Protesto contra violência na 13ª Parada Gay de SP

Meu povo, repasso a reflexão redigida por um amigo, o Ricardo. Ele não faz parte das listas.
Rev Márcio

Por que apenas "centenas vão ao Centro de São Paulo pelo fim da violência contra os LGBT", conforme o título da matéria publicada no site "G. Online", se a massa na parada paulistana foi de 3,1 milhões de pessoas, segundo informam os próprios organizadores do evento?

Fez-me lembrar a manifestação celebrada por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Homofobia, mês passado, quando na orla do Rio de Janeiro menos de uma centena de pessoas, no exercício da cidadania, ergueram suas vozes para protestar contra a homofobia.

Hã? Menos de uma centena de pessoas na cidade prestigiada com a 'parada' mais antiga do Brasil? Considerando estatísticas de mais de um milhão de pessoas nas edições dos últimos três anos de "parada", às vezes, estranho a febre dos correios eletrônicos politicamente certinhos, pedindo pra clicar nos "abaixo-assinados virtuais" contra a homofobia e pela aprovação do PLC 122/2006, que tramita agora no Senado [tramita foi força de expressão]. Parece um discurso incoerente quando se chama à visibilidade e poucos, bem poucos, se propõem a agir como cidadãos conscientes de seus direitos e deveres...

Seria o caso de falta de divulgação pelos organizadores, erro no processo de mobilização civil ou desinteresse coletivo mesmo? Não digo que todos deveriam participar, pois cada qual faz o que bem pretender com o exercício de sua liberdade constitucional, mas que os que participam da "festa apoloniana das paradas" deveriam se auto-examinar, isso deveriam! Afinal, qual a real motivação de tudo aquilo?

Muitos nem se lembrarão da História, mas todas as conquistas democráticas nasceram do interesse e da mobilização cidadã (voto feminino, sistema direto de votação, o direito de greve, a liberdade de culto, a lei que define os crimes contra raça e procedência étnica, a gratuidade de transporte para estudantes da rede pública de ensino, idosos e deficientes, os Estatutos do Índio, da Criança e do Adolescente e do Idoso, as leis que asseguram ônibus e calçadas adaptadas para portadores de necessidades especiais nos perímetros urbanos das cidades, a Lei Maria da Penha contra a violência doméstica e à mulher, a Lei Seca, o Cadastro Nacional de Crianças Desaparecidas, as licenças maternidade e paternidade, as quotas nas universidades, o atendimento preferencial nas filas para gestantes, deficientes e idosos, entre muitas outras conquistas).

Será que os trios-elétricos e os carros alegóricos [e o que sobre eles há!], quase todos patrocinados por ONGS e boates do circuito LGBT, chamam mais a atenção do que reivindicações sérias e absolutamente necessárias no processo do exercício democrático?

Por favor, não me venham com o infantilismo da informação (?) de que os carros alegóricos (bom repetir: alegóricos) trazem cartazes com mensagens de reivindicação cidadã porque, sinceramente, entre olhar-ler-apreender a informação (?) ali contida e observar os corpos esculturais requebrando-se ao som ensurdecedor à la "Rhyanna Remix, Britney, Madonna at all", um em cada cem se certificará de qualquer coisa para além dos bíceps, tríceps, pintos e tanquinhos!

A minha proposta é a da reflexão! O auto-exame é necessário! A impressão que se tem, à vista das estatísticas recordes das participações nas paradas (um milhão, dois milhões, três milhões, etc) e o que se vê na hora de reivindicar qualquer coisa, efetivamente falando, quando se vê (!), é um hiato ao qual chamaria de apatia cidadã (pra não ferir as consciências caso chamasse o fenômeno de alienação político-social). Definitivamente, reivindicar não dá Ibope!

Pra finalizar, vejam o que o texto da matéria na "G. Online" diz sobre o importante evento ocorrido neste último sábado, em São Paulo, quando o que se propôs foi "a resposta" do movimento contra os recentes e brutais ataques homofóbicos (bomba, inclusive, ferindo cerca de 30 pessoas) contra Marcelo Barros vitimado pelo ódio de grupos intolerantes:

"Exatamente às 19 horas, um grupo de ativistas iniciaram o ato na própria Vieira de Carvalho, em frente ao Café Vermont. Um texto com o título "Homofobia, basta! Justiça, já!" e apitos foram distribuídos para as pessoas que aos poucos se juntaram ao grupo. Ao todo, cerca de 300 manifestantes se reuniram timidamente no centro da rua. "Realmente acho que nem 1/3 da Parada compareceu. Muita gente fala que a Parada é um carnaval fora de época. Tudo bem ser do jeito que é, mas acontecem coisas como essas, as pessoas tinham que prestigiar. Eu acho que a Parada tem muita gente, mas pode ter mais. Temos que reivindicar contra homofobia, a bomba da Vieira de Carvalho, a morte do Marcelo. Parada não é só festa!", disse Silvetty Montilla quando chegou e viu que não existia o número de pessoas que esperava.

Bruno Puccinelli contou que os amigos tentaram evitar que ele fosse a manifestação, pois estavam com receio de ter novos ataques. "Fiquei sabendo pela imprensa. Alguns amigos me perguntaram se eu estava louco de vir, pois seria perigoso. Sabia que não teria muita gente."

Entre apitos, Julian Rodrigues, do grupo Corsa, tomou a frente do ato com um microfone e discursou: "Essa manifestação tem duas reivindicações: pressionar para desvendarem os culpados pelos espancamentos e a bomba, e enquanto homofobia não for considerado crime, muita gente ainda vai achar normal bater em gays, lésbicas e transexuais"."

Este comentário foi feito em relação a reportagem da G.Online

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