Com renda alta e sem filhos para criar, homossexuais fazem economia girar

Cristiane Bonfanti

Fonte: Jornal Estado de Minas

20110327091447657622i O empresário e maquiador Fábio Martins desembolsa R$ 2 mil por mês com roupas: "Sempre gastei conforme minha renda"

Geralmente sem filhos, com renda elevada e sem as despesas tradicionais das famílias, os gays têm mais tempo e dinheiro para gastar com produtos e serviços. Eles fazem parte de um grupo que está em busca, quase sempre, de produtos diferenciados e de qualidade. E compram, geralmente, mais que o restante da população. A depender do segmento, gastam o dobro da média dos consumidores. O mercado voltado para esse público nunca esteve tão aquecido. Com mais reconhecimento na sociedade, os homossexuais estão conquistando o seu espaço na economia e fazendo a roda do consumo girar.

Para especialistas, as empresas que não ficarem atentas perderão a oportunidade de alavancar seus negócios. Douglas Drumond, presidente da Câmara do Comércio GLS do Brasil, garante que há um potencial enorme a ser explorado no Brasil. “Precisamos de um mercado que entenda o que o público gay quer. Ele busca respeito, atenção e qualidade. Na Europa e nos Estados Unidos, existem hotéis, restaurantes e boates com conceito diferenciado”, exemplifica. Proprietário da casa noturna Clube 269, Drumond calcula que o movimento no lugar cresceu, só neste ano, 25% em relação a 2010.

O setor de turismo é um dos que revela a pujança desse mercado. Presidente da Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e Simpatizantes (Abrat-GLS), Almir Nascimento lembra que a Parada Gay de São Paulo é um dos principais termômetros do setor. Em 2010, foram 403 mil visitantes na cidade. Eles gastaram R$ 188 milhões com hospedagem, alimentação, entretenimento, transporte e compras.

Agora, o país vai se preparar para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, eventos que atrairão todo tipo de público. “Em outubro do ano passado, assinamos um acordo de cooperação com o governo para tornar o Brasil um destino GLS mundial. Vamos começar a capacitar trabalhadores de áreas como transporte, alimentação e hotelaria em 14 estados para receber essas pessoas”, diz Nascimento.

Comida boa

Há empresas de olho nesse filão. Criada em 2006, a Agência de Turismo Friendly é voltada exclusivamente para o público gay. “Estudamos o roteiro turístico em

Alice Mesquita, do restaurante Alice:

Alice Mesquita, do restaurante Alice: "Eles são exigentes"

países como a Espanha e vimos que, no exterior, há uma segmentação para esse mercado, com hotéis, restaurantes e festas específicas. O nosso diferencial é o atendimento. Aqui, as pessoas ficam à vontade para dizer que vão viajar com o namorado ou a namorada do mesmo sexo”, relata o proprietário, Roberto Dunkel.

O empresário, maquiador e fotógrafo Fábio Fernando Mendes Martins, 32 anos, ilustra bem a disposição do público gay para consumir. Ele desembolsa entre R$ 20 mil e R$ 25 mil por ano com viagens nacionais e internacionais.

Mensalmente, são cerca de R$ 3 mil com restaurantes e festas e algo perto de R$ 2 mil com roupas. “Eu sempre gastei proporcionalmente à minha renda. A diferença é que, hoje, uso meu dinheiro com mais qualidade, pois há mais empresas preparadas para nos atender. Como não temos filhos, sobram recursos para outras despesas”, admite Fábio.

Para os que desejam restaurantes exclusivos, por exemplo, Brasília ainda não tem muitas opções. Mas há lugares que se destacam pelo bom atendimento. O Alice Brasserie, no Lago Sul, ficou conhecido pelo ambiente descontraído ao longo dos seus 15 anos de existência. “Quando inauguramos a casa, tínhamos garçons gays que ajudaram a atrair esse público e, desde então, houve essa identificação. Eles são exigentes, bem-humorados, sabem o que estão comendo”, conta a proprietária, Alice Mesquita.


Bancos querem as contas recheadas

O mercado financeiro ainda não explorou todo o potencial dos clientes gays. Mas já começou a criar produtos que se encaixam no perfil dos casais homossexuais. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú Unibanco e Santander, por exemplo, oferecem a opção de composição de renda para casais do mesmo sexo para o financiamento imobiliário. As instituições prometem novidades para breve.

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