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TENHA O CORPO-HABEAS CORPUS: J. K. Rowling seria transfóbica?

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TENHA O CORPO-HABEAS CORPUS J. K. Rowling seria transfóbica? Em épocas não tão distantes, mas que incompreensíveis ao homem contemporâneo, o corpo, esse pedaço de carne que individualiza os seres, não pertencia ao súdito, mas ao soberano, ao rei, que nesse mesmo corpo, alheio, individual e individualizado, poderia infringir como pena suplícios inúmeros sem quaisquer parâmetros, tão somente, a satisfação da vontade soberana que se igualava à satisfação da vontade divina, a demonstração do poder. Ora, o suplício servia ao espetáculo, se não houvesse a espetacularização da dor, em vão era o castigo, em vão seria dizer ao súdito que o seu corpo pertencia ao soberano rei e o seu crime atentava contra o próprio monarca. Era preciso tornar visível tal conceito, aos olhos de todos na corte, no reino. A expressão, comumente usada, hoje, habeas corpus  vem dessa época, em que extraída de uma antiga fórmula processual inglesa, utilizada pelo magistrado, ordena

GOLEIRO BRUNO E CONDENAÇÃO PERPÉTUA: A FACETA PUNITIVISTA NA CONCEPÇÃO COMUM

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  Goleiro Bruno Fernandes, sua mulher, Ingrid Calheiros, e a filha do casal, de 2 anos, foram para praia de Cabo Frio (RJ) passar o Réveillon 2019/2020 Crime é todo o ato praticado que viola uma norma estabelecida em lei e a esse ato violado, pela lei, é imputado uma pena de reclusão ou detenção, podendo ainda haver multa. Nas sociedades modernas, o Estado substitui a parte ofendida (vítima, família da vítima e sociedade), assumindo para si a ofensa e o direito-dever de punir o ofensor. Tal ação tem uma razão de ser, a punição não é encarada como vingança nua e crua, em que o transgressor tenha que receber em si o mesmo mal que praticou. Antes, a norma legal, legislada, abstrata, pune a conduta tida como lesiva: matar alguém; provocar lesão corporal em alguém; subtrair para si ou outrem coisa alheia, mediante violência ou grave ameaça... Assim, a intenção é a desmotivação do ato criminoso por parte do agente e a inibição da reação dos particulares (vítima contra o a

O EXTREMISMO DE BOLSONARO E A IDIOSSINCRASIA GAY (LGBT)

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A figura do Messias (aqui, uma polissemia para além do nome do presidente), que se formou sobretudo dentro dos templos evangélicos e, para esse público aí, como a primeira possibilidade de uma liderança que comungasse dos valores extremistas das denominações que lideram o ranking de maiores igrejas do Brasil, traz, em si, um choque, mediante a todo retrocesso que representa, aos valores mais igualitários pautados nos últimos 14 anos, em nossa sociedade. Embora carregado do símbolo e declaradamente representante deste retrocesso supramencionado, a comunidade LGBT mitigou a imagem dele, classificando-a como uma representação de bravatas. Bolsonaro jamais (no imaginário LGBT) cumpriria a cabo suas ameaças, seus medievalismos, tudo isso era só um marketing para ganhar as eleições. A idiossincrasia do comportamento gay é algo que deve ser estudado de forma profunda e determinante. Parece-me assemelhar ao comportamento dos indivíduos esquizofrênicos (em que as identidades n

Lula e os homossexuais: o ressentimento dos gays de direita

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Há grupos de pessoas que enxergam o passado como uma era melhor: “na minha época as coisas eram diferentes, não havia tanta violência como hoje, o mundo era um lugar pacífico ”. Saudosa, dizia minha avó que viveu sua mocidade em plena 2ª Guerra Mundial ... É com o mesmo saudosismo que o autoproclamado decano do movimento homossexual brasileiro, Luiz Mott, refere-se ao governo Lula em comparação ao governo de seu antecessor. Curiosa é a frase de abertura do texto que ataca todas as conquistas e ações afirmativas, uma década de projetos e iniciativas, que trouxeram para a comunidade LGBT visibilidade e políticas públicas para seu reconhecimento. No texto, Mott começa assim: “Lula foi o presidente da República que mais falou sobre homossexualidade no Brasil”. Depois, em um contrassenso sem precedentes, conclui que as ações diminuíram, pioraram, a esperança de vida dos mesmos. Ao pensar sobre Luiz Mott, lembro-me de minha avó, em plena Segunda Guerra Mundial, ela conseguia enxerga

Guilherme de Pádua é pastor evangélico, prosseguir é preciso... é humano!

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Guilherme de Pádua foi ordenado pastor evangélico em Belo Horizonte e esse fato revoltou muita gente. Geralmente, isso acontece quando algo inusitado golpeia os valores da moral social e Guilherme assim procedeu ao se envolver no assassinato de Daniella Perez, em 1992. Ele foi condenado por homicídio qualificado a cumprir uma pena de 19 anos e 06 meses de prisão. Não é que o homicídio seja incomum em nossa sociedade; de onde ele vem, entretanto, o estrato social em que ele está ligado fere a expectativa ideológica de muitos, pois de determinado grupo de pessoas isso não é esperado, sendo algo inimaginável. De várias formas causa uma sensação de indignação profunda, um mal-estar insuperável, chocante! Nesse momento, no Direito Penal, o papel idiossincrásico a esses sentimentos populares passa figurar contrário ao movimento de que é no outro, por haver escangalhado a ordem do bem, que a sede de sangue deva se concretizar. Há um limite contra a barbárie, afinal, caso não ho

O novo método dos evangélicos de evangelizar os gays e destruir direitos civis

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Engana-se quem pensa que o ataque da senhora Rozângela Justino é algo isolado, ou uma tentativa apática, desesperada, sem fundamentos, para tentar validar sua profissão e sua fé. Evangélicos começaram atacar massivamente as questões de conteúdo sexual. Eles se mobilizarão em todos os lugares: escolas, igrejas, mídia, judiciário, legislativo e executivo. Eles possuem um discurso, um método e uma meta. O discurso Você não ouvirá que ser gay é uma doença, eles não dirão isso a você! Eles concordarão com a ciência que diz que ser homossexual não é portar em si uma patologia. Acusarão a mídia de ser sensacionalista e espalhar essa falsa ideia de que eles consideram ser gay um fator doentio. Eles dirão que querem o desenvolvimento científico, por prezarem tal desenvolvimento, acreditam que os estudos sobre a sexualidade não devam ser impedidos; que terapias de ORIENTAÇÃO sexual devam ser difundidas pela psicologia. Eles não usarão em seu discurso o termo (RE)orientar

Juiz da "cura gay" diz ter sido mal interpretado. Gospel LGBT insiste que o magistrado está equivocado

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Não precisamos de sutilizas, elas nunca foram a nosso favor. Sutilezas nos colocaram em armários, nos negaram casamento, adoção, herança, fizeram-nos histriônicos, tomaram-nos o afeto em público: carícias, andar de mãos dadas, beijos, enfim, não gostamos de sutilizas, porque somos gays com muita honra! A única interpretação equivocada, excelentíssimo doutor juiz, foi a sua em possibilitar que psicólogos possam tratar a homossexualidade como doença e revertê-la em heterossexualidade, como se essa heteronormatividade fosse o padrão único de perfeição metafísica capaz de trazer dignidade ao homem. Afinal de contas: NENHUM PSICÓLOGO NESSE PAÍS É PROIBIDO DE TRATAR A HOMOSSEXUALIDADE , então a liminar, aqui, é sutil e equivocada. O que se é proibido pelo CFP é o psicólogo tratar a homossexualidade como DOENÇA. Aliás, isso o senhor não diz em sua liminar. Nenhum psicólogo é proibido de estudar a sexualidade nesse país, mas não me parece prudente que psicólogos transformem
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