Fatores impulsionadores da Reforma- o contexto histórico

O primeiro problema trazido ao pensamento da Reforma será, necessariamente, onde ela se situa historicamente. Isto é mister para a formulação de seu contexto, à compreensão última de todos os valores e sentimentos auferidos neste evento. As crises, as contendas, as controvérsias, as condenações, enfim, os significados que conduzirão o cordão umbilical que ligam, de forma geral, protestantes e católicos nesse evento singular.

De fato, a Reforma se situa entre a Idade Média e o Renascimento, sem ser ela medieval ou renascentista, mas um caminho, uma passagem entre o medievalismo, à renascença e a modernidade. Assim, ela se situa no século XVI, entre a Renascença que vai do século XIV até ao XVI, com elementos medievais, com conceitos renascentistas, mas, sobretudo, uma passagem que iria re-significar aquilo que era intocável: a fé.

Acontece que o período renascentista é vivenciado pela burguesia nascente, seus ideais e valores são modificadores da cultura medieval, não correspondem mais a mesma, entretanto, não são capazes de ruptura radical com ela. Afinal, o neoplatonismo será a guisa norteadora, assim, o pensamento da renascença, era uma manifestação do espírito humano que colocava o indivíduo mais próximo de Deus. Ao exercer sua capacidade de questionar o mundo, o homem, simplesmente, dava vazão a um dom concedido por Deus.

Sem adentrar nas questões culturais, artísticas e cientificas, pode-se pensar na questão política. O homem renascentista é o homem que tem o capital, mas não tem o poder. O poder está ligado a fé, e esta é concentrada na mão da Igreja. E todo período renascentista esse homem se submete. Destarte, não é estranho que a Reforma tivesse vingado na Alemanha e nunca se enraizado na Espanha, ou que sua leitura se dê altamente ligada à formação do capitalismo burguês.

Aqui, faz-se necessária à justificativa de ser a Reforma nem medieval e nem renascentista, contudo, detentora de ambos pensamentos. Acontece que o Renascimento (preludio da modernidade), junto com a Reforma são produtos do humanismo, da volta ao clássico (período da Antiguidade clássica), do sentimento da liberdade humana, da volta ao passado, para a transformação do presente. No entanto, o Renascimento mostra um desenrolar diferente da Reforma, atingindo às elites, e somente a elas, sem, necessariamente, demonstrar a eficácia dessa liberdade almejada, ou, em outras palavras, influenciava a literatura, a arte, a estética, a filosofia, mas não era suficiente para promover a ruptura da fé. A burguesia nascente tinha medo do inferno, da excomunhão de viver sem Deus. Necessitava da Igreja e não era capaz de influenciá-la.

A Reforma é o pólo oposto. Atinge toda a massa, como também a elite. A Reforma abrange o pensamento político estrutural da Idade Média e rompe com o mesmo. A fé controla a política, portanto a Igreja, detentora da fé, é o mundo organizado- o Sacro Império Romano Germânico. A Reforma de Lutero vem saciar a sede espiritual de uma ruptura possível sem deixar o homem desamparado de Deus. Aí se justifica sua enorme difusão. Apenas a Reforma é que conseguiu abalar a mais rígida instituição feudal: a Igreja Católica. Claro que tal movimento não foi o primeiro a questionar a legitimidade da Igreja - muitos humanistas o fizeram, inclusive Erasmo de Rotterdam - mas somente a denúncia de Lutero e a proposta que ele dá para esses problemas é que abalaram as pilastras do mundo medieval. Isso pode ser facilmente observado se olharmos com atenção uma das principais conclusões dos estudos de Lutero: a Instituição da Igreja Católica tal qual vigorava naquela época era totalmente desnecessária, pois para o homem se comunicar com Deus era preciso apenas que ele tivesse fé. Não era preciso nenhum intermédio: conseqüentemente, a classe eclesiástica deixaria de ter razão de ser, e com ela a Igreja também. A Reforma Luterana colocaria o mundo Feudal de "cabeça pra baixo."


Comentários

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    seria ótimo tê-lo por lá também, mais um braço forte para carregar a bandeira da comunidade GLBTT-A.


    beijo carinhoso.

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