Teologia Sistemática: A trindade



A solidão é um estado de espírito perene no homem. Na contemporaneidade esse caráter se torna evidente por um isolamento autônomo e a objetificação do sujeito- outro, sendo, por extensão, uma leitura equivocada das práticas efêmeras de posse, propriedade, lucro e poder.

Embora o indivíduo, o homem, não viva só, ele é um sujeito autônomo, e equacionar o conflito da autonomia existencial, e a inserção no outro e no mundo traz o conflito iminente, da angustia ontológica da apropriação do ser. O desdobramento é sempre a responsabilidade pessoal de ser, sendo, assumindo nas conseqüências de ser, às escolhas de todo esse contexto.

Obviamente que a doutrina da trindade jogará luz profunda e profícua nas dimensões do relacionamento humano. Uma forma precisa, se encarnada pelo sujeito, como quebra da alienação existencial, ou fuga do individualismo. Outrossim, um meio aliado de refletir a individualidade humana e, a partir dela (da trindade), esboçar um conceito ético dizível aos padrões cristãos, sem o perigo de cair no moralismo fundamentalista e nefasto de grupos, ou de expressões ideológicas contrárias à própria trindade, na essência da economia divina.

Antes de tudo, a compreensão da trindade perpassa pelo axioma da INCLUSÃO, tanto nas fontes primárias, do discurso inicial, tanto como na doutrina elaborada, que explica, racionalmente, o primeiro momento: a fé. Assim, quando se vislumbra a fé; Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo, à atitude de acolhida, do coração aberto ao mistério, ao sagrado se vislumbra uma unidade inclusiva, quando se explica a fé, partindo para o dogma; Deus é uma natureza e três hipóstases, também, é manifesta à concepção desta inclusão, ainda que o ato de fé ultrapasse todas as explicações, ou fórmulas, nem a fé, nem o dogma podem negar o porquê último daquilo que é, ser da forma que é.

Assim, faz-se necessária a compreensão desta trindade como premissa de inclusão. Tal possibilidade está diretamente ligada à humanidade e sua forma relacional, pois enquanto o ser é uno não reconhece nada além de si mesmo, está eternamente solitário, tudo em sua volta é objeto, ou potencial de objetificação. Tudo na realidade imanente será sempre desigual. Destarte, no monoteísmo radical há a solidão do Uno, por mais qualidades que este possua sempre será só, sem ninguém para compartilhar aquilo que se é.

De outra maneira, pode-se vislumbrar a pluralidade que esvanece a pessoalidade, a individualidade, faz o ser se perder num todo diferente dele mesmo, com naturezas diferentes, numa hierarquia ininteligível, uma dissolução do caráter próprio, uma perda sem precedentes da identidade do próprio ser. Aí, no politeísmo, há a perda da divindade, sua fragmentação, sua perda essencial.

Contudo, a trindade é, de fato, a inclusão da unidade e da diversidade nela mesma. Na experiência da trindade há a diversidade, e o mesmo tempo a unidade desta diversidade, onde: Pai, Filho e Espírito Santo estão uns nos outros, com os outros, para os outros e pelos outros. Ou seja, Pai, Filho e Espírito Santo em eterna correlação, interpenetração, comunhão, sendo um só Deus: Deus é trino- unido na diversidade.

Deus um, sinônimo de solidão e autoritarismo, Deus plural, uma díade hierarquizada e separada, distinta com exclusão: um não é o outro. Mas Deus é três! E trindade é a diferença da identidade: Pai, Filho, Espírito ao mesmo tempo, incluindo aquilo que separa e exclui, reunindo a unidade e a diversidade nela mesma.

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