BOA LEITURA

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

É necessária uma lei que puna quem cometa ofensas homofóbicas

Victor R. S. Orellana

A essência do Estado de Direito é garantir equilíbrio, meios de vida e direitos para cada cidadão. Para viver em sociedade é necessário respeitar o próximo e seus direitos. A Constituição assevera que o Estado não pode discriminar seus cidadãos. É dever do Estado impedir que supremacistas brancos inferiorizem negros e afrodescendentes. Da mesma forma, é necessária uma lei que puna quem cometa ofensas discriminatórias, sejam elas sexistas, racistas, homofóbicas, xenofóbicas.

O Estado deve estar ao lado dos direitos humanos e contra posturas retrógradas de setores da sociedade que tentam sabotar um projeto de lei destinado a promover a convivência pacífica e coexistencial. Falo do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006. É cristão fazer o possível para que um gay não seja humilhado ou agredido por ser diferente. Isso é amor ao próximo, e é também dever cristão estar ao lado dos direitos humanos e da justiça social. Perguntaria aos evangélicos e indivíduos que se mobilizam contra o PLC 122 se acaso é cristão um gay ser assassinado por compartilhar a vida com alguém. Se é cristão sabotar uma lei que impede que mais atrocidades sejam cometidas contra minorias sexuais. Pode o Estado fazer prevalecer a opinião religiosa de alguns sobre toda a sociedade? Não pode.

Amo a Bíblia. Ela me ensina que Jesus se preocupava com o bem-estar do próximo. Não compreendo como pessoas podem interpretá-la longe desse princípio. A Bíblia é a favor do bem comum e coloca a dignidade do ser humano como o mais importante, porque conceitos, opiniões, doutrinas passam, mas sempre teremos nosso próximo para nos relacionar e em quem vemos a face de Deus.

Fonte: O Estado de São Paulo

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Pastores evangélicos gays se casam em cerimônia para 300

O casamento mais comentado no Rio não é de celebridade. Trinta casais de padrinhos, 11 pajens e damas e 300 convidados estarão reunidos nesta sexta-feira (20) para o primeiro casamento entre pastores evangélicos gays. Marcos Gladstone, de 33 anos, e Fábio Inácio, de 30, fundadores da Igreja Cristã Contemporânea (ICC), assinarão contrato de união homoafetiva, após três anos de namoro. "A festa vai ter tudo o que um casamento hetero tem: troca de alianças, bem-casados, pajens e daminhas", conta Gladstone.


Dos 30 casais de padrinhos, 29 são de uniões homoafetivas. Crianças adotadas por casais homossexuais serão pajens e daminhas. No bolo, os bonequinhos representam Gladstone e Inácio, com bíblias nas mãos. A festa será decorada nas cores vermelha e prata. Os noivos entrarão juntos, vestindo fraque cinza. Após a lua de mel, na Costa do Sauípe, o casal iniciará o processo para adotar uma criança. Eles são evangélicos desde crianças. Aos 18 anos, Inácio era pastor da Igreja Universal do Reino de Deus.


Os dois ficaram noivos de mulheres, por pressão de pastores e da família, e fizeram "correntes de libertação" para pedir a "cura" da homossexualidade. Após uma viagem, Gladstone assumiu sua sexualidade e criou, em 2006, uma igreja para acolher homossexuais. A ICC tem hoje 500 fiéis. "Propomos a releitura da Bíblia. Os escritos foram deturpados pelas traduções", diz Gladstone.
(Clarissa Thomé - AE)

FONTE: http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=20&id=239467

sábado, 14 de novembro de 2009

Apenas um pedido

Às vezes um sentimento próprio, forte como a própria vida, um desejo de um reencontro, de um começo do zero, do nada... Aquele sentimento que pede para tudo se esquecer, uma nova chance, aquele olhar, aquele novo olhar, que se prende no olhar do outro e te faz renascer. Aquilo que te devolve à alegria, e enchem de motivos o coração, tão somente, motivos!

Não é um pedido difícil, apenas, tudo o que se quer... Pena que não basta querer, diferente da música daquele padre! Não é difícil, mas, falta coragem para se rever, falta coragem para o reencontro, talvez, para reencontrar- se a si mesmo, antes do reencontro com o outro.

Vem comigo meu amado amigo, nessa noite clara de verão... Ah, como desejo! Mas, ainda o eclipse que transforma essa mesma noite numa profunda escuridão sem fim. Não sei se o que passou será esquecido, assim, da tristeza, eu sei, eu vou... Esperando, quem sabe, o dia de tudo recomeçar.


Olha nos meus olhos
Esquece o que passou
Aqui neste momento
Silêncio e sentimento
Sou o teu poeta
Eu sou o teu cantor
Teu rei e teu escravo
Teu rio e tua estrada

Vem comigo meu amado amigo
Nessa noite clara de verão
Seja sempre o meu melhor presente
Seja tudo sempre como é
É tudo que se quer

Leve como o vento
Quente como o sol
Em paz na claridade
Sem medo e sem saudade

Livre como o sonho
Alegre como a luz
Desejo e fantasia
Em plena harmônia

Eu sou teu homem, sou teu pai, teu filho
Sou aquele que te tem amor
Sou teu par, o teu melhor amigo
Vou contigo seja aonde for
E onde estiver estou

Vem comigo meu amado amigo
Sou teu barco neste mar de amor
Sou a vela que te leva longe
Da tristeza, eu sei, eu vou
Onde estiver estou
E onde estiver estou

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

PLC 122/06 - APROVADO NA CAS



A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, nesta terça-feira (10), projeto de lei que torna crime a discriminação contra idosos, deficientes e homossexuais. A proposta (PLC 122/06), de autoria da então deputada Iara Bernardi, foi aprovada na forma de substitutivo oferecido pela relatora, senadora Fátima Cleide (PT-RO). A matéria agora será examinada pelas comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), antes de seguir para votação em Plenário. Como recebeu alteração no Senado, o projeto voltará à Câmara dos Deputados.

A senadora ressaltou que o projeto foi amplamente discutido em várias audiências públicas, com a participação de diversos segmentos sociais, nos dois anos em que tramita no Senado. Com a apresentação do substitutivo à proposta, Fátima Cleide solicitou cancelamento de audiência prevista para debater mais uma vez o assunto na CAS.

A proposta original incluiu a punição de atos discriminatórios por sexo, gênero ou orientação sexual na lei que pune a discriminação por racismo, religião ou local de nascença (lei 7.716/89). O substitutivo da senadora Fátima Cleide ampliou o rol dos beneficiários da lei para punir também a discriminação ou preconceito de origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero.

- A homofobia é a principal causa da discriminação e da violência que se pratica contra homossexuais e transgêneros. São milhões de cidadãos considerados de segunda categoria: pagam impostos, votam, sujeitam-se a normas legais, mas, ainda assim, são vítimas de preconceitos, discriminações, chacotas - ressaltou a senadora.

Fátima Cleide disse que o substitutivo está embasado em princípios fundamentais da Constituição, que não admite qualquer forma de discriminação.

Na avaliação da presidente da CAS, senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), O Brasil é "um país livre e as pessoas devem ter seus direitos respeitados". A senadora lembrou a agressão que sofreu a estudante universitária Geysi Arruda, da Universidade Bandeirante (Uniban), por ter ido à aula com vestido curto. Rosalba alertou que situações como essa podem gerar todo tipo de violência.

Iara Farias Borges / Agência Senado(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado).

http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=97213&codAplicativo=2

sábado, 31 de outubro de 2009

Bíblia só para maiores

Estive pensando nesses dias, a partir de mensagens enviadas pelo jornalista Eduardo Peret na listaGLS, uma lista de discussão da qual faço parte e pensei: por que não começar uma campanha solicitando que a Bíblia seja classificada como um livro somente para maiores de 18 anos e seu acesso a menores de idade fosse restrito, como o é o álcool, o fumo, revistas pornôs, etc.?

Motivo?

O que ela contém!

- A Bíblia tem incesto: Ló e suas filhas, Judá e Tamar
- A Bíblia tem estupro: A mulher de Juízes (que foi tb esquartejada), Judá e Tamar (de novo).
- A Bíblia tem homicídio: Caim e Abel, Davi e o antigo esposo de Bate-Seba, hebreus matando seus irmãos após a crise do Bezerro de ouro, a morte de Estêvão, a morte de Absalão.
- A Bíblia tem tortura: a paixão de Cristo.
- A Bíblia tem guerras sangrentas: a tomada da Terra prometida (as mulheres grávidas tinham a barriga rasgada), a guerra contra os filisteus, a guerra civil de Israel contra a tribo de Benjamim, o Apocalipse.
- A Bíblia tem homofobia: a ameaça de estupro dos habitantes de Sodoma, as leis do Levítico.
- A Bíblia tem xenofobia: a destruição de Sodoma e Gomorra, a invasão de Canaã, egípcios x hebreus.
- A Bíblia tem machismo e misoginia: mulheres caladas na igreja, orientações de submissão feminina no casamento, a culpa de Eva por ter trazido o pecado (Paulo a usa).
- A Bíblia tem aprovação do trabalho escravo: o trato com os servos segundo o Novo Testamento.
- A Bíblia tem contato com demônios: o episódio dos porcos, a tentação de Jesus, Satanás em Jó.

Esse tipo de literatura é saudável para menores de 18 anos?!

Por muito menos, filmes, séries, revistas e afins recebem classificação indicativa só pra maiores!

Já enviei mensagens a comunidades da UNA (União Nacional dos Ateus), STR (Sociedade da Terra Redonda) no orkut e para ativistas gays via listas de discussão. Agora, estou divulgando no Twitter. Pode ser uma ideia interessante para ajudar a conter o avanço do fundamentalismo!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Sonhos sonhos são

"Sonho meu,
sonho meu,
vá buscar quem mora longe,
sonho meu."



D. Ivone Lara*

Carl Jung conta-nos que, na África, encontrou uma tribo cujos componentes negavam que sonhassem. Com sua habilidade, ele entrevistou membros dessa tribo e descobriu que isso não era verdade. O que ocorria era que apenas o cacique e o feiticeiro da tribo estavam autorizados a sonhar, pois, nos sonhos, eles recebiam mensagens sobre o melhor modo de administrarem a tribo. Aos demais membros da comunidade não cabia esse privilégio. Há pessoas civilizadas que têm medo semelhante dos seus sonhos.

Pode-se dizer que foi graças a Sigmund Freud que os sonhos adquiriram real importância, ao serem considerados um instrumento pelo qual a pessoa procura transmitir a si mesma alguma mensagem, no geral uma mensagem cifrada. Muito embora o sonho seja elaborado pelo sonhador, ele muitas vezes utiliza nisso elementos que não estão no lado consciente da nossa mente. Por outro lado, não temos como conhecer o conteúdo do lado inconsciente da mente, até porque, quando isso acontece, deixamos de falar de algo inconsciente para falarmos de algo de que agora temos consciência. De certa forma, o trabalho do psicoterapeuta consiste principalmente em auxiliar o paciente a decifrar aquela mensagem cifrada, trazendo-a do obscuro campo da inconsciência para o da consciência. Tarefa das mais difíceis, como reconheceu Jung já no fim da vida. "Nenhum símbolo onírico pode ser separado da pessoa que sonhou, assim como não existem interpretações definitivas e específicas para qualquer sonho" escreveu ele em seu derradeiro trabalho.

Nos nossos sonhos aparecem principalmente elementos simbólicos, que Freud denominava "resíduos arcaicos", o que poderia sugerir que estamos diante de material imprestável, como o que se joga na lata de lixo. Justamente por isso, Jung preferiu falar em "arquétipos", pois, embora aceitasse que esse material fosse, muitas vezes, arcaico, entendia que seu conteúdo apresenta atualidade e é extremamente útil para o autoconhecimento do sonhador, desde que devidamente interpretado.

Façamos uma comparação. Nosso físico apresenta "resíduos arcaicos", como os dedos do pé, ou artelhos. Tais órgãos atualmente não têm utilidade alguma para o ser humano, ao contrário do que ocorre com os pés dos demais primatas, que deles ainda se utilizam para apreender objetos ou agarrar-se em galhos. Depois que o nosso "tetetetravô" resolveu descer da árvore, esses órgãos, por perderem a utilidade, foram-se atrofiando. A necessidade cria o órgão, mas a sua inutilidade acaba por atrofiá-lo. O mesmo ocorre com nossas unhas que não mais utilizamos para cavar, como ainda fazem outros animais. Resultado, tirantes os violeiros, que encontram nelas alguma utilidade, e os motoristas de caminhão, que utilizam a unha do mindinho para coçar o ouvido, quem mais precisa delas? O mesmo podemos dizer dos mamilos dos primatas machos.

Meu pai brincava, dizendo que se Deus fosse perfeito, homem não nascia com tetas. Ocorre que, quando o feto se vai formando, ainda não há uma definição do gênero a que pertencerá a criatura que se está desenvolvendo. Isso só ocorre quando o elemento X ou Y do cromossoma vier a determinar quais os hormônios que aquele organismo deverá produzir para que ali tenhamos um homem ou uma mulher. Os mamilos do homem, portanto, são esboços de seios, que não se formaram por falta de estímulo hormonal. De certa forma, um "resíduo arcaico".

Nossa mente é bem maior do que nosso cérebro. Enquanto o cérebro se vai formando a partir do encontro entre o espermatozóide e o óvulo, a mente já está programada em nosso DNA.

A formiga e a abelha, ao nascerem, já trazem no cérebro o sentido de organização, que não adquirem "culturalmente", como os humanos. Isso lhes é transmitido desde tempos imemoriais, passando de geração a geração. O mesmo ocorre com as aves que já nascem sabendo voar ou sabendo nadar. Essa capacidade é, de certa forma, anterior a sua formação.

Ora, se isso ocorre com insetos e aves, por que o nosso cérebro somente conteria aquilo que a cultura nos ensina? Quando ele incorpora a mente, esta traz consigo um estoque de informações que estavam, ao que tudo indica, armazenados, em estado de latência, no DNA, tanto quanto as informações que determinarão o formato do nosso rosto, a cor dos nossos cabelos e dos nossos olhos. O problema é que muitos desses símbolos arquetípicos já nada significam para o homem moderno, como é óbvio, donde a ininteligibilidade aparente de muitos de nossos sonhos.

Muito embora seja "uma tolice acreditar-se em guias pré-fabricados e sistematizados para a interpretação dos sonhos", como diz mestre Jung, reconhece ele que, independentemente de condição cultural ou localização geográfica, alguns elementos são comuns às narrativas oníricas, como a "queda" ou o sonhador se encontrar no meio da multidão sem roupa ou com trajes inadequados.

Sou testemunha disso. Quando jovem, eu sonhava freqüentemente que estava rolando em um telhado ou à beira de um precipício. Antes de esborrachar-me lá embaixo, eu acordava muito assustado. Meus pais, tão assustados quanto eu, levaram-me a um médico, que nos tranqüilizou: aquilo era coisa comum em crianças em fase de crescimento. A relação entre uma coisa e outra, porém, jamais me foi explicada.

Estar andando no centro da cidade inteiramente nu ou sem sapatos, não produzindo qualquer reação nos passantes, é outro dos meus sonhos recorrentes. Há variações, que até hoje me ocorrem, especialmente quando estou diante de um novo projeto. Nelas, eu entro na sala de aula e descubro que deixei em casa o caderno com a lição de casa. Ou sonho que estou sendo convocado para voltar à Faculdade para fazer exame relativo a determinada matéria que descobriram que eu não havia feito. Geralmente no próprio sonho eu me indigno, dizendo que já sou um profissional bem sucedido e aquilo é um absurdo. A relação entre isso tudo (o meu parcial despreparo) e minha preocupação com o novo projeto (será que eu consigo?) é evidente.

Em seu A Interpretação dos Sonhos, mestre Freud diz textualmente que "todos aqueles que fizeram exames para universidades foram perseguidos por este mesmo pesadelo: iam ser reprovados, teriam que repetir o ano etc. Para os que fizeram provas de estudos superiores, este sonho típico é substituído por um outro: vão ter de fazer de novo um concurso difícil e objetam inutilmente, dentro do sonho, que já são há anos médicos, professores ou servidores públicos". Como é agradável sabermos que somos normais até mesmo em nossas esquisitices!

Aliás, meu neto mais velho, em vias de mudar de colégio, acaba de me informar que teve o tal sonho que o exibia sem roupa em público. Demos muita risada quando eu lhe contei que esse sonho é meu velho companheiro.

Jung registra que não apenas nos sonhos podem aparecer os tais símbolos, mas também em nossa vida desperta. Também aí tenho algo a dizer. Certa ocasião, eu participava de um congresso de juristas, em outro Estado, sendo eu um dos mais moços dos participantes. Fui escolhido para fazer o discurso de encerramento do congresso, o que me apavorou, pois eu não tinha ali o apoio dos meus livros nem estava no meu natural ambiente de trabalho. Após o jantar, esbocei o tal discurso e fui deitar. No dia seguinte eu não conseguia sair da cama, reação que faria qualquer psicólogo rir muito, pois é a construção inconsciente de um álibi: eu bem que gostaria de ir, mas esta repentina paralisia não me deixa. Meu amigo Cezar Peluso, informado do fato, veio ao meu quarto e me deu um tratamento digno do célebre analista de Bagé, à base do joelhaço.

Enquanto ele despejava aquele monte de desaforos, uma pomba assentou-se no parapeito da janela, olhou-me fixamente, rodou nos calcanhares, se é que pomba tem calcanhar, e voou para o além. Imediatamente eu saltei da cama, redigi o tal discurso, que foi apresentado à noite e mereceu aplausos generosos dos presentes, alguns dos quais até hoje se lembram desta ou daquela frase. Está aí o Sérgio Couto que não me deixa mentir.

Jung certamente vibraria com essa narrativa, pois a pomba é um símbolo caro aos cristãos, representando o Espírito de Deus, que, dentre outros atributos, seria a origem de nossas inspirações e de nossa fortaleza.
*Publicado no MIGALHAS nº. 2258

domingo, 25 de outubro de 2009

Padre celebra casamento gay em Florença

Padre italiano casa homem que mudou de sexo com outro homem
FLORENÇA - Um padre de Florença, centro da Itália, celebrou neste domingo o matrimônio de Sandra Alvino, de 64 anos, um homem que se tornou mulher há mais de 30 anos, com Fortunato Talotta, de 58 anos, sem levar em consideração as autoridades católicas, informa a imprensa.

Ambos, já casados no civil há 25 anos, não pronunciaram o clásico "sim aceito", após o discurso tradicional. O casal trocou as alianças e foi abençoado pelo padre Alessandro Santorio em Piagge, na zona industrial da capital da Toscana.

O padre ressaltou durante a cerimônia que sua decisão não era um ato de rebelião contra a Igreja, e sim "um ato de fidelidade aos fiéis, ao Evangelho e às pessoas que amo". "Era meu dever", declarou.

Há dois anos o casamento religioso foi impedido pelo arcebispo de Florença da época, o cardeal Ennio Antonelli. O atual arcebispo, Giuseppe Betori, teria pedido ao padre Santorno que não celebrasse o matrimônio.

A Igreja afirma que o casamento não é válido, já que o direito canônico exige a heterossexualidade dos noivos.

Sandra Alvino se submeteu a uma cirurgia para mudar de sexo há mais de três décadas.



Fonte: IG

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Igreja católica reforça luta contra a Aids

Instituição religiosa lança campanha para incentivar a realização de exames, além de disseminar informações sobre a enfermidade

Rodrigo Couto
Apesar de o uso da camisinha não ser consenso entre seus integrantes e de oficialmente ser repudiado pelo papa Bento XVI, a Igreja Católica no Brasil decidiu disponibilizar toda a sua estrutura para esclarecer seus seguidores — 73,8% dos 190 milhões de brasileiros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) — sobre a Aids e incentivá-los a procurar os serviços públicos de saúde para realizar exames que detectam a presença do vírus HIV. A ideia é aproveitar a realização de celebrações, reuniões e eventos católicos para disseminar informações sobre a enfermidade. Inédita no mundo, a campanha será lançada amanhã, em Brasília, pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e pelo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Lyrio Rocha.

Um dos objetivos da campanha é conscientizar os católicos sobre os riscos da Aids e, em caso de diagnóstico positivo para a doença, iniciar o tratamento o mais rápido possível. “As pessoas que não estiverem infectadas serão orientadas para continuar com o cuidado. Quem tiver o exame com resultado afirmativo será encaminhado para o acompanhamento”, explica o assessor nacional da Pastoral de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/Aids) da CNBB, frei Luiz Carlos Lunardi. Neste primeiro momento, participam as igrejas de Manaus, Fortaleza, João Pessoa, Curitiba e Porto Alegre. “É uma experiência piloto que será avaliada e, em seguida, encaminhada às igrejas de todo o país”, afirma. De acordo com Lunardi, centenas de agentes das pastorais da Criança, da Aids e da Saúde de cada uma das cidades envolvidas já foram sensibilizados e capacitados. Eles atuarão também como agentes multiplicadores das suas comunidades.

A possibilidade de uma participação mais incisiva da igreja na luta contra a Aids surgiu durante o VI Seminário de Prevenção ao HIV, promovid o pela Pastoral da Aids em outubro do ano passado. “À época, sugerimos ao departamento de Aids que ampliasse a campanha de testagem, que, por sua vez, procurou a igreja para que ela auxiliasse na divulgação da necessidade de se fazer o teste. Várias reuniões foram realizadas para desenhar a campanha e decidiu-se por uma experiência piloto em cinco cidades”, diz Lunardi.

Segundo o coordenador do Programa Conjunto da Organização das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), Pedro Chequer, a parceria é bem-vinda e importante para o combate da doença no país. “As bases da iniciativa são sólidas e não correm qualquer risco de serem desviadas para o campo religioso”, destaca.

Calendário

Em Porto Alegre, o lançamento da campanha ocorre em 10 de novembro. No dia 17 do mesmo mês será a vez de João Pessoa. Em Fortaleza, a iniciativa desembarca no dia 20. Três dias depo is será a vez de Manaus. Em Curitiba, a campanha começa dia 29. Brasília não foi incluída nesta primeira etapa e deve participar da campanha depois da avaliação dos organizadores.

A partir de 15 de novembro, serão vinculados spots em emissoras de rádio e televisão com informações sobre a iniciativa. Também está prevista a impressão de cartazes que serão fixados nas igrejas.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

III SEMINÁRIO: A HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA – VERDADES E MITOS

*Incrições Gratuítas

Durante séculos a Bíblia tem sido utilizada para promover a escravidão, a subjugação da mulher e a execração dos direitos das pessoas lésbicas, gays e transgêneros.
Há registros de perseguições e mortes de lésbicas, gays e transgêneros em todas as culturas e em todas as épocas, com o consentimento da Igreja e baseados na afirmação de que Deus e as Escrituras realmente condenariam a homossexualidade. Mas, será que a Bíblia realmente condena a homossexualidade e as pessoas homossexuais? Há argumentos válidos para se utilizar a Bíblia para cercear a Comunidade LGBT de seus direitos básicos de cidadadania?
A bancada "evangélica" no Congresso Nacional clama às Escrituras para perpetuar a opressão de gays e lésbicas neste país. "Deus fez macho e fêmea" é o jargão mais popular na boca de nossos congressistas evangélicos e na da maioria dos líderes ditos cristãos no Brasil. Será que tais pessoas têm realmente o apoio das Escrituras nesse empreendimento de exclusão e opressão contra a Comunidade LGBT?
Nós, dizemos que NÃO! Pois estudos mais recentes e sérios das Sagradas Letras mostram que elas nunca condenaram a homossexualidade. Por isso o convidamos para participar de nosso III SEMINÁRIO: A HOMOSSEXUALIDADE E A BÍBLIA, da Comunidade Betel do Rio de Janeiro.
O que diz realmente a Bíblia sobre a Homossexualidade? É o que responderemos neste Seminário.
Quem será o palestrante? Rev. Márcio Retamero, Mestre em História pela Universidade Federal Fluminense, Teólogo e Pastor da Comunidade Betel.
Quando será? Dia 7 de Novembro de 2009, sábado, das 09:00 às 18:00 (intervalo entre 12:00 e 14:00).
Onde?Na sede da Comunidade BetelPraia de Botafogo, 430 - Sobreloja - Botafogo.Próx. ao Metrô e ao Botafogo Praia Shopping.
Inscrições:Pelos e-mails: eventos@betelrj.com

domingo, 11 de outubro de 2009

Stephen Gately morre aos 33 anos

Site do grupo diz que Stephen Gately morreu durante férias em Mallorca.
Boyband, que se separou em 2000, voltou a se reunir 8 anos depois.






Stephen Gately, integrante do grupo Boyzone, boyband irlandesa que fez sucesso nos anos 1990, morreu neste sábado (10) na ilha espanhola de Mallorca, onde estava de férias com o marido, Andrew Cowles.

O site do grupo, que se separou em 2000 e voltou a se reunir oito anos depois, diz que Gately, de 33 anos, "morreu de forma trágica" na noite de ontem.

O anúncio da morte do cantor causou comoção no Reino Unido e na Irlanda. Os outros integrantes da banda disseram que hoje mesmo seguiriam para a Espanha para se inteirar do ocorrido.

Até o momento, as circunstâncias do falecimento de Gately não foram esclarecidas. Segundo a polícia de Andratx (Mallorca), o artista morreu em um apartamento na região turística de Cala Llamp.

O editor da seção de espetáculos do jornal "News of the World", Dan Wootton, disse à "BBC" que Gately saiu com o marido na noite de sábado e, depois de voltar e dormir, não acordou mais.

"Estou em estado de choque. Estive com ele na segunda-feira em uma cerimônia de entrega de prêmios. Não sabemos muito sobre o que aconteceu", declarou Walsh, segundo quem Gately "era um grande homem".

O Boyzone fez muito sucesso na Europa na década de 1990, quando vendeu mais singles que o Take That.

Em junho de 1999, um ano antes de o grupo se separar, Gately assumiu sua homossexualidade e que namorava Andrew Cowles, com quem se casou em 2006, em uma cerimônia em Londres.

Depois do fim do Boyzone, Gately seguiu carreira solo, emplacando três singles na lista dos 20 mais vendidos. Ele também fez várias participações em musicais de sucesso na capital britânica.

O cantor Elton John se pronunciou sobre a morte do colega, a quem se referiu como uma pessoa "doce e amável". "Eu e David (Furnish, marido de Elton) ficamos atordoados com esta tragédia. Enviamos nosso amor e condolências a seu companheiro Andy e a todos os seus amigos no mundo todo".