Arquidiocese BH: Padre flagrado fazendo sexo oral alega ser inocente

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Fonte: O TEMPO

Após ter imagens em que foi flagrado fazendo sexo oral com um homem, em um lugar que parece ser a casa paroquial da Igreja Matriz de São Gonçalo, em Contagem, o padre Paulo Eustáquio Cerceau Ibrahim alegou inocência. Por telefone, ele conversou com a reportagem, mas, em obediência à Arquidiocese de Belo Horizonte, preferiu não repercutir a polêmica.

As imagens de parte da gravação, onde ocorria a prática sexual, foram publicadas ontem, com exclusividade, por O TEMPO. As cenas, gravadas pelo rapaz que estava na companhia do pároco, teriam sido registradas de uma câmera escondida em um relógio de pulso. O objetivo, segundo pessoas ligadas à comunidade, seria denegrir a imagem do religioso. O flagrante teria sido encomendado por outro padre, com quem Paulo teria uma rixa. Por causa da gravação, o padre Paulo pode sofrer punições.

Isso se a cúpula da Igreja Católica levar em consideração o documento chamado Critérios e Discernimentos com Relação às Pessoas com Tendência Sexuais em Vista de sua Admissão ao Seminário, da Santa Sé, de 31 de agosto de 2005.

O documento, que determina critérios para que uma pessoa viva o sacerdócio, diz que indivíduos com tendências homossexuais enraizadas não são permitidos no seminário e também não podem ser padres. Ontem, a assessoria de comunicação da Arquidiocese de Belo Horizonte informou que a direção da entidade da qual faz parte o bispo a quem o padre era subordinado está avaliando a situação.

De acordo com o padre Reginaldo de Lima, assessor da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a regra da Santa Sé distingue homossexualidade de homossexualismo. O primeiro é o desejo de se manter uma relação com alguém do mesmo sexo. Já o segundo é a prática carnal da relação.

"Se uma pessoa deseja, mas não efetiva uma relação sexual até três anos antes da ordenação, é possível que seja ordenada. Há casos em que durante o seminário isso não se manifestou, e, depois de padre, há a prática homossexual. Nesse caso, a pessoa é convidada a rever a postura e, se não consegue, é pedido que se afaste do ministério", explicou.

O padre Reginaldo disse que, se afastado, Paulo não poderá mais celebrar missas, receber confissões e realizar o batismo. No entanto, o religioso poderia continuar a frequentar a Igreja. Segundo ele, essa regra vale para qualquer pároco, incluindo aqueles que têm orientação heterossexual. "A decisão sobre uma punição é do bispo."

MINI ENTREVISTA COM

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Cenas onde o padre aparece fazendo sexo oral podem ter sido armadas por vingança

Paulo Ibrahim

"Não posso falar em respeito à hierarquia"

O que o senhor tem a dizer sobre o vídeo que o mostra mantendo relações sexuais com um rapaz?
Tenho consciência da minha inocência, mas não posso falar sobre isso, em respeito à hierarquia existente na arquidiocese. Pertenço a uma instituição e devo obediência. Só posso me manifestar se for autorizado, mas sou inocente.

Como o senhor soube da divulgação das imagens?
Eu estava em uma viagem a Mariana. Estava na casa da minha família, cuidando do meu pai, que está enfermo. Hoje (ontem) voltei a Contagem para resolver algumas questões ligadas à paróquia e, então, me contaram sobre a notícia. Eu devo voltar nos próximos dias para o interior.

Como o senhor encara a possibilidade de uma transferência ou até mesmo de uma punição?
Não temo pelo que vai acontecer. Estou muito tranquilo, mas aconteça o que acontecer, quero sair de cabeça erguida.

"Esse rigor não se aplica às relações hetero" diz ativista Luiz Mott

Para o ex-seminarista e presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), Luiz Mott, uma possível punição severa ao padre Paulo Ibrahim refletiria "a homofobia existente na Igreja Católica Romana". Segundo o ativista, líder de uma das organizações mais engajadas no assunto do país, a postura de repressão passou a ser tomada pela Igreja principalmente após escândalos envolvendo suspeita de pedofilia.

"O mesmo rigor não se aplica a padres que têm relações heterossexuais, embora a queda do celibato, em termos de ideologia e moral, tenha a mesma gravidade e seja considerada igualmente um pecado", afirmou o ativista.

Mott entende que, cada vez mais, a Igreja Católica tem se mostrado "intolerante", ao não aceitar seminaristas ou noviços com aparente orientação homossexual, no "entendimento equivocado" de que isso evitaria novos escândalos e "limparia" os padres do estigma da pedofilia. Segundo Mott, o celibato eclesiástico se tornou tradição porque a Igreja Católica não queria que os padres tivessem herdeiros e fossem obrigados a deixar seus bens para estes.

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