Policial "Don Juan" agora pede perdão

Em e-mail igual para as cinco, policial se diz arrependido e quer virar evangélico

Publicado no Jornal OTEMPO em 23/03/2011

DOUGLAS COUTO

Praça Duque de Caxias, Santa Tereza-BH/MGst 

Ele se diz arrependido e disposto a reparar o "erro". O policial militar acusado de, mesmo casado, manter relacionamentos amorosos simultâneos com cinco mulheres e ainda dar um golpe financeiro em duas delas, agora busca o perdão. Depois de ter sido desmascarado pelas amantes, que decidiram processá-lo por danos morais e materiais, o militar Gilberto Lima Tregelas, o cabo Lima, 46, lotado no Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam), em Belo Horizonte, voltou a ligar ontem para elas, insistindo no perdão. Duas das mulheres traídas confirmaram que falaram com o agora ex-namorado, por telefone. Elas, no entanto, disseram que não aceitaram os pedidos de desculpas.

O cabo Lima também falou à reportagem de O TEMPO e disse que está pronto para se pronunciar na Justiça, caso seja processado. "Eu não tenho que confirmar ou negar nada. Se for o caso de falar, daqui para frente, só falo para um juiz. Se tiver que me retratar a alguém, farei isso direto com quem de direito", afirmou. Em seguida, não atendeu mais as ligações.

Por e-mail, o militar fez um apelo emocionado às antigas companheiras. Como das outras vezes, usou o mesmo texto para todas. Ele disse estar buscando no "entendimento religioso" a melhor compreensão para o que aconteceu e falou que vai virar evangélico. "Vocês não sabem o que tenho passado no meu interior de tanta vergonha. Eu era prepotente e achava que tudo era da forma como eu queria, mas aprendi que nada nesse mundo é como a gente quer. Estou, humildemente, me redimindo", escreveu.

A reportagem esteve ontem na casa do policial, no bairro Santa Tereza, região Leste da capital, mas nem ele e nem a mulher oficial foram encontrados.

A descoberta da farsa do "Don Juan" aconteceu por acaso, há menos de duas semanas, quando uma das mulheres encontrou no celular do cabo Lima cópias idênticas das mensagens de amor que ela havia recebido e que foram enviadas a outras quatro mulheres. Indignada, a mulher, uma executiva de 23 anos, procurou as rivais que, juntas, desmascararam o policial. Elas, no entanto, foram surpreendidas por uma nova descoberta. O galanteador é casado.

Da mulher oficial elas ouviram que "não eram as primeiras, nem seriam as últimas".

Ontem, a jovem que denunciou a farsa contou que está com medo. "As pessoas estão me alertando para que eu tome bastante cuidado. Ele (cabo Lima) me ligou, disse que viu o jornal, foi muito frio ao telefone. Estou aterrorizada".

Decepção

"Ele é um assassino de sonhos",  diz uma vítima

"Ele é um assassino de sonho. Destruiu a minha vida". O desabafo é de uma enfermeira, de 39 anos, uma das cinco mulheres que caiu na lábia do policial militar. Após seis anos enganada pelo "Don Juan", ela diz estar convivendo agora com a dor da decepção.


"Isso aconteceu justo comigo, que sou divorciada e tenho horror a homem casado. É triste a decepção, mas serviu para mostrar que a gente não conhece as pessoas. Acabei me entregando a um desconhecido", disse.

Ela contou que ao longo da relação chegou a contrair empréstimos para o então namorado. Os valores ela não quis divulgar, mas disse que cabo Lima ainda a deve algumas prestações. "Que isso nos sirva de experiência", disse.
O caso da enfermeira e do policial começou em 2005. Assim como as outras quatro mulheres, ela se lembra que se rendeu aos galanteios do conquistador. "Acho até que foi o melhor romance da minha vida. Ele era um homem incrível, carinhoso. Não tinha como desconfiar de nada".

No batalhão, todos querem saber quem é o galanteador

A história do militar "Don Juan", contada com exclusividade por O TEMPO, dominou ontem as rodas de conversa entre os colegas de farda. Na sede do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam), em Belo Horizonte, onde o cabo Lima é lotado, os policiais queriam saber quem era o colega de farda acusado de dar o golpe amoroso nas mulheres.

"Não se fala em outra coisa por aqui. O pessoal quer saber quem é esse militar. É um apontando para outro. Ficou até engraçado", disse um soldado, que pediu para não ser identificado.

Apesar da repercussão do caso, que agora poderá ganhar novos capítulos nos tribunais, a corporação, por enquanto, disse que não irá se manifestar oficialmente. "É um caso pessoal e não profissional", alegou a assessoria da corporação. (DC)

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