Shortbus - Sexo, drama e humor

Filme, que causou polêmica em Cannes pelas fortes cenas, estréia nesta sexta em Belo Horizonte
Walter Sebastião - EM Cultura




Shortbus, de John Cameron Mitchell, conta a história de Sofia (Sook-Yin Lee), terapeuta de casais que não é feliz com o marido e esconde dele o fato de nunca ter tido orgasmo. Um casal homossexual, James (Paul Dawson) e Jamie (PJ DeBoy), cliente da doutora, descobre o segredo e a convida para uma noitada em uma boate underground, onde tudo pode acontecer. No lugar, ela vê e ouve de tudo, aprende o alfabeto completo: de a, de amor, a z, de ficar zanzando entre várias coisas, com turma que vive à procura do ponto xis, o grande personagem do filme. Isto é: região enigmática onde coabitam afeto, companheirismo, sexo, felicidade etc.

Tudo o que você já ouviu falar sobre Shortbus é verdade. Especialmente que tem fartas (e fortes) cenas de sexo explícito, motivo que gerou polêmica no Festival de Cannes, onde foi lançado. O filme levou dois anos e meio para ser feito e foi totalmente construído com o elenco. É a segunda obra do diretor independente, elogiado pela ousadia. Sua estréia foi com Hedwig – rock, amor e traição, inspirado no mundo clubber de Nova York, ambiente que, de certa forma, ele retoma agora. E, para ser justo, é bom que se diga que a alta voltagem sexual caminha juntamente com mesma intensidade no plano dramático, e também no de humor (tem cenas muito engraçadas). Os três enfoques se revezam ao longo da trama.

O filme de John Cameron habita o coração de certas questões comportamentais contemporâneas: crise conjugal, carência afetiva, doenças sexualmente transmissíveis etc. Acrescente-se a necessidade de solidariedade, responsabilidade, liberdade pessoal. E, como ninguém é de ferro, de alguma felicidade ou pelo menos de prazer em meio a um mundo estressante. Claro que, como em outros filmes norte-americanos, perguntas difíceis ficam de lado, ainda que, no caso desse longa, não estão escamoteadas. Como, por exemplo, apontar, a todo instante, com e sem ironia, que é bom saber que existe algo depois do sexo, e que isso acaba sendo incontornável.

Shortbus tem qualquer coisa de modernização de antigos filmes românticos, só que com a palavra amor trocada por sexo. Com graça, mas também muita crítica, celebra o “faça amor, não faça a guerra”. É filme extremamente bem realizado, em todos os aspectos, que, passado o choque inicial, flui bem. Se fica alguma ressalva é quanto à manutenção de certos estereótipos. Seja o de que só os gays conhecem bem o assunto ou o fato de apresentar Nova York como cidade ultraliberal. Mas o filme, que tem na abertura e no encerramento uma cidade de papelão, deixa claro estar falando de lugar imaginário. Já houve, basta ler no cartaz, quem considere o trabalho uma utopia pacifista, ou o retrato de certo lugar e tempo.


Assista ao trailer de Shortbus


Fonte: Portal Uai
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