No tempo do curta-metragem

Publicado no Jornal OTEMPO 






Foi-se, de fato, a época em que os curtas-metragens estavam restritos a uma espécie de periferia da produção cinematográfica. Mesmo que boa parte das locadoras de filmes e salas comerciais de cinema ainda tragam o longa-metragem como formato soberano, é cada vez mais numerosa e mais qualificada a produção de curtas-metragens em todo o mundo, como comprova o impressionante número de 2.635 trabalhos recebidos pela organização do 13º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte, evento que começa hoje e segue até o próximo dia 23.

"Ao contrário do que acontecia nas primeiras edições, em que alguns trabalhos medianos eventualmente compunham a programação, o que temos hoje é a possibilidade de criar sessões e mostras inteiras apenas com filmes realmente bons", observa Daniel Queiroz, diretor artístico e coordenador geral do evento.

Selecionados a partir das centenas de trabalhos recebidos pelo festival, 125 trabalhos produzidos nos mais diversos cantos do mundo foram divididos, como já é tradição no evento, entre três mostras competitivas e seis programas temáticos.

Mostras competitivas. Carros-chefes do evento, as mostras competitivas apresentam, na visão de Queiroz, o panorama extremamente diversificado que caracteriza a atual produção em curta-metragem, seja em termos mundiais, nacionais ou ainda estaduais.

"É bastante difícil falar em tendências, dada a pluralidade da produção contemporânea no que se refere a gêneros, temáticas e propostas. Cada vez mais, o trabalho das comissões tem se tornado deixar-se impactar por cada um dos filmes individualmente, sejam eles ficções narrativas ou trabalhos experimentais", defende.

Ainda que não possam ser apontadas como tendências, Queiroz indica certas características que podem ser observadas em alguns dos filmes recebidos e selecionados pelo festival.
"Chama atenção, por exemplo, a presença de filme ligados à juventude, tratando por meio de protagonistas jovens, questões que certamente ultrapassam esse universo", destaca o diretor artístico.

"Entre os filmes europeus, por outro lado, percebe-se um grande interesse por temáticas relacionadas a imigrantes, refugiados e fronteiras", observa.

No que toca à seleção nacional de curtas-metragens, ele destaca um claro amadurecimento da produção, assim como uma considerável diversidade entre os perfis de autores interessados na realização de trabalhos de curta duração.

"Ao mesmo tempo em que o festival reúne obras de realizadores mais experientes, Rodrigo Grota, Daniel Lisboa, Sérgio Oliveira e Juliana Rojas, há filmes excepcionais dirigidos por autores estreantes, como Vítor Furtado e Gabriela Amaral - que estreia, inclusive, com dois trabalhos", exemplifica.

Contando pela primeira vez com uma mostra competitiva exclusiva, a produção mineira surge, na visão de Queiroz, em pé de igualdade com o que, de melhor, se produz no país.

"Assim como se vê no Ceará e em Pernambuco, a produção de Minas Gerais tem alcançado um amplo reconhecimento nacional e internacional, e, diante desse cenário ascendente, chegou a hora do festival fazer suas escolhas", diz.

Agenda

O que. 13º Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte
Quando. De hoje a 23 de outubro
Onde. Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, Centro)
Quanto. Entrada gratuita (ingressos distribuídos 15 minutos antes de cada sessão)


Minas
Treze curtas-metragens foram selecionados para a Mostra Competitiva Minas, dentre os quais "Luruskan", de Joacélio Batista (à esq.), "A Boate Azul", de Cássio Pereira dos Santos (acima) e "Dona Sônia Pediu uma Arma para Seu Vizinho Alcides", de Gabriel Martins (à dir.). Além deles: "Antes Pássaro, Agora Peixe", de Ana Moravi e Dellani Lima; "E Depois do Começo", de Cristiane Ventura; "Filme Pornografizme", de Leo Pyrata; "Contagem", de Maurílio Martins e Gabriel Martins; "O Céu no Andar de Baixo", de Leonardo Cata Preta; "Cajaíba", de João Borges; "Cineastas do Apocalipse", de Ayron Borsari; "Não Há Cadeiras" de Pedro di Lorenzo; "La Lira de Maurilia", de Alonso Pafyeze; e "A Poeira e o Vento", de Marcos Pimentel.

FESTIVAL DE CURTAS DE BH
Momento de ganhar repertório e visibilidade
Daniel Toledo
Além de contribuir para a ampliação do repertório do público e dos realizadores da cidade, o Festival Internacional de Curtas oferece, na visão de Daniel Queiroz, uma importante oportunidade para que os mesmos realizadores estendam o alcance de suas criações.

"Nesse sentido, é importante destacar que contamos com a presença de curadores de eventos internacionais de peso, que representam os festivais de Oberhausen (Alemanha), Veneza (Itália) e IndieLisboa (Portugal). Com isso, além de fomentarmos o intercâmbio do festival com outros grandes eventos, esperamos contribuir para a circulação da produção brasileira e mineira nesses circuito", afirma o diretor artístico do evento.

No que toca o movimento centrípeto do festival, um dos principais destaques desse ano corresponde à presença do realizador e pesquisador francês Yann Beauvais, que, além de trazer alguns de seus trabalhos autorais, assina a curadoria da mostra "Cinema Para Pensar", voltada ao campo do cinema experimental.

"No festival do ano passado, ele realizou um seminário e percebeu que havia, por aqui, um grande interesse e um grande desconhecimento em relação à tradição do cinema experimental. Pensando nisso, fizemos um convite para que ele voltasse neste ano e demos carta branca para que ele trouxesse uma seleção de filmes que representassem essa tradição, com destaque para os produzidos ao longo das décadas de 1960 e 1970", explica Queiroz, que aposta nos comentários de Beauvais como uma forma de aproximar o público local dessa rara produção.

Serão esses, aliás, os únicos trabalhos incluídos na programação do festival e realizados antes de 2010. Todos os demais curtas-metragens, seja nas mostras competitivas ou especiais, foram finalizados ao longo dos últimos dois anos e passaram pelo crivo de diferentes comissões de seleção.

Enquadram-se nessas condições, portanto, os trabalhos que integram as mostras Animação e Movimentos do Mundo (que trazem exclusivamente filmes internacionais), Doc Brasil e Maldita (com produções nacionais), e, por fim, as mostras Infantil e Juvenil – sendo esta última estreante na história do festival.

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