Deus fez macho e fêmea e o Silas Malafaia!

Por Renato Hoffmann

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Um dos maiores engodos criados pelas seitas pentecostais tem nome: Silas Malafaia. Este que se diz pastor, e graduado em psicologia, costuma com os ares de sua arrogância habitual desferir uma série de falácias, supostamente, sustentadas por um argumento de autoridade frágil, ou uma lógica débil, aliás, como é todo o caráter do suposto pastor. Sua arrogância acompanha o medo do próprio embrolho argumentativo ser desmascarado ou não sustentar diante argumentação contrária; naquilo que lhe falta de senso e epistemologia compensa com uma retórica agressiva, intimidadora, mas que nem por isso é verdadeira.

Silas se acostumou a ganhar dinheiro fácil, e muito dinheiro, dinheiro doado para sustentar a religião, dinheiro este que o mesmo emprega, DESVIA, na aquisição de aviões e vida luxuosa, e viagens acintosas. Tudo isso, usando de frases de efeitos, e enganando ao povo evangélico em seu gênero, que historicamente, no Brasil, é um povo menos alfabetizado e intelectualizado, salvo os que veem das igrejas históricas. Aliás, já de muito que o comportamento do Silas mereceria a investigação do Ministério Público, para apurar a legalidade das ações do mesmo no cenário nacional. E para falar disso, muito embora para mim devesse ficar sem comentários, mas como os leitores pedem para que o blog se manifeste, é que, em último, vejo mais uma apologia ao preconceito do que uma pregação religiosa, uma afronta ao artigo 3º, incisos III e IV da constituição da República os outdoors com a inscrição: “Em defesa da família e preservação da espécie humana. Deus fez macho e fêmea (Gn 1,27).

Acontece que Deus criou o homem: Macho e Fêmea os criou, e criou o Silas Malafaia. Na verdade Deus criou coisas maravilhosas, e criou coisas insignificantes também, criou coisas supremas e estúpidas, ele fez o campo, nos deu as rosas... os espinhos, cardos e as ervas daninhas também (Gn 3,18). Da mesma massa Deus criou vasos de honra e de desonra (Rm 9,21), fez o homem, macho e fêmea os criou, e fez o Silas Malafaia!

O gênero usado no livro de Gênesis não é um princípio espiritual, como querem alguns não exegetas e pseudo-hermenêutas das Escrituras! Aliás, o culto a Javé, no Antigo Testamento, põe para o historiador da religião uma curiosidade, pois Javé desmitifica noções cultuais de divinização do sexo das culturas circunvizinhas da tribo dos hebreus. No culto dos cananeus a cópula e a geração eram encaradas como acontecimentos divinos envoltos numa religiosidade saturada de imagens sexuais míticas. Contudo, Israel não participa dessa orientação interpretativa, onde Javé transcendia a polarização sexual, nunca sendo a sexualidade um elemento de um mistério sagrado, ou um princípio espiritual, como alguns andam gritando nas rádios e nas TVs por aí. O sexo para Israel pertencia à ordem das criaturas. E em princípio, pois mais tarde a divinização vai acontecer, mas em princípio é a afastada toda a divinização do sexo do culto e da realidade sagrada. Ou seja, Israel teve em sua doutrina da criação a dessacralização do sexo.

As diversas obras criadas, no livro de Gênesis são postas em nível de gradação com o criador, não sendo elas ligadas diretamente, ou de maneira imediata com o mesmo. Deus criará a partir do caos, do caos o mundo será tirado, nascerá, daquilo que era sem forma, vazio, será colocado acima do próprio caos, sendo mantido acima do abismo. Não há uma pessoalidade imediata, uma aferição de um caráter, ou um liame que indique qualquer coisa criada de forma que venha estabelecer um sentimento intrínseco. No entanto, o homem está criado e colocado numa relação imediatamente junto de Deus, não é criado por uma palavra, mas é ornado, trabalhado, não constitui um ato de mera vontade, mas um ato de expressão de identidade, pois quando é esculpido é também imprimido na característica de seu escultor. Uma ligação imediata, um liame entre aquele que cria naquilo que é criado, numa decisão particular e solene:

“E formou o senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.” (Gn 2,7).

Num outro texto, uma expressão muito clara e conclusiva não está na marca do esculpir, tão somente na declaração de SEMELHANÇA, que se faz assentar toda a esfera teológica nessa órbita:

“ E disse Deus: façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança... E criou Deus o homem, a sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.” (Gn 1, 26-27.).

O que se pode dizer que o objeto esculpido tzélém é a imagem, estátua, e demût é a semelhança, equivalência. Onde a segunda palavra interpreta a primeira, referindo-se ao homem no todo. Sendo esse ornamento e formação hâdâr igual à superioridade, majestade oriunda da própria identidade de Deus que o faz, poder-se-ia dizer da beleza perfeita do primeiro homem. Como imagem de Deus, o homem é colocado acima de todos na criação, contudo uma expressão: e disse Eloim (corte celeste)! O homem é criado à imagem de Eloim, e a ideia deve ser completada pelo Sl 8,5- termo que possuiu duas características imutáveis: sábio (II Sm 14, 17-20) e bom (I Sm 29,9). Assim Deus criou o homem, macho e fêmea- a sua imagem e semelhança: sábio e bom! Não fala de sexualidade, mas de caráter divino impresso na criação. Ou seja, que o homem (Adamah igual a humanidade) é criado à imagem de Eloim (sábio e bom), macho e fêmea (homem e mulher).

Até aqui foi comentado a teologia do DOCUMENTO “P”, que descreveu esta relação na criação, contudo no capítulo 2, o texto de Gênesis retoma a criação do homem, mas com um outro documento, o DOCUMENTO “J”, e nele a descrição da criação da mulher. Segundo o ponto de vista javista, a razão de ser da criação do mundo foi o homem (2,4 – 3,24). É bem econômico em descrever o mundo criado que cerca o homem: toda planta do campo ainda não estava na terra, e toda erva do campo ainda não brotava, porque ainda não havia homem (2,5; 2,9); o jardim no Éden com um rio o regando (2,10 – 15); os animais foram criados para tentar resolver o problema da solidão do homem (2,18 – 20); a mulher foi criada para ser seu complemento (2,21 – 25). Assim, a mulher está CONSIDERAVELMENTE afastada da criação do homem.

Enquanto no documento “P” macho e fêmea são imagem do sábio e bom (Eloim), no texto do documento “J” a mulher é uma auxiliadora, uma peça acessória, e não principal, ela é auxiliadora semelhante ao homem, mas não idêntica a ele! Um ser que vem como complemento daquilo que é principal, sua criação se dá de uma costela que pertencia ao homem e nisso Adão se manifesta:

“esta é agora ossos do meu osso e carne da minha carne, será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada.” (Gn 2, 23).

Foi criada por Deus para agraciar ao homem, submetendo a ele sua existência. O crescei e multiplicai faz parte de um sentimento de posse e sujeição, que não está contido no texto de Gn 1,27- que diz homem e mulher os criou, já no texto javista: “ambos estavam nus, o homem e a SUA mulher... (Gn 2, 25).

O que se pode concluir: que o Silas Malafaia usa o texto do macho e fêmea sem saber a razão teológica expressa nele, o expõe querendo ser ácido contra os gays, e demonstra toda a sua ignorância e imbecilidade no que concerne a bíblia e a teologia do antigo testamento. E também, que as mulheres cristãs heterossexuais que aplaudem tal atitude devem seguir as escrituras se submetendo aos seus maridos nos caprichos de suas vontades, submissas aos mesmos, cumprindo a glória de Deus! Mediante isso, acho que vou arrumar uma mulher para mim... Estou precisando de alguém que lave minhas cuecas.

Comentários

  1. E TÁ ERRADO??? DEUS CRIOU SOMENTE """"MACHO"""" E """"FEMEA""""

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  2. ,.....denunciou, falo, falou, citou..enrolou....e nada provou! O sexo entre dois homens e sexo entre duas mulheres, foge a natureza da reprodução e da criação de macho e fêmea para os fins ao qual fomos criados.

    Toma vergonha e não fique buscando explicações bíblicas para seu pecado, assuma-o, peça perdão e se concerte.

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    Respostas
    1. Não iria nem publicar sua indignação, aqui, afinal, você deveria aprender ler as regras antes de postar sua mensagem!

      Entretanto, o seu ridículo argumentativo é tamanho, que não perderia a chance de vê-lo exposto, por si mesmo... Pena que você não se identificou, talvez por saber o quão babaca e idiota é você, o quão pequeno e mesquinho é seu raciocínio. O sexo não foge a nada a que ele é proposto, na natureza, para os seres sexuados: descarregar a pressão, a libido. Sexo para reprodução é uma ficção criada dentro da igreja, para tipinhos, como você, acreditarem e viverem manipulados, submissos e dementes.

      Mandaria você ler o artigo de novo para ver se consegue compreender o argumento, mas, nesse caso, acho que sua demência vai prejudicar a compreensão que macho é igual a fêmea na criação, sem ordem metafísica de grandeza ou submissão. Deus cria a humanidade (adamh) macho e fêmea como IMAGEM E SEMELHANÇA DE SI MESMO, sem que um seja superior ao outro, quer que eu desenhe? RETARDO!

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