Nos tsunamis de Jeová: reflexão sobre o teísmo fechado; uma heresia que se contrapõe à essência de Deus, o amor.

amor

A comunhão de Deus com sua criação, eis uma questão teológica que, de fato, torna essencial ao homem em sua concepção do sagrado, e sua relação com ele, à experiência da própria fé, à experiência do próprio Deus. Assim, esta é uma característica do cristianismo, que consiste no seu axioma; a relação de Deus com sua criação. O Deus cristão é um Deus relacional, sendo tal relação desde a eternidade, pela própria economia divina: Deus é trino, e se relaciona em sua trindade, em um movimento eterno de amor que envolve as três pessoas e as faz inseparáveis uma das outras.

É o relacionamento do Divino Três, relacionamento absoluto e, que por ser tão profundo, ao ser pronunciado, jamais exprimirá quantidade, mas uma ordem inefável de três que são um na comunhão. Cada pessoa está totalmente e plenamente na outra, um termo teológico designa tal ação de circuminsessio; a circulação do amor divino, onde cada pessoa habita perfeitamente na pessoa do outro. Jesus dizia isso, quando afirmava: “crede em mim, pois estou no Pai e o Pai está em mim (Jo 14,11).”.

Por circuminsessio vigora a total entrega do amor entre as três Pessoas, de forma intensa, absoluta, infinita e desta entrega formam a união. As três Pessoas possuem uma só vontade, uma só inteligência, um só amor. Assim elas não apenas constituem a comunhão entre si, mas se constituem como Pessoas na mútua entrega da vida e do amor. São distintas para se unir; e se unem não se confundindo uma com a outra, mas para uma conter a outra.

Esta eterna circuminsessio de amor e de vida entre o Deus trino constitui a fonte matriz de todo amor, vida e comunhão de Deus na criação, na revelação feita à imagem da TRINDADE.

Desta feita, Deus se revelou e ordenou, por mandamento, aos homens que estes vivessem no amor, tal mandamento consiste no próprio CONHECIMENTO- RELACIONAMENTO DE DEUS.

Assim, o próprio Jesus se expressou: “Os fariseus, tendo sabido que ele tapara a boca dos saduceus, reuniram-se; e um deles, que era doutor da lei, para o tentar, propôs-lhe esta questão: - "Mestre, qual o mandamento maior da lei?" - Jesus respondeu: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito; este o maior e o primeiro mandamento. E aqui tendes o segundo, semelhante a esse: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos." (MATEUS 22 , 34- 40.).”

Ainda, em Jo 17, 21 ele diz: “Que todos sejam um como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste.”.

E concluindo, em I Jo 4,8: “Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”.

Na verdade, o que acontece é que Deus, que por essência é amor, não ama apenas a si mesmo, sua essência não é presa internamente, mas se expande, transcende para fora de si. Deus se relaciona consigo e com sua criação, Deus ama a si, como ama a sua criação e a ela se revela, com o mesmo amor que o constitui, pois isso é o que Ele é; não sendo diferente disso.

O amor Deus é radical no encontro com sua criação, pois Deus é o próprio amor manifesto nela, tudo veio a existir porque ele é amor, e amou! E ao homem ele amou como a si mesmo. O fez a sua imagem e a sua semelhança, mas na radicalidade do Ser, manifestou-se novamente pleno de sua própria constituição, trazendo a sua imagem criada (o homem) por sua essência amorosa, para dentro de seu relacionamento, para dentro de si: Existindo na substância de Deus, não se apossou violentamente do ser igual a Deus, esvaziou-se de si mesmo, assumiu condição de servo, tornou-se semelhante aos homens.

Nas duas naturezas de Cristo: a divina e a humana, a natureza humana foi assumida na existência divina, porque Deus que é amor, simplesmente fez o que ele é: amou ao homem! Desta forma, aquele que não ama, jamais conhecerá, ou experimentará qualquer coisa da graça, do amor, da misericórdia de Deus. O amor é a essência de Deus por excelência, e nisso o Deus trino se consiste.

Há uma teoria de soberania de Deus, que afasta Deus de seu amor, por atos disformes do próprio Deus e de seu caráter essencialmente amoroso. Tudo começa por uma má interpretação do que seja a soberania divina. Esta tem necessariamente relação com sua constituição não depender de nada e de ninguém que a reconheça como ordem superior a ela, em outras palavras, não há Deus acima do Senhor, e nada que se iguale a ele. Deste modo ele é soberano, possui total autoridade sem se sujeitar a nenhuma fonte que o valide ou o sujeite, não conhece superior nem igual na ordem externa e nem na ordem interna. Somente Deus governa, o governo pertence a ele, mas ele o exerce, e assim o faz, por regras fixas.

Soberania não tem a ver com onipotência, caso fosse seria uma redundância dizer que Deus é soberano onipotente. Contudo, ela se relacionou com os aspectos do poder, onde, em determinado momento, o líder necessitava demonstrar sua soberania pela força do poder, da sujeição, do subjugo. Nascia o conceito do déspota, aquele que governa unicamente, sem objeção de nada e de ninguém- não se relaciona- pois o povo não tem condições de se expressar, e são tratados como servos, não há leis, pois governa por decretos, que são suas vontades sem regras fixas, a bel prazer dos seus mimos.

Quando o teísmo fechado diz de uma vontade soberana, cruel, que faz o que lhe dá prazer, e da forma a dispor de suas criaturas sem considerá-las no assunto, então o teísmo fechado não está falando mais de soberania e sim de despotismo. Não está falando de Deus, que é amor, e que considera a sua criação, pois nela, e por ela se move, o seu Espírito, com gemidos inexprimíveis (Rm 8, 26). Mas fala de um facínora, psicótico, que na máxima de sua loucura, satisfaz-se no sadismo de suas ações, decretadas para o seu gozo.

Um deus que na catástrofe escolhe ser deus, e se manifestar para se dizer soberano, não é deus, mas é uma aberração transposta do homem na imagem de um ser superior; é a vontade particular do indivíduo, que não sabe quem é DEUS, que não experimentou o seu amor, mas imagina algo absoluto, corrompido pela megalomania reprimida de um déspota, mas possível num discurso em que elege um outro como alvo da vontade do que se gostaria de ser.

O teísmo fechado não sabe o que é amar uns aos outros como eu vos amei, pois o deus despótico deles não desce do trono, não se esvazia de sua glória, não se relaciona com a humanidade, nem com sua criação. É o uno solitário, que não se move, é monoteísmo despido da trindade, que justifica um totalitarismo que Deus em sua essência afastou de si mesmo. Afinal, o argumento de que Deus está acima de todas as leis, não anula o que constitui Deus, o amor, não anula sua verdade nem sua justiça: Deus se relaciona eternamente em amor.

Assim, o deus do teísmo fechado é o Jeová dos tsunamis, solitário em sua grandeza, que resolve tocar na terra para esbugalhar os olhos puxados dos orientais e se comprazer nisso, é o deus totalitário, imagem do homem no poder, a-trinitário, que desconhece as palavras do Cristo, quando diz: “que todos sejam um, assim, Pai, como tu estás em mim eu em ti!”. Circuminsessio na essência daquele que É.

Para maior reflexão deixo esse bonita música que diz da ESSÊNCIA DE DEUS:

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