Por que sofremos?

Foi ontem, ao fim de um processo doloroso, que no consultório quis responder à pergunta que me foi trazida com certa angustia.

De agosto a dezembro, precisamente, ontem, chorei, emagreci, angustiei-me, sofri. A dor solitária que penetra no fundo da alma e eclipsa a razão, que nos confunde, nos abate.

Abatido, sem alma, sem chão, nem o choro me servia de lamento. Troquei as boas coisas, por coisas quaisquer; troquei a alegria do semblante que contemplava a vida, por um olhar turvo, que não se encontra, que não se ama, que nada vê. Errei na caminhada; julguei pessoas que não mereciam meu juízo. Desfiz do trigo e comprei o joio.

Quase perdi os amigos, por me apegar à dor... Sofri pela tolice de se desejar o que não se pode ter. Por não vislumbrar no processo as perdas e ganhos, e o interesse último que nos faz caminhar na vida social. Sendo assim, disse coisas boas a quem não merecia ouvir, dei meu amor a quem não soube me amar, joguei pérolas na lama, e minha recompensa foi receber um dizer frio, raivoso, destruidor, que na expressividade do "tenho nojo de você", trouxe-me, novamente, o que sou!

Eu não tenho nojo de mim, e no campo minado, a última bomba que restava ser explodida, sim, fez-me ressurgir. A dor se foi... O lamento não existe, a angustia cessou.

Tudo isso seria trágico, se não fosse lúdico! A ironia se encontra que, no sofrimento, e na prisão da alma, ganhei um amigo que de longe não nunca esperei ter. Faz-se sentir que nesse processo vivi, fiz poesias, fiz declarações, dissimulei situações, errei muito, e não perdi nada! Ao passo que tudo perdi.

Queria ter errado mais... Bem mais do que errei, enfim toda a dor do erro me modelou, fez-me uma nova pessoa, converteu-me à humanidade, sem julgá-la boa ou má, sem vingá-la no meu "azar".

Por que sofremos? Sim, sofremos para que possa existir a poesia, sofremos para que possa existir a vida, sofremos para que possa existir a música, sofremos para encontrarmos nos amigos o verdadeiro tesouro da partilha do eu para o "além do eu". Sofremos para aprender que juízos, raivas, nojos, antipatias fazem parte do processo humano, mas que não devem ser levados a serio com o peso cabal das afirmações últimas... E de igual forma, que nenhum amor, esperança ou paixão devam ser levados tão a serio, que não se possa movimentar a vida em nós mesmos, em prol dos ideais simbólicos que, essas bandeiras, nos fazem levantar.

Dessa forma, sofremos para nos transformarmos em pessoas melhores, se do sofrimento aprendermos à lição: NÃO LEVE A VIDA TÃO A SÉRIO... APENAS VIVA E SE DEIXE VIVER!
Por: Renato Hoffmann.

Comentários

  1. caro Renato

    paz em Deus, querido.
    sofremos a dor de simplesmente existir e agradeço a Deus pelo sentida da vida, Vida que é em si poesia e serenidade de auscultá-la em nossos corações.

    grato por suas palavras de vida.
    celso

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