Recapitulando o Evangelho Inclusivo

por Tom Mayan

Para se conhecer profundamente o significado de “Evangelho Inclusivo”, é preciso, antes de tudo, tornar-se um verdadeiro Cristão Inclusivo, à moda antiga. Contudo, há muitas intempéries ao longo do caminho. Uma delas é tornar-se o exemplo vivo de Inclusão, acolhendo a todos os assolados e mostrando a esperança diante da aflição que o mundo traz. Esperança esta que só é possível alcançar através da experiência do encontro com o modelo sublime de Inclusão: Cristo Jesus.

Levar o Evangelho Inclusivo não é fácil devido o fato do ser humano estar dotado de uma natureza pecaminosa, carregando consigo muitas vezes, o famoso pré-conceito e a aversão, ou seja, julgamentos pessoais que se mantém entre o “eu” do Cristão e o dever a ele compelido em ser manso e humilde de coração.

Transpor esta barreira se torna um passo importante para obtenção do Evangelho genuíno de amor. Para tanto, é preciso conhecer e saber utilizar a chave correta para abrir o coração e deixar a luz entrar e, assim, modificar o que jaz um coração de pedra. Um coração de pedra pode simbolizar muitas coisas, dentre elas, a ignorância e a intolerância humana, que pode ser encontrada em muitos que, orgulhosamente, se denominam “Cristãos”, mas que nada mais são que meros religiosos legalistas.

Os que se acham justificados, geralmente se baseiam em Mateus 13:11: “Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido”. Dessa maneira, muitos “Cristãos” acreditam estar entre os escolhidos, tornando-se assim, incoerentes ao discurso, pois, são os mesmos que insistentemente tentam mostrar uma “verdade” sobre a homossexualidade aos que – no caso -, não lhes é permitido conhecê-la. Diante disso, apenas perdem seu tempo.

Alcançar a verdadeira compreensão do significado de “Cristianismo” pode ser uma tarefa exaustiva, pois demanda boa vontade e submissão para recapitular diariamente o exemplo de Jesus. Enganam-se os que pensam que, uma vez entendido o evangelho de Cristo, para sempre aprendido está. O Evangelho Inclusivo deve ser encarado como uma santificação diária e constante na vida de nós cristãos.

Nesse contexto, é fácil compreender a reação de pessoas amáveis que, ao tocar em um assunto que lhes causam incômodo - no caso, a Homossexualidade -, dizem coisas cruéis, sem ao menos perceber como estão sendo rudes. Contudo, certas atitudes são inerentes à natureza humana; simplesmente não conseguem enxergar por conta própria.

Entretanto, são reações como essas que disseminam a segregação, como a que por muito tempo tem havido, frente uma cultura cristã milenar. Mas, é diante dessa situação que, provavelmente, Cristo tenha dito: “Eis que vos envio ao mundo como ovelhas em meio de lobos” (Mateus 10:16).

A falta de compreensão e de sentir-se confortável – tão importante aos homossexuais -, torna o processo difícil, longo e doloroso. Muitos homossexuais passam por uma jornada terrível até a própria aceitação, tornando grande parte de suas vidas incompletas psicoemocionalmente. Daí tem-se a importância da sociedade cristã não condicionar as pessoas a pensar a homossexualidade como algo negativo.

Mas, em contraste, muitos “Cristãos”, sem ao menos dizer uma única palavra de condenação, acabam por ferir de maneira mais trágica ainda um homossexual, permanecendo em silêncio diante da condenação social cristã, deixando-o se autopunir, não o ajudando a corrigir as imagens deturpadas formadas em sua mente, e não sendo capaz de ajudá-lo a compreender quem ele (homossexual) é para Deus.

Uma das situações mais solitárias da vida é quando um jovem começa a perceber-se homossexual. Ele não tem idéia alguma da situação que enfrentará, não sabe o que fazer com a situação e, muitas vezes, não tem ao menos um irmão de fé ou pastor com quem possa expressar-se e confiar, sem temer a rejeição ou condenação. Diante disso, ser um adolescente homossexual, na maioria das famílias, significa crescer com muita confusão na mente; é sentir uma extrema contradição de quem ele realmente é; é ter duvida constante em ser amado ou não pelos seus pais e, principalmente, por Deus. Dessa forma, muitos jovens acabam por internalizarem uma inverdade de que nada em sua vida pode fazê-los se sentir íntegros.

Contudo, a partir do momento que um jovem homossexual consegue sobrepor estes vieses, ou seja, as resistências sociais e até mesmo pessoais, ele pode usufruir de um equilíbrio moral completo, conseguindo estar aberto para experienciar verdadeiramente o amor, se permitindo amar a alguém e, dessa maneira, alcançando, pela primeira vez, um sentimento grandioso da presença de Deus em sua vida. Somente assim, o cristão homossexual se torna completo como ser humano e passa a viver de maneira efetiva.

Nesse sentido, torna-se fundamental que todos os “Cristãos” consigam entender esta situação – se é possível que consigam -, tomando consciência de que não devem exigir que homossexuais suprimam sua identidade emocional, e ainda assim, continuem tendo uma vida boa e correta diante de Deus.

É nesse contexto que o Evangelho Inclusivo vem a ser aquele que – sem fazer militância homossexual à Religião –, simplesmente ajuda a muitos que se sentem excluídos do rebanho de Cristo. O Evangelho Inclusivo prega a moralidade no que cerne ser responsável, ter consideração pelo próximo, ser gentil, generoso e bondoso de espírito.

A Inclusão é uma forma re-pensada de rejeitar a tradição Exclusiva e agir ousadamente em prol da pregação do verdadeiro Evangelho de Cristo. Ensina, ainda, que todos enquanto cristãos, possuem dois pontos em comum: o batismo e a obrigação moral aos mandamentos da Lei sob o contexto resumido de Jesus que convida a todos a amar a Deus e ao próximo, reconhecendo o amor humano como um reflexo do amor divino.

Contudo, devemos encarar que os ditos “Cristãos” podem combater ou desafiar essa lógica, resistindo ao apelo Inclusivo, mas a vida de amor incondicional de um verdadeiro cristão é um argumento que não pode ser contradito.

Tom Mayan, 27 anos, Especialista em Ciências da Saúde; É Gay e Cristão, Militante pela Inclusão LGBT no Cristianismo; Escritor sobre Teologia Inclusiva, Fundamentalismo Cristão e Homofobia Religiosa; Colunista do site “Maringay” e autor do livro que retrata a homossexualidade e o Cristianismo chamado “Ser Gay e Cristão é possível!” –

Site do livro: www.sergayecristaoepossivel.com;

Contato: sergayecristaoepossivel@hotmail.com

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