Abusos na Afonso Pena opõem PM a moradores

Flávia Ayer -

Thobias Almeida - Estado de Minas

Publicação: 04/03/2011 06:25 Atualização: 04/03/2011 07:32

A Polícia Militar trata o assassinato de um travesti, na madrugada de quarta-feira, em plena Rua Piauí, na esquina com a Avenida Afonso Pena, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, como um fato pontual, em uma interpretação que evidencia o descompasso entre ação policial e sentimento da comunidade de uma das áreas mais nobres da capital. Enquanto moradores sentem-se ilhados nas próprias casas – de onde relatam testemunhar cenas de sexo, brigas, tráfico de drogas e afronta às leis do silêncio e de trânsito – no chamado Alto da Afonso Pena, trecho entre a Avenida Brasil e a Praça do Papa, no Bairro Mangabeiras, a PM garante que a região não é violenta. Mesmo assim, em resposta à execução do travesti, o comando da corporação prometeu intensificar, a partir da noite de quinta-feira, o policiamento na avenida. O reforço, porém, se limita a uma viatura, além das naturalmente estariam empenhadas no patrulhamento da área.

O presidente da União das Associações de Bairro da Zona Sul, Marcelo Marinho Franco, queixa-se de que ações ocasionais da PM não resolvem o problema. “Quando para, volta tudo. Essas medidas têm que ser permanentes. Os moradores estão com medo, afinal, veem tiroteio e tráfico de drogas na porta de casa. Pagamos um dos IPTUs mais caros da cidade e é essa a qualidade de vida que temos”, afirma Franco, que, apesar da crítica, ainda confia no comando da polícia.

Morador das imediações da Avenida Afonso Pena, o assessor jurídico Reinaldo Matta Machado avalia a estratégia que tem sido adotada pela PM como insuficiente para coibir a rotina de atentado ao pudor, tráfico e outros delitos. “Vejo a polícia subindo e descendo a avenida, mas não observo operações que abordem as garotas de programa. Geralmente é só um carro, o que não é suficiente”, critica. Obrigado a instalar câmeras e refletores para coibir os programas em frente ao prédio onde mora, ele revela que a população se sente temerosa em denunciar. “Até porque, entre os que frequentam esse mercado, há pessoas muito influentes”, sustenta.

A indignação em relação às madrugadas sem lei na Afonso Pena levou moradores a divulgar carta aberta, em que relatam a rotina com que convivem. No texto, pedem ação mais enérgica por parte da polícia, além da instalação de câmeras do sistema Olho Vivo da PM (veja trechos abaixo) para coibir os crimes. Embora não apresente estatísticas, a PM garante que não há aumento da criminalidade na Zona Sul de BH e assegura que a morte do travesti Gustavo Brandão de Aguilar, de 22 anos, é fato isolado. “Estamos atuando ali e a área é tranquila. Não há disputa ou briga por pontos de tráfico”, alega o tenente-coronel Márcio Cassavari, comandante do 1º Batalhão da PM.

O oficial debita na conta de Fernando Túlio Miranda Lages, de 24 anos, o Pimpolho, um dos acusados de assassinar o travesti, todos os distúrbios graves que ocorreram nos últimos meses ao longo da avenida, cenário de três homicídios desde setembro do ano passado. “Ele é suspeito de todos os homicídios que aconteceram ali”, sustenta o tenente-coronel. De acordo com a Polícia Civil, que investiga a execução ocorrida quarta-feira e suspeita de que ela tenha relação com o tráfico de drogas, a Justiça deferiu quinta-feira pedido de prisão preventiva de Pimpolho.

O tenente-coronel Cassavari também anunciou medidas com o objetivo de dissipar o que a PM classifica como “sensação de insegurança”, permitindo que os moradores voltem a ter tranquilidade. “A partir das 21h de hoje (ontem) já teremos uma viatura exclusiva na Afonso Pena, somente para o trabalho de prevenção”, adianta o tenente-coronel. Ele garante que motoristas de todos os carros que trafeguem em busca de programas na avenida serão parados e cadastrados, além do risco de ser multados, em caso de infrações de trânsito. Sobre a questão do tráfico de drogas, o comandante diz que apenas os criminosos pegos em flagrante são de responsabilidade da PM e que a Polícia Civil é a responsável pela investigação e o desmantelamento da suposta rede montada ao longo da avenida.


Desconfiança

O discurso não convence quem convive diariamente com o problema e alimenta desconfiança em relação à ação da PM. As cenas de atentado ao pudor em frente ao lugar em que morava, na Rua Inconfidentes, levaram a cabeleireira Sinaia Veiga Pereira, de 34 anos, a mudar de apartamento. A gota d’água foi quando flagrou três homens em cenas de sexo em frente ao prédio. No trabalho, Sinaia, dona de um salão na Afonso Pena, também teve que tomar providências. “Precisei instalar uma grade, porque todo dia era muita sujeira na escada do salão. Tinha que limpar urina, fezes e camisinhas todos os dias”, conta a cabeleireira, que não vê policiamento eficaz da área. Relatos de vários moradores dão conta de que não é raro ver viaturas paradas na avenida e policiais conversando com as prostitutas.
Há mais de 18 anos com comércio da Afonso

Pena e cansado da baderna noturna, o empresário Vinícius Baeza, de 35, critica a ação da polícia. “Já assinei mais de 18 abaixo-assinados e nunca se resolveu nada. É impressionante. Fica a impressão de que fazem vista grossa. Já cansei de chegar à loja e encontrar vidros com restos de cocaína aqui”, afirma, observando que a relação entre mercado do sexo e tráfico de droga é íntima. “Para aguentar essa vida, tem que estar envolvido com droga mesmo.”

Fonte: EM

Renato Hoffmann comenta:

afp

Bem, essa matéria no Estado de Minas é muito oportunista e curiosa também! O foco da questão não é o tráfico de drogas, mesmo em que ele apareça travestido na reportagem. O foco é a prostituição no “ALTO DA AFONSO PENA”.

A Avenida Afonso Pena em Belo Horizonte é similar à Paulista em São Paulo, e no alto da Avenida, nas proximidades do Bairro Mangabeiras, ficam os travestis e mais a baixo, um pouco, as garotas de programa. O bairro Mangabeiras é bairro de mansões, constituindo um dos pedaços de terra mais caro das alterosas. O tráfico de drogas ali, de fato, nunca foi uma questão que trouxe insegurança a nenhum morador, pois vivem em fortalezas, cercados de seguranças e vigilantes particulares, a saber, trata-se da alta cúpula belorizontina. Eles não saem às ruas para um passeio normal, mesmo que a polícia montasse em cada esquina um posto com 5 policiais, ainda sim, eles não sairiam, pois não faz parte do modus vivendi deles!

Agora, independente do tráfico, o que incomoda a qualquer morador do “ALTO DA AFONSO PENA” são os profissionais do sexo. A hipocrisia e a religiosidade moralista do mineiro fazem com que esse tipo de grupo social seja mal visto entre qualquer morador da cidade. E essas lutas para a retirada deles dos famosos pontos de prostituição são antigas, e do Alto da Afonso Pena chega até ao bairro de Lourdes (zona Sul), nas ruas Aimorés, Shopping Diamond Mall, etc. sem com que a presença de drogados e qualquer outro grupo sejam, de fato, a verdadeira dor de cabeça para quem mora na região. Até mesmo, pois muitos dos usuários de drogas, e até traficantes, moram na própria zona sul.

O Estado de Minas geralmente faz algumas matérias intrigantes e totalmente pró- causa de grupos dominantes sem olhar para o contexto real da situação. Não é a primeira vez que me deparo com matérias assim do jornal, basta ver uma que o noticiário fez sobre os moradores de rua, com o mesmo argumento de violência e tráfico e que questionei a postura do veiculo de imprensa em meu blog (clique aqui para ler).

Eu penso ser isso muito lamentável, gostaria de ter uma reportagem, de fato, investigativa que mostrasse a realidade de ambos os lados e não somente do lado mais abastado da situação.

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