sábado, junho 11, 2011

Reforma Protestante II


As figuras dos reis, a formação do Sacro Império Romano- Germânico (I)


Uma das coisas que percebi, quando, por duas vezes, lecionei a disciplina Teologia Reformada, foi que os alunos ficavam perdidos com as questões das figuras dos reis e do próprio Sacro Império Romano-Germânico . O que, de fato, causa certa dificuldade nas questões da Reforma em Genebra (com Calvino) e na Inglaterra (com Henrique VIII), uma vez que, os reis, que não surgem do nada, serão trabalhados, na Reforma, em termos de domínio e justificação de teses de uma realeza absolutista: Deus é soberano e o rei é seu representante na terra, contrariando as questões papistas. Ainda, Calvino não falará de um absolutismo ilimitado às autoridades civis, ensinando, inclusive, à desobediência quando essas autoridades agirem com injustiça (entretanto justifica o absolutismo reformado, uma vez que governo injusto é governo católico).

Assim, vamos olhar para o século V, a queda do Império Romano Ocidental se deu por três fatores básicos: o enfraquecimento do exército, o enfraquecimento da produção agrícola, as invasões bárbaras: A agricultura entrou em crise por falta de mão de obra devido ao declínio do escravismo, pois a velha fórmula romana baseada na conquista de terras e escravos esgotou-se, na mesma medida que se esgotou a expansão romana.

Começaram então as investidas dos bárbaros contra o Império, os quais terminaram por invadir sua parte ocidental e ocupar Roma.

Para combater tais investidas, o Império centralizou o poder e aumentou cada vez mais os impostos, despertando o ódio de vastas camadas da população, que passaram a ver o Estado como seu inimigo.

O Estado, na verdade passou a representar os interesses dos grandes latifundiários, fomentando o aumento da importância das zonas rurais sobre as urbanas.

Como se tudo isto não bastasse, a cidadania romana perdeu sua importância, a diferença entre homens livres e escravos passou a ser meramente teórica, pois passou a vigorar, pouco a pouco, um sistema coercivo de prestação de trabalho, pagamento de impostos e hereditariedade profissional.

Esses bárbaros que invadiram o Império trouxeram sua forma de governo, uma vez que as figuras dos reis se dão, necessariamente, com eles. Entretanto influenciada pelos próprios romanos. Nas tribos bárbaras as terras eram anualmente redistribuídas, e a riqueza não era quantificada pela posse da terra, e sim pela quantidade de rebanho de cada clã, mas essas terras eram redistribuídas o que mantinha certa igualdade entre eles, e o sistema era praticamente matriarcal, em tempos de paz não havia a figura do rei.

Com a proximidade do Império Romano, os bárbaros começaram a vender o gado e capturar pessoas de tribos mais fracas a fim de comércio, como escravos, para os romanos. Logo, a redistribuição de terra, entre os germânicos, tornou-se cada vez menos frequente até extinguir-se completamente, contribuindo para a formação de uma aristocracia hereditária, com fortuna acumulada, que passou a compor um conselho permanente com poder estratégico na tribo.

Assim à época que invadiram o Império já eram constituídos hereditariamente da seguinte forma: Vivendo em comunidades tribais - cuja principal unidade era a Família. A reunião de famílias constituía um Clã e o agrupamento de clãs formava a Tribo. A instituição política mais importante dos povos germânicos era a Assembleia de Guerreiros, responsável por todas as decisões importantes e chefiadas por um rei ( rei que era indicado pela Assembleia e que, por isto mesmo, controlava o seu poder ). Os jovens guerreiros se uniam -em tempos de guerra -a um chefe militar por laços de fidelidade, o chamado Comitatus.

A sociedade germânica era assim composta:

-Nobreza: formada pelos líderes políticos e grandes

proprietários de terras;

-Homens-livres: pequenos proprietários e guerreiros que participavam da Assembleia;

-Homens não-livres: os vencidos em guerras que viviam sob o regime de servidão e presos à terra e os escravos - grupo formado pelos prisioneiros de guerra.

No século V, século da invasão bárbara a Roma, o Reino Franco, sob a dinastia Merovíngia conseguiu unir as tribos em torno de um rei, Clóvis (neto de Meroveu, um rei lendário que dá nome a dinastia). Em seu reinado houve uma expansão territorial e a conversão dos Francos ao cristianismo. Os Francos que passaram a receber apoio da Igreja Católica, que teve seu número de adeptos aumentado, e contou com o apoio militar dos Francos.

Começava, assim, a formar-se as bases para o Sacro Império Romano-Germânico, que terá seu Imperador coroado pelo Papa na dinastia Carolíngia.

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