Quero um país em que negros, índios, pobres, brancos, judeus, palestinos e todos os povos, etnias e classes sociais convivam em harmonia e respeito.
Quero um país em que a pessoa não seja julgada por sua orientação sexual, mas por seu caráter.
Quero um país cuja população saiba partilhar o pão.
Quero um país em que ninguém precise escolher entre comer e pagar uma conta; em que o alimento sobre a mesa não seja privilégio, mas consequência natural da dignidade humana.
Quero um país em que o filho do trabalhador possa sonhar com a universidade sem que esse sonho pareça grande demais para ele. Um país em que a escola pública não ensine apenas a ler palavras, mas também a compreender o mundo, questioná-lo e transformá-lo.
Quero um país em que adoecer não seja uma sentença para quem não tem dinheiro. Em que a saúde seja tratada como direito, e não como mercadoria reservada àqueles que podem pagar.
Quero um país em que o trabalho dignifique de verdade: que permita ao trabalhador colocar comida na mesa, morar com dignidade, descansar, divertir-se, viajar e, sobretudo, fazer planos para o amanhã.
Quero um país em que envelhecer não signifique tornar-se invisível; em que crianças sejam protegidas, mulheres respeitadas, pessoas com deficiência incluídas e os mais vulneráveis jamais sejam tratados como peso para a sociedade.
Quero um país em que nenhuma religião precise desaparecer para que outra possa existir. Em que o cristão possa carregar sua cruz, o judeu sua estrela, o muçulmano professar sua fé, o adepto das religiões de matriz africana cultuar seus orixás e aquele que não crê em Deus possa igualmente viver sem medo e sem perseguição.
Quero um país em que discordar não transforme o outro em inimigo.
Quero um país que compreenda que a diversidade não nos diminui; ao contrário, é justamente ela que revela a grandeza de um povo.
Quero um país em que a riqueza de poucos não seja construída sobre a miséria de milhões. Não desejo que todos tenham exatamente as mesmas coisas, mas que todos tenham as mesmas possibilidades de construir a própria vida e que ninguém seja condenado à fome, à ignorância ou à indignidade simplesmente pelo lugar onde nasceu.
Quero um país em que aquele que conseguiu subir na vida não puxe a escada para impedir que outros subam também.
Quero um país que saiba estender a mão.
Que compreenda que partilhar não significa perder, mas reconhecer que nenhuma sociedade pode ser verdadeiramente próspera enquanto parte de seu povo vive abandonada à própria sorte.
Quero um país em que possamos novamente olhar para o futuro e acreditar que nossos filhos viverão melhor do que nós.
Um país em que esperança não seja ingenuidade.
Em que solidariedade não seja fraqueza.
Em que justiça social não seja favor.
Em que respeito não seja concessão.
Em que liberdade não seja privilégio.
Quero, enfim, um país em que caibamos todos.
Porque a pátria que desejo não é aquela construída apenas para os que pensam como eu, rezam como eu, amam como eu ou vivem como eu.
A pátria que desejo é aquela suficientemente grande para acolher também quem é diferente de mim.
Talvez seja isso que signifique verdadeiramente amar um país: não desejar apenas que ele seja bom para mim, mas lutar para que ele seja justo para todos.
Quero Lula novamente presidente!
