Trote homofóbico ofende alunos de arquitetura

Fonte: UnB

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Na mesma semana que a UnB promove evento contra a homofobia, estudantes da Engenharia Civil gritam frases pejorativas nos corredores do ICC

Isabela Azevedo - Da Secretaria de Comunicação da UnB

Um dia depois da I Marcha Nacional Contra a Homofobia, alunos do curso de Engenharia Civil usaram o momento do trote para gritar frases ofensivas aos estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), alusivas ao homossexualismo. Entre os ofendidos, uns dizem que a manifestação apenas revela uma velha rixa entre os cursos. Outros se mostram realmente irritados. Já na Faculdade de Tecnologia, o tom é de deboche. “É tudo brincadeira”, diz um estudante da Engenharia. Uma brincadeira que se perpetua há pelo menos cinco semestres desrespeita os alunos e ajuda a enraizar o preconceito contra a comunidade gay.

Os calouros de Engenharia Civil chegaram à FAU ao meio-dia desta quinta-feira, dia 20, na posição de “elefantinho” – uma forma de andar entrelaçados. Incentivamos pelos veteranos e com a ajuda de um megafone, gritavam frases com palavras pejorativas insinuando que os alunos da Arquitetura seriam gays. Segundo relato dos estudantes de Arquitetura, não havia muitos alunos na faculdade no momento do trote e as ofensas foram apenas verbais. “Imagine como seria legal se os calouros da Engenharia Civil se juntassem com os nossos para construir escolas? Dessa forma, eles só desperdiçam tempo”, comenta a aluna do 5° semestre do curso de Arquitetura Gabriela Curado.

O sentimento do estudante Luiz Eduardo Sarmento, do 6º semestre de Arquitetura, é de indignação. Membro do Centro Acadêmico do curso, o aluno participou da marcha contra a homofobia que levou duas mil pessoas à Esplanada dos Ministérios nesta quarta-feira, dia 19. “Os debates que fizemos contra a homofobia não conseguem atingir as pessoas preconceituosas aqui na UnB”, lamenta. Na segunda e terça-feira desta semana, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) promoveu junto a associações LGBT o seminário UnB Fora do Armário!, que reuniu representantes dos poderes executivo e legislativo para discutir políticas públicas para garantir os direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

“Foi uma ofensa homofóbica, antiacadêmica e anticidadã”, enfatiza o professor do Departamento de Arquitetura Frederico Flósculo. O docente escreveu um artigo denunciando o trote para ser publicado no jornal da ADUnB, mas diz que o texto foi vetado. “Disseram que eu estava ofendendo os alunos e professores do Departamento de Engenharia Civil, enquanto eu estava apenas respondendo a uma ofensa”, protesta.

A Agência UnB não conseguiu localizar alunos da Engenharia Civil que tenham participado do trote no início da tarde. No Centro Acadêmico do curso, no entanto, a prática é bem conhecida. Estudantes que preferiram não se identificar comentavam em tom de deboche a calorada. “Não é um preconceito, é um pós-conceito”, disse um. “É só uma brincadeira, não tem a intenção de ofender”, corrigiu outro. “O calouro entra na universidade achando que não há problema sofrer abusos por parte dos veterano. A principal medida é trabalhar politicamente para o fim desses trotes violentos”, afirma Raul Cardoso, coordenador-geral do DCE.

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