Minha adolescência foi marcada pelos livros e, me apaixonei por eles, pelas histórias e estórias que vivi, nas páginas em que mergulhei meu tempo e minha razão. Eram bons tempos aqueles; tempos de descobertas, tempos de fanatismos, tempos de ideologias. Eram tempos de revoltas pessoais, de crises existenciais; tempos em que reivindicava a cura, que me afastava do mundo, ao passo que mergulhava na literatura.

Como bom mineiro conheci, ainda nessa fase, a obra de Fernando Sabino. E, posso dizer que me apaixonei por uma específica: O encontro marcado. Foi um livro que me apresentou Belo Horizonte, não, por não conhecê-la, mas por me fazer identificar toda a minha trajetória nas páginas, ali, contidas: a praça da Liberdade, o viaduto de Santa Tereza, o colégio Afonso Pena, o Minas Tênis Clube, o parque Municipal etc. Tudo isso, me dava uma razão, tudo isso, me apontava um sentido: o sentido de não ter um sentido ! uma frase inquietante, amaldiçoada por mim, pois abraçava a heresia, mas hoje, por mim repetida: "... Deus rejeita os inocentes, é preciso se perder primeiro para depois se salvar." Todos esses lugares eu conheço, todos os autores que o livro cita eu li, sim, é uma história próxima, particular do autor, mas que identifica a todos nós!

Foi ontem, dia 11 de outubro, assistindo o Vídeo Show, que tomei o impacto. O plantão da Globo anunciava o falecimento do escritor, fiquei parado na frente da tv, enquanto tentava me permitir entender o que escutava. Com meus olhos cheios de lágrimas fui à minha biblioteca e, pegando o livro, que guardo cheio de orgulho e certo ciúme, relembrei, em breve leitura, os momentos felizes de sua agradável narrativa. Nostálgico, fui até o bairro de Santa Tereza, passei no viaduto, olhei seus arcos onde o autor relata suas peripécias, caminhei na praça da Liberdade, tentando relembrar aquele encontro, o encontro marcado com as minhas raízes, com os meus autores, com a minha história.

Gostaria, assim, deixar registrado o meu adeus a Fernando Sabino, que tão brilhantemente marcou minha vida. Adeus ao grande autor, que encarnado em Eduardo, me fez viajar em seu encontro e em minhas raízes.


por Renato Hoffmann

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