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Deus ama ao que dá com alegria (II Co 9,7)

sexta-feira, setembro 09, 2011

Redes sociais alertam para mais ataques de skinheads em BH

Notícia de ataque de skinheads a outras tribos que se encontram na Praça da Liberdade, marcado para esta sexta-feira à noite, ganha força na internet e atemoriza grupos de jovens de BH


Carecas prometem agredir quem estiver nesta sexta-feira à noite na principal praça da Região Centro-Sul de BH. PM diz que reforçou policiamento na área
A violência na Praça da Liberdade, onde desde sábado ocorreram dois ataques envolvendo integrantes de tribos que frequentam o local, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, espalhou o medo entre a população jovem da capital. Nessa quinta-feira, usuários das redes sociais alertavam seus contatos para evitar a praça hoje à noite, pois grupos de skinheads iriam agredir punks, emos, homossexuais e outros jovens que costumam se reunir para ouvir música e se confraternizar. Os textos divulgados no Facebook, Twitter e Orkut dão conta de que quem estiver no local na hora do ataque não será poupado.

A ofensiva dos carecas seria uma vingança contra a agressão sofrida por dois skinheads no sábado. Os rapazes foram esfaqueados e atingidos por garrafadas e um deles, com perfuração no pulmão, precisou ser internado. Os agressores foram identificados como integrantes do movimento punk e um deles foi preso em flagrante, embora negasse a agressão. Na quarta-feira, em mais um ato de violência, um casal de homossexuais foi atacado na praça. Dois rapazes, que fariam parte de um grupo skinhead, foram presos depois de bater no casal. Um deles é menor de idade. À polícia, a dupla  negou fazer parte de qualquer movimento radical, mas ambos tinham a cabeça raspada e usavam roupas típicas dos skinheads: calça camuflada, coturno e camiseta branca. Os suspeitos foram ouvidos e liberados.


A Polícia Militar, mesmo negando a existência de movimentos organizados de gangues em Belo Horizonte, diz que vai atuar com rigor para impedir novos conflitos. “A população não precisa se preocupar, porque já aumentamos o efetivo desde essa quinta-feira e também contamos com a ajuda das câmeras do Olho Vivo na Praça da Liberdade. De qualquer forma, não acreditamos que haja grupos interessados em incentivar a violência. Tivemos apenas dois casos neste ano e acreditamos serem situações isoladas”, informa o capitão Robson Mappa, comandante da 4ª Companhia do 1º Batalhão da PM, unidade responsável pelo policiamento na área.

Intolerância


Testemunhas da agressão ocorrida na noite de quarta-feira confirmaram que o casal de namorados foi atacado sem motivo. O estudante M.V. D., amigo de um dos jovens agredidos, contou que estava no local e que não houve nenhuma provocação que possa ter motivado a agressão. “Eu, o casal e um grupo de amigos estávamos reunidos para bater papo. Chegamos por volta das 16h e vimos três homens, parecendo skinheads. Todos ficaram tensos, querendo deixar o local, mas por volta das 20h o casal, que tinha se afastado para namorar em um lugar mais reservado, foi atacado. Encontrei meu amigo com o ombro e a boca sangrando muito. Um dos três agressores conseguiu fugir, mas os outros dois foram pegos graças a um senhor que nos ajudou no local e chamou uma viatura que estava no Palácio da Liberdade”, diz.

O rapaz conta que não foi a primeira vez que enfrentou um ato de violência, mas nas vezes anteriores os ataques não foram consumados. “Nos reunimos com frequência desde setembro do ano passado, pois somos fãs da banda Paramore, que fez um show em Belo Horizonte em fevereiro. Já tive que correr dos skinheads duas vezes, mas nunca cheguei a ver uma agressão de fato. Esta foi a primeira vez”, afirma.

O que ele diz confirma o que o Estado de Minas publicou na segunda-feira, quando um jovem punk e um metaleiro denunciaram que os atos violentos dos carecas na Praça da Liberdade e em outros pontos da região da Savassi são comuns. Segundo o relato de um dos rapazes, até meninas são espancadas com socos e pontapés quando são alcançadas pelos skinheads.

Os parentes de um dos jovens atacados na quarta-feira, que foi ferido no ombro por um golpe de canivete, não quiseram comentar o assunto. Uma tia do rapaz fez questão de negar que ele fosse homossexual e lamentou o ataque. De acordo com ela, o sobrinho estaria na praça com a namorada e outro casal de amigos e foi agredido sem nenhum motivo. 

Militante do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (Cellos), Carlos Magno afirmou ter conhecimento de que os casos de agressão por intolerância e preconceito estão ficando comuns em Belo Horizonte. “Não dá mais para aceitar esse tipo de situação. O poder público precisa agir para garantir os direitos de todos. Já comunicamos a Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Municipal que queremos nos reunir na próxima semana. Nosso objetivo é mapear os locais onde os homossexuais frequentam, para garantir a segurança”, diz. 

Hora de impedir a intolerância

Dois ataques em quatro dias, ambos motivados pelo ódio e pela intolerância, assustam a população de BH. As ações de grupos, organizados ou não, não podem mais ser atribuídas a gestos fortuitos e tampouco minimizadas. Reforçar o policiamento é uma boa medida, mas não é suficiente. A população espera e exige mais das autoridades policiais. A Praça da Liberdade pertence aos cidadãos e não se pode permitir que no momento em que o local se transforma em um importante corredor cultural a população seja impedida de frequentá-la por bandos de vândalos.  (Álvaro Fraga)

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