem homossexuais”.

O PLC 122/2006 tem sido apelido por determinados setores de “mordaça gay”. Afirmamos que a liberdade de expressão é universal, um direito de todos, inclusive a liberdade de expressão de crença religiosa, conforme garantida constitucionalmente. O projeto não veda que dentro do estabelecimento religioso se manifestem as crenças e se mantenham as posições religiosas, nem existe a possibilidade de padres ou outras autoridades religiosas serem presos por estes motivos e muito menos a Bíblia ou outros livros sagrados serem "modificados". Mas a liberdade de expressão, seja de quem for (das religiões, das pessoas LGBT, de todo mundo), também há de respeitar o próximo, sem discriminá-lo. Isto vale para todos, e não se constitui em uma espécie de penalidade às religiões. É apenas a aplicação do preceito constitucional da universalidade da não discriminação e da não violência.

Ademais, o PLC 122/2006 foi motivo de várias audiências públicas e já sofreu alterações no Senado, visando atender aos anseios acima expostos. Ao terminar sua tramitação no Senado terá que voltar para a Câmara dos Deputados em razão das modificações que sofreu e ainda poderá vir a sofrer. Sempre estivemos abertos ao diálogo com todas as partes interessadas para que a proposição final tenha a melhor redação possível, ao mesmo em que garanta a não discriminação, inclusive das pessoas LGBT.

O outro projeto de lei que teve seu propósito distorcido no debate das eleições presidenciais diz respeito à união estável entre pessoas do mesmo sexo. Reproduzo aqui o texto desta proposição:

Projeto de Lei nº 4914/2009 de 2009:

Art. 1º - Esta lei acrescenta disposições à Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil, relativas à união estável de pessoas do mesmo sexo.

Art. 2º - Acrescenta o seguinte art. 1.727 A, à Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, Código Civil.

Art. nº 1.727 A - São aplicáveis os artigos anteriores do presente Título, com exceção do artigo 1.726, às relações entre pessoas do mesmo sexo, garantidos os direitos e deveres decorrentes.”

Art. 3º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Como se pode ver, o P/L nº 4914/2009 propõe tão somente o alterar o Código Civil para que reconheça a união estável entre pessoas do mesmo sexo. Em nenhum momento propõe o casamento, pelo contrário: faz exceção a esta possibilidade.

Cabe indagar, por que tanta polêmica acerca do “casamento gay nas igrejas”. Onde será que está escrito isso no projeto de lei acima?

O P/L nº 4914/2009 visa apenas garantir os direitos civis de pessoas do mesmo sexo que convivem em união estável. Isto porque estudos mostram que, comparando um casal heterossexual com um casal homossexual, este último não tem acesso a pelo menos 78 direitos garantidos ao casal heterossexual, entre eles: não têm reconhecida a união estável; não têm direito à herança; não têm direito à sucessão; não podem ser curadores do parceiro declarado judicialmente incapaz. Em alguns casos essa falta de amparo aos casais do mesmo sexo chega a ser cruel, como no caso da morte de um(a) parceiro(a), onde o(a) parceiro(a) sobrevivente – às vezes depois de muitos anos de convivência – além de perder o(a) parceiro(a), fica sem nenhum bem e nem sem onde morar, porque a família do(a) falecido(a) exerce o direito sobre a propriedade deste(a), enquanto o(a) sobrevivente é desamparado(a) pela lei na forma como está.

Aqui tem-se um caso patente do descumprimento das disposições Constitucionais da igualdade, da não discriminação e da dignidade humano, que o P/L nº 4914/2009 visa corrigir.

Há de se lembrar que tanto o PLC nº 122/2006 como o P/L 4914/2009 tratam de questões de direitos civis. São proposições legislativas fundamentadas na lei maior da nação brasileira, a Constituição Federal.

Ainda, o Brasil é signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e os princípios, direitos e garantias fundamentais de nossa Constituição se baseiam nela. A Declaração é “Universal” porque os direitos humanos são indivisíveis. Ou seja, aplicam-se igualmente a todos os seres humanos, independente de sua nacionalidade, cor, etnia, convicção religiosa, e independente de serem heterossexuais, bissexuais, homossexuais, ou de qualquer outra condição

Outro princípio fundamental que deve ser preservado acima de tudo neste debate é o princípio da laicidade do Estado. Desde a Proclamação da República, em 1889, o Estado brasileiro é laico. Isso quer dizer que no Estado laico não há nenhuma religião oficial, e há separação entre o governo e as religiões. Assim sendo, os cultos, as crenças e outras manifestações religiosas são respeitadas, dentro de suas esferas independentes, da mesma forma que o Estado tem sua independência das religiões.

Creio piamente que os direitos humanos não se barganham, não se negociam, simplesmente se respeitam, e que devemos escolher nossa candidatura pelas propostas que tem pelo país, pela biografia, pela capacidade de governar, e pela capacidade de fazer valer a Constituição Federal, indiscriminadamente.

Como disse Ulisses Tavares precisamos olhar de novo: não existem brancos, não existem amarelos, não existem negros: somos todos arco-íris.

* Toni Reis, Presidente da ABGLT– Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

PASTOR EVANGÉLICO QUER PROIBIR BEIJO GAY

Dizem que os gays querem amordaçar as pessoas com o PL 122/06, mas são os Evangélicos que querem proibir as pessoas de se beijarem!

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O primeiro beijo gay da campanha eleitoral, apresentado no vídeo acima, do PSol, no horário eleitoral gratuito de São Paulo, já começou a criar polêmica.

Relator do conselho político da Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil, Lelis Washington Marinhos está defendendo que os partidos adversários e até mesmo o Ministério Público entrem com uma ação no Tribunal Regional Eleitoral pedindo a retirada da cena do ar.

– O que eles fizeram é uma provocação à sociedade brasileira. É uma situação deplorável, a grande maioria condenaria um ato desse, que antes era considerado atentado ao pudor pela lei. Para o bem da família, cenas como essa deveriam ser proibidas na televisão, ainda mais em horário eleitoral, que é acessível e estimulado.

 

Na carona do PSOL, o candidato à Presidência da República pelo PSTU, Zé Maria, também exibiu beijo gay no programa eleitoral exibido nesta quinta-feira, 27. Enquanto apareciam imagens de beijos, entre elas, a de um casal gay, Zé Maria falava: a luta contra todas as formas de opressão é parte fundamental do programa socialista. Não há capitalismo sem homofobia.”

De acordo com a assessoria do PSTU, o beijo gay está dentro da linha do partido, que visa propor temas para serem debatidos com a sociedade, como a luta contra a homofobia.

Apesar de tabu nas novelas, o beijo gay não foi novidade na política. No último dia 18, o PSOL causou polêmica na televisão ao protagonizar o primeiro beijo entre homens. Paulo Búfalo, candidato do partido ao governo de São Paulo, defende a estratégia:


“Nós avaliamos que as demonstrações de carinho precisam ser mostradas. São manifestações legítimas e mostram que o estado precisa ter políticas públicas para isso. O estado precisa ser laico, democrático. Precisa combater a homofobia nas suas políticas.”

O diretor da peça publicitária do PSOL, Pedro Ekman, garantiu que a intenção não foi chocar, mas simplesmente celebrar a diversidade.

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Engraçado, A Assembleia de Deus não se pronuncia contraio aos seus pastores, como por exemplo: SILAS MALAFAIA ir vender indulgências e enganar ao povo com a bênção da prosperidade em troca de R$900,00 ou de R$ 610,00. Ou seja, roubar não é pecado, mas beijar na boca… além de levar para o inferno já foi considerado atentado violento ao pudor, aquele velho artigo 214 do CP, que foi REVOGADO!

Engraçado eles vêm pregar bons costumes, mas roubam! O alto da hipocrisia evangélica: seja um ladrão mas não seja um gay! ISSO É UMA VERGONHA!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O avanço fundamentalista e as eleições 2010

Por Márcio Retamero*

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Em maio deste ano, o então pré-candidato ao Planalto, José Serra (PSDB), esteve no município catarinense de Camboriú para participar do 28º Congresso Internacional de Missões, organizado pela ONG evangélica fundamentalista, "Gideões Missionários da Última Hora". O Congresso contou com o apoio financeiro - leia-se dinheiro público - do governo de Santa Catarina e da Prefeitura de Camboriú, ambas administradas pelo PSDB, que investiu mais de meio milhão de reais no evento: estava montado o primeiro palanque de Serra junto ao povo evangélico fundamentalista.

Dias antes do palanque evangélico de Serra no sul do Brasil, a evangélica da Assembleia de Deus, Marina Silva (PV), esteve na cidade natal do presidente Lula, Garanhuns (PE), e lá se reuniu nas dependências de um colégio presbiteriano com mais de vinte pastores dessa denominação. Após proferir um discurso de forte teor evangélico, a candidata ao Planalto recebeu promessa de apoio do número dois na hierarquia da Igreja Presbiteriana do Brasil, o Rev. Silas Menezes, que declarou: "Ela é a candidata mais indicada para nos representar. A parte séria dos cristãos vai se inclinar para Marina".

Cinco dias atrás, a coluna "Radar Online", da revista "Veja", assinada por Lauro Jardim, anunciava que o pastor Manoel Ferreira, presidente do Conselho Nacional de Pastores do Brasil e líder da Igreja Evangélica Assembleia de Deus - Ministério Madureira (cinco milhões de fiéis), aceitou o convite para coordenar a campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) junto aos evangélicos. O pastor Manoel Ferreira aceitou o cargo depois que a candidata fez promessa de que não tomaria iniciativa, se eleita, em temas caros aos evangélicos fundamentalistas como "legalização do aborto, regulamentação da prostituição, retirada de símbolos religiosos de locais públicos e a união estável entre homossexuais". Diz a nota: "Dilma aceitou a proposta do pastor para que esses temas só sejam discutidos no Congresso e por iniciativa dos próprios parlamentares, nunca do Executivo."

Segundo a mesma revista "Veja", o público evangélico representa 25% do eleitorado brasileiro; isso significa que esta parcela da população decide qualquer pleito eleitoral no Brasil. Por isso, os três candidatos ao Planalto - Serra, Marina e Dilma - necessitam do apoio deste eleitorado, se querem vencer as eleições.

As recentes declarações públicas dos três candidatos em relação à união civil entre homossexuais (os três fazendo distinções confusas entre "casamento" e união civil) demonstram o quão importante para eles é o apoio do povo evangélico.

Dilma Rousseff (PT), um passo à frente dos demais, se comprometeu a não tomar iniciativas em relação à união civil de homossexuais; isso significa que ela não se envolverá pessoalmente com a questão, o que enfraquecerá, certamente, o apoio da bancada do governo no Congresso Nacional que se formará a partir do resultado desta eleição. Aliás, a configuração política do Congresso Nacional que se formará a partir destas eleições, tende a ser a mais fundamentalista religiosa da história do Brasil.

Portanto, nunca foi tão importante, no Brasil, a reflexão sobre a Teologia Política, pois vivemos num contexto marcado pelo assalto do fundamentalismo religioso cristão às instituições políticas brasileiras via eleições diretas.

A militância política LGBT - bem como a população LGBT - precisa estar atenta ao fenômeno político evangélico fundamentalista que se encontra em rota de colisão com a agenda política LGBT para o Brasil, não apenas refletindo sobre este caro tema, mas, igualmente, traçando estratégias de enfrentamento e diálogo, visando à concretização de suas propostas, além de se empoderar destes conceitos para uma ação de neutralização mais eficaz das ações destes antagonistas da agenda LGBT.

Teologia Política é a área do conhecimento da teologia e da filosofia política que pensa a relação dos conceitos teológicos com a política e a influência destes conceitos, bem como dos discursos a partir destes conceitos, na sociedade, na cultura, na política, na economia etc. O "pai" da Teologia Política é Terentius Varro (http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/MarcuTeV.html), porém, é com a publicação em 1922 do livro "Teologia Política", do controverso Carl Schmitt, que esta área do conhecimento ganha maior relevância no meio acadêmico.

Uma das acepções da Teologia Política (a acepção política ou polêmica) considera a teologia como uma instância relevante para a determinação de posições políticas, principalmente no que tange ao processo de laicização do âmbito político e jurídico. Esta acepção, partindo da teologia, "busca nesta o fundamento, a base para a tomada de posições políticas e para as lutas e polêmicas no plano político, seja justificando teológica ou religiosamente uma ação política - naquilo que é mais propriamente uma política teológica que uma teologia política - seja procurando na teologia ou na religião uma orientação para esta mesma ação" (Alexandre Francisco de Sá, Dicionário de Filosofia Moral e Política).

O fundamentalismo cristão como vertente majoritária da teologia evangélica produzida no Brasil leva à prática fundamentalista da fé cristã, atingindo, portanto, a vida social, cultural, econômica e política do cidadão evangélico. Este toma posição política conforme sua cosmologia: baseada no que ele entende como "correto" para a sua fé. Daí que encontramos esta parcela da população que toma posição política contrária à agenda LGBT e este cidadão, assim como o cidadão LGBT, tem poder de voto; acontece que em relação à população LGBT, a população evangélica fundamentalista é, teoricamente, 150% maior!

Os representantes eleitos da população evangélica (prefeitos, vereadores, governadores, deputados estaduais e federais, senadores) praticam uma política teológica que se opõe ao processo de laicização do Estado e das normas jurídicas que regem a população. Por isso, são contrários à agenda política LGBT, seja na questão da homofobia (PLC 122), seja na questão da união civil/casamento civil entre homossexuais ou outra qualquer que vise à emancipação cidadã desta população. Isto reside no fato de que, para eles, homossexuais são pecadores.

Desta forma, a militância política LGBT e esta população precisam, de um lado, abrir um canal de diálogo com estes políticos evangélicos fundamentalistas, principalmente os que têm assento nas casas de leis, e, por outro, traçar estratégias de enfrentamento à ação política teológica deles. Pode parecer paradoxal a proposta, porém, vejo como duas faces de uma mesma moeda.

Como abrir um canal de diálogo com os políticos evangélicos fundamentalistas? Este diálogo deve ser travado dentro de um terreno comum e aqui entra a importância da teologia inclusiva, que embora antagônica, seja nos pressupostos teóricos, seja na prática pastoral da teologia fundamentalista, partem, ambas, de um denominador comum: Deus e a revelação bíblica. Tal diálogo já é, em si mesmo, uma estratégia de enfrentamento, uma vez que a tarefa da teologia inclusiva é desconstruir a concepção religiosa fundamentalista da homossexualidade, outras estratégias, porém, devem ser traçadas.

Uma delas é o enfrentamento via sistema legal. É preciso chamar atenção para o fato de que minorias sociais são ou deveriam ser cidadãos. Sendo assim, é preciso que estes tenham garantidos direitos iguais aos demais que constituem a maioria, sob pena de legitimarmos a divisão social entre cidadãos plenos e não cidadãos. Uma das estratégias dos políticos e líderes evangélicos fundamentalistas no combate pela não aprovação da PLC 122 é disseminar a ideia de que este PLC criará uma categoria privilegiada de pessoas no país e que isso é inconstitucional, cabe, portanto, usar dessa mesma estratégia, ou seja, demonstrar o quanto inconstitucional é a não igualdade plena dos cidadãos deste país, principalmente no que tange ao casamento civil.

De qualquer forma, saídas eficazes precisam ser encontradas urgentemente! A população evangélica de vertente fundamentalista cresce em progressão geométrica no Brasil; é bom lembrar que o "boom" evangélico brasileiro tem apenas 20 anos (anos 90) e já somam 25% da população! A continuar assim, em breve será maioria, e veremos eleição após eleição o crescimento político deles, enquanto isso, nós olharemos pelo retrovisor da existência, o aniquilamento de cada uma das pautas da agenda política LGBT. É bom lembrar: já estamos perdendo!

* Márcio Retamero, 36 anos, é teólogo e historiador, mestre em História Moderna pela UFF/Niterói, RJ. É pastor da Comunidade Betel do Rio de Janeiro - uma Igreja Protestante Reformada e Inclusiva -, desde o ano de 2006. É, também, militante pela inclusão LGBT na Igreja Cristã e pelos Direitos Humanos. Conferencista sobre Teologia, Reforma Protestante, Inquisição, Igreja Inclusiva e Homofobia Cristã. Seu e-mail é: revretamero@betelrj.com.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Keila Simpson emociona público em Seminário LGBT no Congresso Nacional

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18/05/2010 - Na abertura do VII Seminário LGBT no Congresso Nacional, na manhã desta terça (18), Keila Simpson, vice-presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), emocionou o público do auditório Nereu Ramos ao ler o texto "História de todas nós" de Rafael Menezes.

O texto, de forma poética, embora incisiva, fala do cotidiano das travestis, que enfrentam o preconceito na família, na escola, nas ruas e nos serviços públicos, além da violência que torna o Brasil o país campeão mundial de assassinatos de LGBT, com uma morte registrada a cada dois dias.

A morte mais recente, inclusive, aconteceu exatamente na noite de segunda-feira (17), Dia Internacional de Combate á Homofobia, com o assassinato de uma travesti em Porto Alegre(RS).

Fonte: Portal da Câmara dos Deputados

 

História de todas nós

http://relatosdeumatransex.blogspot.com/

Eu sou o avesso do que o Sr. sonhou para o seu filho. Eu sou a sua filha amada pelo avesso. A minha embalagem é de pedra mas meu avesso é de gesso. Toda vez que a pedra bate no gesso, me corta toda por dentro. Eu mesma me corto por dentro, só eu posso, só eu faço. Na carne externa quem me corta é o mesmo que admira esse meu avesso pelo lado de fora. Eu sou a subversão sublime de mim mesma. Sou o que derrama, o que transborda da mulher. Só que essa mulher sou eu, sou o que excede dela.

Ou seja, eu sou ela com um plus, com um bônus. Sou a mulher que tem força de homem, que tem o coração trabalhado no gelo. Que pode ser várias, uma em cada dia da semana. Eu tenho o cabelo que eu quiser, a unha da cor que eu quiser. Os peitos do tamanho que eu quiser, e do material que puder pagar. O que eu não trocaria por uma armadura medieval , uma prótese blindada talvez. A prova de balas, a prova de facas. Uma prótese dura o suficiente para me proteger de um tiro e maleável o suficiente para ainda deixar o amor entrar.

Bailarina troglodita de pernas de pau. Eu fui expulsa da escola de dança e aprovada em primeiro lugar na escola da vida. Vestibular de morte, na cadeira da “bombadeira”, minha primeira lição. Era a pele que crescia e me dava a aparência que eu sonhava. Conosco, a beleza e a morte andam de mãos dadas.

No mesmo trilho de uma vida marcada por dedos que apontam ate o fim da existecia.
Na minha esquina. Sim, aqui as esquinas tem donos. A noite, meninas como eu ou como outra qualquer, usando um pedaço de tecido fingindo ser uma saia, brincos enormes, capazes de fazer uma mulher comum perder o equilíbrio e um salto de acrílico de altura inimaginável, que a faz sentir-se inatingível. Ela merece uma medalha.

Para um carro, um homem ao volante que deixa em casa sua mulher, e quer ser mulher, ate mais feminina que nós talvez. Porque dessa vez os litros de silicone, os cabelos tingidos, os brincos enormes, o saltos altíssimos não impressionaram a ele. Seu desejo é pelo que ela não mostra nas ruas, ela vai ter que se ver como homem mais uma vez. E a vida segue. Muitas morrem, outras nascem cada vez mais novas. E assim elas vão, desviando dos tiros, esbarrando no preconceito, correndo da polícia. Mas sempre com um batom nos lábios, um belo salto nos pés e na maioria das vezes um vazio no coração.

Ela não precisa de redenção.

Rafael Menezes