Habemus stultos : interpretações das igrejas evangélicas sobre as catástrofes

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Chega a tocar nas esferas da imbecilidade, o argumento que vem sendo disseminado, no meio evangélico, sobre a soberania de Deus e seus desígnios em relação às catástrofes NATURAIS.

Eu tenho senso de ridículo, mas a paralisia mental supersticiosa que envolve o movimento evangelicalista e reformado tem me dado náuseas nesses últimos dias.

Pastores e blogueiros têm ido aos seus respectivos públicos (e cada um tem o público que merece), dizendo que Deus está no controle de todas as coisas, e que se aconteceu alguma desgraça sobremaneira forte, ela assim procedeu pela vontade divina. Em contra partida, outros afirmam que Deus nada tem em relação a isso, e que deveras, ele também foi pego de surpresa, pois não deseja o mal.

Esse tipo de anencefalia era bem comum entre os medievais. Aliás, era o primeiro, o paradigma para todos os outros tipos de explicações. E não me assustarei, depois de tudo, se escutar ou ler por aí que essas catástrofes NATURAIS ocorrem por conta do pecado humano, uma forma de Deus sinalizar à humanidade sua insatisfação com a mesma. Óbvio que isso já ocorre silenciosamente, quando alguns por aí declaram: “Deus deseja ser conhecido assim, podemos não compreender, mas é como ele quer ser conhecido!”.

A tolice cristã é algo insuperável, quando os chamo de medievais, claro que estou ofendendo a memória do povo que viveu na Idade Média! Os cristãos são PRIMITIVOS. Sempre quando assisto algum filme que um deus qualquer, de uma tribo aborígene qualquer, deseja sacrifícios de sangue humano para aplacar sua ira e não castigar o povo, eu me lembro do Jeová! Sempre quando assisto filmes que envolvem as práticas de antropofagia, eu me lembro dos cristãos, comendo o corpo e bebendo o sangue de seu deus-homem.

As catástrofes recebem o nome de NATURAIS pelo dificultoso fato de se compreender, que são provocadas NATURALMENTE, sem intervenção qualquer de artifícios tecnológicos ou místicos. É uma lógica complicadíssima, mais difícil que física quântica! Assim, quando alguém constrói uma casinha para ter sua maravilhosa vida aos pés de um morro, em uma região de forte precipitação atmosférica, não precisa perder tempo orando, rezando a Deus para que o morro não venha a baixo, pois isso, mais cedo ou tarde, vai acontecer. O fato é natural, previsível, estimado, possível, verificado, funciona de acordo com a lógica dos efeitos físicos, programados pela própria natureza, conforme sua geografia, geologia, clima e desgaste.

Quando, alguém ocupa uma área plana, na beira de mar, no CÍRCULO DE FOGO DO PACÍFICO e não constrói uma muralha entre a área ocupada e o próprio mar, com certeza, e não precisa rezar ou orar a Deus para que não aconteça, pois vai acontecer, terá sua cidade costeira, litorânea, varrida pelas ondas provocadas pelos maremotos; aquelas ondas no mar que se dão devidas às atividades sísmicas da terra. E, ainda que se tenha radar sísmico, havendo um forte tremor com seu epicentro próximo à costa, 30 minutos, 20 minutos que for o tempo para se evacuar a região é pouco, e NATURALMENTE as mortes vão acontecer, não por desígnios místicos, mas pelo contexto natural e imprudência, aliadas a irracionalidade humana.

A terra é programada em suas atividades físicas e climáticas, essas atividades modificam o próprio espaço natural, muitas dessas modificações ocorrem pela destruição do espaço atual para sua própria renovação. O homem é dotado de razão para que ele se relacione com o meio ambiente, o compreenda, e assim usufrua do espaço ambiental da melhor forma possível. Mas ao longo da história, os homens ignoram a natureza, constroem casas e civilizações aos pés de vulcões ativos, de regiões com falhas tectônicas, em morros e beira de morros, enfim, depois se perguntam: “por que Deus deixou isso acontecer?” Deus não deixou, era programado para que acontecesse; programado NATURALMENTE. Deus não está nos mais altos céus colocando seu dedinho no pacífico só para que este sofra um abalo, e ele olhe para os japoneses e ria de seus olhinhos puxados se esbugalhando com o desespero e então diga: “zuei!”. Isso não é o mito de Ló e sua esposa de sal.

Por mais que esses tolos continuem pregando um Deus irado e facínora que através de seus decretos quer provar aos homens sua soberania, as catástrofes naturais continuarão naturais. Esse pensamento é uma parte das mentes afetadas pela revelação e mania de grandeza frustradas em muitos teólogos e projetadas em Deus. Gente, Calvino, de onde eles bebem, tinha hemorroidas! E é apontado como o tirano cruel de Genebra, rabugento, rancoroso e desumano. Tudo, por conta de sua homossexualidade reprimida, mas denunciada em 1577 por Jerome Bolsec.

Deus é amor, e as catástrofes com morte humana acontecem, não por desígnios divinos, mas pela negligência do homem na relação com a natureza, subestimando-a, pensando num domínio hipotético ignoram as zonas de riscos naturais. Não sejam tolos!

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