Ruínas da Babilônia

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A ameaça mais imediata à preservação das ruínas da Babilônia, o local de uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, é a água que inunda o chão e destrói o que restou de uma grande cidade da época do Rei Nabucodonosor II, onde hoje é o Iraque.

Essa também é uma das ameaças mais antigas. O próprio rei enfrentou problemas de água há 2.600 anos. A negligência, reconstruções sem cuidado e pilhagem em tempos de guerra também causaram problemas em épocas mais recentes, mas arqueólogos e especialistas em preservação de relíquias culturais dizem que nada substancial deve ser feito para corrigir isso até que o problema da água esteja sob controle.

Um estudo atual, conhecido como projeto Futuro da Babilônia, documenta os danos causados pela água, especialmente associados ao rio Eufrates e ao sistema de irrigação ali perto. O solo está saturado logo abaixo da superfície em locais do Portão de Ishtar e os Jardins Suspensos, há muito extintos, uma das sete maravilhas. Tijolos estão se esfarelando, templos estão em colapso. A Torre de Babel, reduzida a pedregulhos, está cercada de água estancada.

Os líderes do projeto internacional, ao descrever suas descobertas em entrevistas e numa reunião realizada em março em Nova York, disseram que qualquer plano para reivindicar a Babilônia como atração turística e local de pesquisa arqueológica deve incluir o controle da água como “a prioridade número 1”.

O estudo, que visa desenvolver um planejamento para a cidade antiga, foi iniciado no ano passado pelo World Monuments Fund, em colaboração com o Conselho Estatal de Antiguidades e Patrimônio do Iraque. Uma verba de US$ 700 mil do Departamento de Estado americano está financiando o estudo inicial de dois anos e um plano preliminar de gerenciamento. Um representante do fundo afirmou que todo o esforço poderia durar cinco ou seis anos.

“Este é, sem dúvida, o programa mais complexo que já tivemos de organizar”, disse Bonnie Burnham, presidente do fundo.

Alguns arqueólogos expressaram preocupação sobre o que eles disseram ser o lento início do programa.

Membros do projeto afirmaram ter tido sérios problemas em persuadir especialistas estrangeiros a ir até o Iraque e então liberar a entrada deles e de seus instrumentos de trabalho no país.

Além do desgaste do tempo a que estão sujeitas todas as ruínas antigas, a Babilônia também sofreu depredações na história recente. Arqueólogos alemães que realizaram o primeiro estudo minucioso do local, antes da Primeira Guerra Mundial, reconheceram as incursões de águas de irrigação trazidas de um afluente do rio Eufrates, a 80km da atual Bagdá.

McGuire Gibson, especialista em arqueologia mesopotâmica da Universidade de Chicago, que não está envolvido no projeto, concordou que a água seja o “principal problema” da Babilônia. Segundo ele, o problema piorou nos últimos anos, quando um lago e um canal foram escavados como parte de esforços para atrair turistas. O próprio Nabucodonosor, como Gibson observou, lidava com a invasão das águas erguendo novas construções em níveis ainda mais elevados, em cima de montes de ruínas antigas.

Os primeiros pesquisadores alemães, liderados por Robert Koldewey, relataram ter encontrado danos extensivos causados pela água a estruturas de tijolo de barro e a intrusão de campos de agricultura e vilas dentro das fronteiras da cidade original. As pessoas já tinham carregado tijolos e pedras, deixando quase nada do Zigurate, conhecido pelo historiador Heródoto e pela Bíblia como a Torre de Babel. Os próprios alemães rebocaram o Portão de Ishtar para um museu em Berlim.

Então, nas décadas de 1970 e 1980, Saddam Hussein, lançando-se como herdeiro da grandeza da Nabucodonosor, construiu seu próprio palácio imponente na Babilônia, no local do antigo palácio de seu antecessor real. Ele até adotou a prática do rei de cunhar seu próprio nome nos tijolos da reconstrução. Arqueólogos ficaram horrorizados. O novo palácio e algumas outras restaurações, dizem eles, não são autênticas, mas mesmo assim dominam o local.

O que fazer com o palácio de Saddam é outro problema, disse o codiretor do projeto, Jeff Allen. “Como equilibrar a integridade do local com seu uso como atração turística é um problema”, explicou ele, observando que o Iraque conta com a Babilônia como futura fonte de receita turística.

Allen, consultor americano em preservação cultural e radicado no Cairo, disse que custaria milhões de dólares demolir o palácio ou convertê-lo num centro de visitação para turistas. “Isso ainda tem que ser estudado por outros especialistas”, disse ele. Ele brincou ao sugerir que o palácio ficaria perfeito como cassino.

“Eu deixaria o lugar em paz”, disse Gibson, apontando que a construção foi baseada em rascunhos deixados pelos arqueólogos alemães.

“Assim, você pode caminhar ao redor de algo parecido com a antiga arquitetura”, continuou. “De outra forma, você vai caminhar e não ver nada, a não ser um monte de ruínas”.

Elizabeth C. Stone, arqueóloga da Stony Brook University, em Nova York, e que tem familiaridade com a Babilônia, afirmou apoiar esforços para reabrir o local para turistas, especialmente os próprios iraquianos.

“Está perto de Bagdá e é um dos locais onde víamos os iraquianos irem para saber um pouco mais sobre seu passado”.

Mais danos foram causados durante a guerra do Iraque, iniciada em 2003. A pilhagem dominou ali e em outros sítios arqueológicos. O exército americano ocupou a Babilônia por vários anos, protegendo-a de saques, mas deixando outras cicatrizes. Cerca de 1km2 de solo de superfície, alguns com artefatos, “foi removido de uma forma ou de outra”, disse Stone.

“Os militares certamente não fizeram bem algum ao lugar”, disse Lisa Ackerman, vice-presidente executiva do fundo de monumentos. “Eles moveram muita terra, mas o dano é reparável”. O local foi devolvido ao controle iraquiano há mais de um ano. Ackerman e Allen disseram que o projeto já tinha feito um levantamento sobre os remanescentes, construção por construção, e iniciado a restauração de dois museus. Embora o Iraque tenha o maior corpo de arqueólogos treinados, dizem eles, uma necessidade imediata é instruir outras pessoas na conservação de ruínas e trazer engenheiros e hidrólogos para lidar com o problema da água.

Fonte: Uol

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