Homofobia na UFMG: estudantes de Letras agredidos

UFMG Vista aérea: Campus Pampulha

Quatro estudantes gays teriam sido agredidos na última calourada do curso de letras da maior universidade de Minas, segundo denúncias. Segundo um jovem, ele levou tapas no rosto e seu companheiro, chutes. Um casal de mulheres teria sofrido agressões verbais.

O fato teria ocorrido na madrugada do sábado retrasado (dia 2), na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A festa havia começado na noite anterior. Como de costume, mais de uma centena de pessoas festejava a chegada dos novos alunos do curso. As dependências do prédio da Faculdade de Letras (Fale) e jardins próximos ficaram tomados de alunos de vários cursos, segundo relatos.

A festa era frequentada por vários casais - gays e heteros. A abordagem repentina de um homem desconhecido da comunidade estudantil causou estranhamento nos alunos, já que ele, segundo informam os estudantes, demonstrava um comportamento homofóbico.

A primeira vítima do homem teria sido um casal de meninos que trocava beijos na festa. Um deles, estudante de ciências sociais, contou ter levado um tapa no rosto e, o outro, um chute. "Esse cara chegou e já veio separando a gente. Ele gritava: ‘isso é coisa de veado, não aguento mais isso’", informou um dos agredidos. O homem foi embora xingando. Nenhum dos agredidos reagiu.

Ao deixar a festa, o casal passou em frente ao prédio da Faculdade de Filosofia e Ciências Humana (Fafich), onde novamente teriam sido surpreendidos pelo mesmo homem. "Ele veio e me deu outro tapa, do mesmo jeito. Várias pessoas estavam passando e ficaram em choque", contou o aluno.

Grupo. Os ataques surpreenderam o estudante, que afirmou que o homem estava acompanhado de várias pessoas. "Foi tão de repente que fiquei sem reação. Jamais imaginei que isso pudesse acontecer na universidade", disse o jovem.

A UFMG foi procurada pela reportagem e informou que ainda não foi comunicada oficialmente. Hoje, uma carta-manifesto, redigida pela Assembleia Nacional dos Estudantes e assinada por centros acadêmicos, será levada à reitoria. O assunto vem sendo divulgado na internet.

Intolerância

Cartazes pediram respeito à diversidade

No mesmo dia em que houve o ataque homofóbico aos estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), vários cartazes foram afixados nas dependências da instituição defendendo o respeito à diversidade sexual. Nada disso, porém, foi suficiente para evitar a agressão.

Dentro da universidade, quem recebe os relatos de atos de violência contra gays e lésbicas é o Grupo Universitário em Defesa da Diversidade Sexual (Gudds). Segundo Daniel Arruda Martins, integrante do conselho, casos de violência homofóbica na universidade não são raros. "Agressões desse tipo aconteceram no passado e continuam acontecendo".

Segundo Martins, a reitoria da UFMG está ciente dos fatos. "Mas não vemos ações mais enérgicas, de cunho educativo", critica.

O Brasil é o país campeão no ranking de crimes homofóbicos no mundo, segundo pesquisa do Grupo Gay da Bahia (GGB) divulgada semana passada. Em 2010, houve aumento de 31,3% nas ocorrências, com 260 assassinatos. (RRo)

Fonte: O Tempo

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