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sábado, junho 16, 2012

A Bíblia é homofóbica?




A Bíblia é homofóbica?

Mesmo com a teologia inclusiva e supostas passagens pró-homossexualidade,
não devemos maquiar a homofobia e demais preconceitos
de certos textos bíblicos.

por João Marinho

A revista Superinteressante mais recente traz, em sua capa, a manchete para um texto que nos apresenta a “Bíblia como nunca lemos” – e que traz à tona parte daquilo que os cristãos adoram empurrar para baixo do tapete: Deus mandando matar, relacionamentos sexuais incestuosos, estupros, guerras sangrentas, etc.

Uma parte faz referência à homossexualidade e mesmo à abordagem de que havia relacionamentos homossexuais no texto sagrado que não sofreram condenação, mas louvor. Refiro-me aqui a Davi e Jônatas.

Sei que o tema não é consensual, mas, mesmo levando em conta o aspecto cultural e histórico, é impossível não observar que havia algo de especial entre esses dois personagens meio míticos, meio históricos (se não, totalmente míticos).

No entanto, será que, pelo fato de a Bíblia (supostamente) falar favoravelmente a certos aspectos da homossexualidade, isso é suficiente?

Houve um debate numa lista de discussão de militância LGBT da qual participo, e eu tomo a liberdade de divulgar, em forma de artigo, um comentário que fiz a um dos participantes sobre o porquê de minha resposta a essa pergunta ser não – e por que, a despeito da teologia inclusiva, permaneço longe da Bíblia e do retrato da divindade que ela apresenta, ainda que seja o retrato da T.I., que admite a homossexualidade a cristãos.

Questão de escolha
Na verdade, a questão do embate entre as diferentes formas de teologia inclusiva e as vertentes mais conservadoras, para mim, é mais profunda do que escolher um lado ou outro.

Mesmo que fosse, o que não é, consensual de que haveria um relacionamento gay entre Davi e Jônatas e que o autor, ou os autores da história, isso admirasse(m), é fato também de que, não à toa, ele, ou eles, teve (tiveram) de maquiá-la. Não fosse assim, haveria pouco ou nenhum espaço para o contraditório a respeito da relação entre os personagens.

Agora, porém, assumamos que realmente tenha havido um relacionamento gay entre Davi e Jônatas, que a história contada seja essa – uma homofilia bíblica, em vez de seu oposto, a homofobia. Isso descartaria a existência da mesma homofobia na Bíblia?

Minha resposta: evidentemente que não. Essa homofobia está lá, clara, exuberante e palpável na “Palavra”.

Não é porque os livros de Samuel, Reis e Crônicas exaltam o relacionamento entre Davi e Jônatas e ambos trocaram declarações carinhosas que o Levítico e suas injunções a certas práticas homoeróticas deixam de existir.

Não é porque Rute fez a Noemi uma declaração maravilhosa de amor, que é ouvida em certos casamentos sem que muitos saibam que foi de uma mulher a outra, que Josafá deixou de expulsar os homens efeminados da terra, se optarmos pela tradução de Almeida.

Não é porque o centurião (supostamente) tinha um caso com seu servo e Jesus nada condenou, curando o segundo, que Paulo deixou de se levantar contra, pelo menos, certas categorias de relacionamentos homossexuais.

As nem tão novas interpretações teológicas inclusivas, cujas bases remetem a antes dos anos 1950, trouxeram de bom o fato de que a Bíblia não é, ou talvez não seja, toda homofóbica classicamente falando, como os cristãos conservadores tanto gostam de retratá-la. No entanto, o exato oposto da posição desses conservadores, que é dizer que a Bíblia não é nada homofóbica, também é uma ilusão.

Mesmo as interpretações histórico-críticas mais avançadas nesse sentido concordam que, no mínimo, certas categorias de relações homoeróticas eram proibidas e/ou malvistas, notadamente as que se remetiam a contextos de prostituição e/ou paganismo, como no Levítico – e que, embora não fossem um mal em si mesmas, eram consideradas inadequadas (toevah).

Para os homossexuais, sobretudo os cristãos, claro que isso ameniza o problema – mas, para mim, não o resolve, à medida que permanece a condenação a certas práticas e a intolerância religiosa aos credos pagãos, muitos dos quais permanecem vivos ou se criaram posteriormente.

Dito de outra forma, do ponto de vista de uma alma libertária como a minha, há uma melhora, mas não uma cura – e isso é simplesmente insuficiente.

Eu jamais acharia que a Bíblia se tornou fantástica por exaltar os casamentos homossexuais estáveis, mas condenar ao inferno os garotos de programa, muitos dos quais são homossexuais como eu, apenas por serem prostitutos – ainda que não fossem homossexuais, como demonstram estudos que apontam erros de tradução e dizem que tais passagens se referem às prostitutas e prostitutos heterossexuais, porque, no fim, dá no mesmo: alguém vai para o inferno.

Jamais acharia que a Bíblia se tornou fantástica porque não apresenta Jesus condenando um centurião romano e seu moçoilo num relacionamento em moldes próximos ao da Grécia antiga, mas considera “toevah” um relacionamento gay dentro da Israel antiga.

No fim, isso é dizer, como sempre disse o cristianismo mais ferrenho, que uns são melhores que os outros, mesmo entre homossexuais. É “melhor” ser gay casado e “sério” do que garoto de programa ou prostituta, independentemente de ser ele ou ela hétero ou gay, sagrado (a) ou não. Também é “melhor” ser adepto da hebefilia do que um sacerdote de outra religião.

É mesmo essa a libertação que queremos? A liberdade de escolher entre “salvos” e “não salvos”, entre “melhores” e “piores”, entre “abençoados” e “condenados”? Levar para o céu os gays casados e condenar ao inferno os (as) prostitutos (as), quer seja tão-somente por venderem o corpo, quer seja por servirem a outros credos?

São essas reflexões que me mantêm afastado de todas as igrejas, mesmo as inclusivas, porque, afinal, eu não me contento com uma liberdade pela metade, com um respeito pela metade, com uma aceitação pela metade. Isso não confere com o que acredito ser o papel da divindade.

O que é producente, portanto, é tomar a Bíblia pelo que ela é: um livro histórico-religioso, com um sem-número de contradições, inclusive com relação à homossexualidade, e não a “Palavra de Deus” – e, finalmente, não dar uma de Alice (no País das Maravilhas) e levar em conta apenas uma de suas faces.

A Bíblia que (supostamente) exalta a relação gay do homem segundo o coração de Deus (Davi) e o mais velho Jônatas é a mesma que pode elogiar Josafá pela expulsão dos (as) prostitutos (as) sagrados (as) e que considera, no Levítico, uma coisa algo nojenta o sexo entre dois homens (toevah), embora não um mal em si (zimmah).

Julguem vocês mesmos.

Será que, na vida real, acharíamos “pior” lidar com um homofóbico que tem uma condenação espiritual permanente à homossexualidade do que um homofóbico do tipo “não tenho nada contra, mas tenho nojo”? No que um é exatamente melhor que o outro, se o nojo ou a condenação espiritual alimentam ambos a discriminação?

Então, por que vamos considerar a Bíblia diferentemente, apenas porque, no Levítico, ela não chama as relações homoeróticas de zimmah (maléficas, pecadoras), mas as chama de nojentas ou, pelo menos, inadequadas (toevah)?

Pior é dizer que ela, a Bíblia, não é homofóbica porque, afinal, ela não tem raiva e não condena a coisa em si (zimmah), “só tem nojo” (toevah)! Por favor... Isso é adotar para a Bíblia dois pesos e duas medidas que não empregamos nem para com seres humanos.

A questão de Deus e o papel sociopolítico dos inclusivos
Evidentemente, a questão de Deus, Deuses e da fé Neles não tem como ser resolvida facilmente, e, embora os cristãos mais fervorosos adorem dizer que “não acreditam em religião, acreditam em Deus”, a verdade é que a noção de divindade e a dimensão religiosa são indissociáveis em sua origem.

Mesmo que, posteriormente, uma pessoa opte por não seguir uma determinada religião como fiel, mas mantenha a fé em uma divindade, essa divindade terá as cores de algum credo ou soma de credos, seja o originário da pessoa, seja os que ela conheceu posteriormente e dos quais reuniu certos elementos.

Talvez descontado parcialmente o esforço de Aristóteles para definir Deus como o algo que movimenta o mundo, a causa primeira, uma causa não causada, a ideia de Deus é indissociável da herança religiosa. Na verdade, isso pode ser aplicado até ao filósofo grego, pois, se ele não houvesse recebido previamente alguma ideia do conceito do que é um Deus, por que teria dado àquela causa não causada justamente esse título?

Como pontuou sabiamente Alberto Caeiro, heterônimo do poeta Fernando Pessoa, “mas se Deus é as flores e as árvores e os montes e sol e o luar, então acredito nele, então acredito nele a toda a hora, e a minha vida é toda uma oração e uma missa, e uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos. Mas se Deus é as árvores e as flores e os montes e o luar e o sol, para que lhe chamo eu Deus?”.

Para além disso, no entanto, Deus (ou Deuses), para os que nele(s) creem, são tomados como realidade. O ateu não entende que o crente vive Deus como uma realidade palpável e, portanto, não entenderá o conceito de que Ele “não existe”, quando, para o crente, é existente.

A questão se essa realidade é ou não definitivamente palpável, se existe fora do olhar do sujeito, objetivamente, é mais difícil ainda de ser resolvida e remete a uma solução milenar que a filosofia busca e jamais encontrou. Será que a realidade existe fora do homem, só existe porque existe o homem, ou o que importa é o que o homem vê por meio da objetividade de uma redução eidética, como quer a fenomenologia? Como se vê, a coisa vai bem mais longe, e é a razão por que as discussões sobre a existência de Deus terminam em impasse.

Dito isso, não posso esperar que todos se tornem ateus apenas por serem LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), quando eu mesmo, por sinal, não sou.

Também sei que, para um bom número de pessoas, a dimensão religiosa reveste-se de extremada importância, de maneira que, se elas puderem viver sua sexualidade em harmonia com essa dimensão, tanto melhor – e, aqui, voltamos a falar da teologia inclusiva, que apoio sob uma perspectiva sociopolítica, reconhecendo exatamente o papel de benfeitora inegável que possui na vida dos cristãos que se descobrem LGBTs e que são tão injustamente escorraçados por outras vertentes.

Em termos de fé, porém, não adoto a teologia inclusiva: não por considerá-la mentirosa ou equivocada. Pelo contrário, se formos falar de equívoco, mais equivocados e mentirosos são os cristãos conservadores que, sob o manto do amor travestido que “ama o pecador, mas odeia o pecado”, defendem as piores barbaridades, insurgem-se contra outros humanos seus semelhantes e contra seus direitos e alimentam o preconceito e a discriminação, como se jamais houvessem ouvido falar da parábola do bom samaritano que ensina como identificar quem é nosso próximo real.

Minha crítica à teologia inclusiva e, por extensão, às igrejas inclusivas não se refere ao fato de que são inclusivas. Refere-se ao fato, simplesmente, de serem igrejas. Todo o cristianismo tem no seu DNA uma questão de escolha e divisão entre bem e mal, ímpio e justo, salvo e não salvo, abençoado e amaldiçoado – e sempre se escolhe alguém para estar no segundo grupo, “do outro lado”, em cima dos mais variados pretextos generalizantes e injustos.

Então, para uma alma libertária, incomoda que seja aceito um tipo de relacionamento homossexual, mas não a prostituição, por exemplo. Em relação ao cristianismo conservador, é certamente uma evolução, por se ter aumentado o escopo da inclusão, mas certos grupos permanecem inequivocamente excluídos de gozar das benesses celestiais e sob pretextos que pouco resistem a uma análise crítica, sincera e realista do mundo.

Aliás, sendo inclusivo ou não, é preciso ser sincero e realista. É positivo que a T.I. demonstre que a Bíblia não é de todo homofóbica e que é possível, pelas próprias ferramentas de que dispõe essa vertente, harmonizar religião e sexualidade homos/bissexual.

No entanto, é preciso ter cuidado para não cair no extremo oposto e contar uma mentira, pois simplesmente não é verdade que a Bíblia não seja nada homofóbica, como já pontuei. Mesmo que admitamos que a Bíblia não condena a homossexualidade em si, não há dúvida de que algumas categorias de interação homoerótica permanecem, no entanto, condenadas.

Curiosamente, a situação é a mesma para os heterossexuais, porque também nem todas as formas de interação heteroeróticas são admitidas. Por um lado, tem-se, portanto, o aspecto positivo de a teologia inclusiva igualar todas as realidades do espectro sexual. No entanto, de outro, isso demonstra a necessidade de ir mais a fundo no problema – e, fatalmente, nessa viagem, o resultado pode ser simplesmente o abandono da fé bíblica.

Respeito, portanto, os cristãos inclusivos que conseguiram harmonizar fé e sexualidade com base nas interpretações mais recentes e consolidadas da T.I. Respeito mais ainda os teólogos que não reconhecem na Bíblia a “Palavra de Deus”, mas um registro religioso com cores históricas das evoluções da fé de um povo específico. Até mesmo gosto das histórias de Davi e Jônatas e Rute e Noemi.

No entanto, me mantenho alegremente afastado dela, a Bíblia, porque não acho que é suficiente para minha felicidade uma coisa ou uma pessoa ser “mais ou menos homofóbica” e ser “mais ou menos homofílica”, aceitar “mais ou menos”, respeitar “mais ou menos”.

Não é, afinal, a própria Bíblia que diz, no Apocalipse, que, por ser morna, a Igreja de Laodiceia seria “vomitada” (“Oxalá fosses frio ou quente”)? No que tange à Bíblia, prefiro ser, então, um iceberg...

terça-feira, junho 05, 2012

O Espírito de Cruzada do IV Congresso Pentecostal da CCNE Nordeste



Rev. Márcio Retamero*



          Foi com espanto que tomei ciência, através de um cartaz ou banner, de uma atividade chamada IV Congresso Pentecostal, a ser realizado nos dias 7, 8 e 9 de Junho na CCNE Fortaleza, mas promovido pela CCNE Nordeste. O tema do IV Congresso Pentecostal é “12 Passos para Avançar” e a divisa encontra-se em Isaías 13:4: “Já se ouve sobre os montes o rumor como o de muito povo, o clamor de reino e nações já congregados. O Senhor dos Exércitos passa em revista às tropas de guerra”.

          O versículo, fora do contexto, está inserido na profecia de Isaías contra a Babilônia; logo nos primeiros capítulos do Livro do Profeta, lemos vários textos assim “Profecias contra...” e Deus profetizando contra muitas nações e povos, inclusive contra Jerusalém. O versículo que precede o quatro, assim diz, segundo a versão da Bíblia do Peregrino: “Deu ordem aos meus consagrados, recrutei meus guerreiros, entusiastas de minha honra, para *executar a minha ira*” (Is 13:3).

          Uma das regras de ouro da boa exegese bíblica nos alerta: texto fora de contexto é pretexto. E a análise histórico-crítica das Escrituras nos alerta para jamais tirarmos um texto fora do seu contexto e levar em conta absolutamente tudo o que podemos levar em relação ao texto, autor, tempo, geografia, história, filologia, ou seja, o contexto histórico existencial.

          A escola teológica bíblica do método histórico crítico, nos ensina que o Livro de Isaías não foi redigido por um homem apenas cujo nome era Isaías, mas por vários “Isaías”, ou seja, a “escola de Isaías”; o Livro é um processo de edição compiladora de vários escritos, desde o primeiro Isaías, o personagem profeta que dá nome ao livro, bem como seus sucessores que no pós-exílio da Babilônia, ajunta tais textos, dando-lhe uma unidade chamada Livro do Profeta Isaías. Assim temos, o proto-Isaías ou Primeiro Isaías, o deutero-Isaías ou Segundo Isaías e o Trito ou Terceiro Isaías que é do período pós-exílico.

          Didaticamente, a TEB nos ensina quanto à divisão do Livro:

          1 – Introdução ao conjunto do livro, constituída por uma seleção de oráculos de épocas diversas e destinada a fornecer um resumo da pregação do profeta;

          2-12 – Profecias sobre Israel e Judá , que na sua maioria estão entre as mais antigas de Isaías;

          13-23 – Oráculos sobre as nações estrangeiras;

          24-27 – Conjunto com dominante apocalíptica;

          28-33 – Oráculos diversos de promessas e de ameaças sobre Israel e sobre Judá (cf. 2-12);

          34-35 – Outros fragmentos apocalípticos;

          36-39 – Relatos sobre a atividade de Isaías no momento da campanha de Senaqueribe contra Jerusalém.

          Em nota de rodapé, a Bíblia de Genebra comenta o capítulo 13, no qual está inserido o versículo escolhido pela CCNE Nordeste para seu IV Congresso Pentecostal:

“13.1 a 23.18: Oráculos acerca de nações específicas. Essa seção apresenta as profecias de Isaías relativas às ações de Deus para com dez nações específicas que desempenharam papéis importantes durante o período do julgamento assírio. Depois de iniciar com uma declaração sobre a derrota final da Assíria (13.1 – 14.27)... As profecias predizem acontecimentos que logo seriam vistos em outras nove nações ligadas à campanha militar da Assíria, bem como a orientação que os fiéis de Israel e Judá obteriam a partir desses acontecimentos.

“13.1 Babilônia. Vários fatores indicam que essa passagem refere-se de fato ao reino assírio, em vez de ao reino babilônico. (1) Desde o tempo de Tiglate-Pileser III (c. 720 a.C.), os reis assírios se autoproclamavam “o rei da Babilônia” porque a Babilônia estava entre as suas possessões e era uma cidade muito importante do mundo antigo (14:3). (2) O contexto literário mais amplo dessa passagem envolve o período do julgamento assírio, não o julgamento babilônico. (3) Is 14.24-17 cita a Assíria explicitamente, mas ela não está destacada por um título introdutório como na apresentação das outras nações neste contexto (Is 14.28; 15.1; 17.1; 19.1; 21.1,11,13; 22.1; 23.1). Por essas razões, podemos estar certos, de que essa profecia prediz a derrota dos assírios pelos babilônios em c. 612 a.C.”

          Ou seja, irmãos e irmãs, os irmãos e irmãs da CCNE Nordeste escolheram um versículo que vai contra os interesses e soberania de Israel e de Judá, historicamente, contra o povo de Deus, enfim, que celebra a vitória da Babilônia a preço de muito sangue e vidas e fazendas. É a Babilônia que mais tarde invadirá a terra do povo de Deus, levando para sua capital a elite da Terra de Israel, um marco na história do povo de Deus, um lamento na existência do povo de Deus, um período de terror na história do povo de Deus como bem demonstra Jeremias e suas Lamentações!

          Texto fora de contexto é pretexto e não havia versículo pior como divisa de um congresso ou o que o valha cujo tema é 12 passos para avançar, a não ser que, belicosamente, na base da guerra, a CCNE Nordeste queira avançar e ir de encontro ao povo de Deus como a Assíria e a Babilônia, invadindo nossos campos e nos tornando exilados!

          Um triste episódio ocorreu na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos entre minha pessoa e pessoas da CCNE Maceió. Um irmão, chamado Gustavo, entrou no grupo da CCNE Maceió e escreveu algo sobre “igrejas inclusivas libertinas”, sem dar o nome da(s) igreja(s). Como sou pastor zeloso e como tínhamos iniciado um trabalho da Igreja da Comunidade Metropolitana em Maceió não muito tempo antes, eu sabia que ele estava fazendo referência à ICM como “igreja libertina”. Forcei até onde pude, escrevendo no tal grupo, o que causou um grande rebuliço lá, porque cobrava quem era a Igreja, mas, como acontece sempre entre os hipócritas, filhos do diabo mentirosos e meninos que não sabem ser homens, eles não tiveram a coragem de dizer que estavam falando, sem nomear, coisa de “Candinha”, a ICM Maceió, ou seja, uma completa falta de ética!

          Depois de tanto pedir explicações um rapaz, cujo sobrenome é Moreira, depois de ter apagado tudo o que escrevemos e gritado em caixa alta que o grupo era DELE, embora tivesse o nome CCNE Maceió, disse com todas as letras: ICM LIBERTINA.

          Vejam vocês a belicosidade dos fatos na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Membros da CCNE Maceió chamado um igreja irmã, a ICM, de libertina! Onde a ética? Onde a moral? Onde a hombridade? Onde o espírito de união e unidade? Onde o zelo pastoral para que coisas como essas não aconteçam mais no nosso meio? Interessante é que na mesma semana, recebi um telefonema do Dr. Átila, da CCNE Sede em São Paulo, me convidando para um Café com Pastores a ser realizado nos próximos meses, para justamente fazermos a engenharia de um Conselho Nacional de Igrejas Inclusivas do Brasil! Mas como fazermos isso com tanta fofoca, com tanta trama diabólica, com tanta guerra intestinal, com tanta maledicência, perjúrio, discurso injurioso, falsidade e mentiras? Pedi um pedido de desculpas dos envolvidos sobre o caso, o que até agora não me chegou às mãos, ou seja, caluniar, fofocar, cometer injúria pode, pedir desculpas por escrito não pode! Por isso irei à Maceió pessoalmente para tratar do assunto. Isso foi só um parêntese, voltemos ao texto.

           Meu objetivo com esse texto é esclarecer. A CCNE Nordeste, além de ter escolhido um versículo bélico contra a Babilônia que tanto fez sofrer o povo de Deus, ainda confeccionou um banner ou cartaz que me causou arrepios, não apenas como pastor, mas também como historiador.

          O banner ilustra esse texto e o que nele vemos? Uma cena das chamadas “Cruzadas Medievais”, uma campanha militar de “evangelização” convocada pelo Papa para libertar Jerusalém dos mulçumanos, os fiéis de Maomé. No caminho da Cruzada mataram mulheres e as estupraram; mataram cristãos e mataram muitos, milhares de mulçumanos.

          Reflita comigo: este é um tipo de versículo e um tipo de banner de uma igreja que se pretende inclusiva? Que chama à guerra, ilustrando-a com as Cruzadas Medievais? Veja o Cavaleiro Templário com sua cruz e sua capa, armado até os dentes de couraça e com uma espada na mão! Pronto para matar e libertar Jerusalém pelo poder da espada que fere e mata!

          Não, irmãos e irmãs, não cabe isso numa igreja que se pretende inclusiva e que deve pregar o amor e a justiça de Deus, que são as duas faces da mesma moeda, mas a justiça de Deus não abre mão do Seu Amor. Deus é Amor.

          Contudo, refletindo sobre os últimos episódios que aconteceu entre a minha pessoa e membros da CCNE Maceió, que faz parte da CCNE Nordeste, é fácil entender tanto a divisa do versículo quanto o banner. Eles são bons de briga, de fofoca, de maledicência e sua arma é a língua que fere, mata e faz matar.
          Nessa disputa infantil que se instalou entre as igrejas inclusivas do Brasil, melhor, as ditas inclusivas, a língua tem sido a arma letal desses cruzados que constroem igrejas pescando em aquários, que aqui e ali espalham fofocas, injúrias que causam prejuízos principalmente á denominação à qual estou ligado: a Igreja da Comunidade Metropolitana do Brasil, porque entre nós não há interditos, máscaras, hipocrisias, tampouco a santidade da cara pra fora.

          Se eu for escrever sobre tudo o que sei e que acontece dentro dessas ditas igrejas inclusivas, como a CCNE, eu escreveria um livro, inclusive com depoimentos de pessoas que lá dentro estiveram. Caberia páginas e páginas de fatos concretos que atestaria a libertinagem. Mas não o faço – se continuarem posso até pensar em fazer – mas não o faço e por que? Porque tenho zelo e, para usar a linguagem bélica que tanto gostam, gostaria que as ditas inclusivas fossem como um exército de um só homem, para fazer frente à militância política, buscar espaços de luta social e advocacy junto ao poder público, além de ações por um Estado Laico e contra o avanço fundamentalista.

          Mas infelizmente, pastores e pastoras ditos inclusivos, bem como seus fiéis, preferem as guerras intestinais, as fofocas, as maledicências, o ferir o outro com a língua – que é arma – o rotular o outro como libertino, porque o outro é diferente, tem um ethos diferente e não reza na mesma cartilha.

          Estou farto deste estado de coisas entre as igrejas ditas inclusivas – o que é ou deveria ser uma igreja inclusiva, vocês sabem? – e não me calarei mais e exporei as entranhas dessas igrejas a começar pela minha igreja, para não dizerem que estou salvaguardando meu latifúndio. Chega de hipocrisia e espírito bélico! Chega de fofocas e maledicências! Chega do espírito do Acusador, satânico, entre nós. É hora de unidade na diversidade; é hora de unirmos nossos ombros e mãos; é hora de aprender, de estudar, para não repetirmos as besteiras do fundamentalismo religioso como essa Cruzada Medieval promovida pela CCNE Nordeste. É hora de nos levantarmos como um exército de um homem só pelo nosso bem, pelo bem do nosso povo, pelo bem da nossa nação! É hora de desaprender 10, 14, 11 passos para avançar, porque não avançaremos na mentira, no ataque às outras igrejas inclusivas, na santidade falsa da cara pra fora, na vilania.

          Cristãos e cristãs inclusivos, uni-vos!

*Rev. Márcio Retamero, 38 anos, é teólogo e historiador. Mestre em História Moderna, UFF/Niterói. É pastor da Igreja Presbiteriana da Praia de Botafogo e da Igreja da Comunidade Metropolitana do Rio de Janeiro, a Comunidade Betel. É membro da Aliança de Batistas do Brasil e autor de quatro livros, o último, intitulado “Você tem fome de que?”, todos editados pela Metanoia Editora.


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