Livro retrata autores e poetas que se tornaram ícones gays


Publicado no Jornal OTEMPO


O escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde (1854-1900) viu o seu livro "O Retrato de Dorian Gray" ser publicado um ano depois de um escândalo que manchou a sua reputação e o levou à ruína em 1895. Parte da trajetória desse artista e de outros personagens que foram cerceados em razão da manifestação da sua homossexualidade é contada pelo historiador Tom Ambrose, no livro recentemente lançado no Brasil "Heróis e Exílios - Ícones Gays através dos Tempos" (ed. Autêntica, 216 págs., R$ 39).

Wilde, como observa o autor, tornou-se o infeliz protagonista de um caso que diz muito sobre o modo como as leis e a justiça da sociedade inglesa, em fins do século XIX, ainda estavam marcadas por uma visão homofóbica. Condenado à prisão, onde permaneceu em regime de trabalho forçado por dois anos, o crime cometido por ele foi ter se relacionado amorosamente com o jovem Alfred Douglas, conhecido como Bosie e filho do marquês de Queensberry.

O relato sobre Oscar Wilde é um ponto relevante do livro porque o seu destino se tornou amplamente conhecido na época. Em contraste com outros que o antecederam ou vieram depois, a sua trajetória se tornou emblemática pela tragédia que declinou um artista talentoso. Ele já se tornava aclamado por suas peças de teatro ou pelo burburinho em torno do romance ("O Retrato de Dorian Gray") que apresentava uma narrativa de contorno homoerótico.

Contemporâneos como o norte-americano Henry James (1843-1916) e o inglês E. M. Forster (1879-1970) sabiam dos perigos de assumir uma experiência homossexual na época em que viveram. E, na esteira de outros, como observa Tom Ambrose, que sentiram necessidade semelhante - A. J. Symonds (1840-1893), Lorde Byron (1788-1824) -, só restava o desafio de lidar com uma realidade que não oferecia muitas escolhas. Ou se optava por uma existência discreta, como o fez Henry James, ou se lançava para o exílio em sociedades afastadas das cidades de origem.

A partir da descrição do percurso de várias outras personalidades, incluídas algumas mulheres, das quais se destaca a escritora Gertrude Stein (1874-1946) - autora de um dos primeiros livros com temática lésbica -, o historiador Tom Ambrose provoca uma reflexão sobre a aceitação da homossexualidade atualmente. Ao recordar os tempos áureos da Grécia antiga, onde o amor entre pessoas do mesmo sexo não tinha um nome exclusivo, pois esse não era estranho, Ambrose questiona se a humanidade caminha a um retorno a esse contexto maior de tolerância.

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