domingo, 12 de agosto de 2012

Seria Raí homofóbico?


Um assunto delicado, diria eu: “por demais!”, obviamente que os matizes envoltos nessa questão vão para muito além de uma primeira taxatividade:  é homofóbico!


Ainda, não se pode esperar parcimônia, no caso, de quem sofre a acusação, até mesmo, pelo direito de indignação à violação da privacidade.

Claro que o assunto rendeu, aliás, se alguém disser gay, sempre rende! Isso pelo fato da homossexualidade ser tabu e, em si mesma, ser carregada de preconceitos construídos ao longo da história, em particular, história do judaísmo e cristianismo.

Desta feita, dizer-se gay não é lá uma coisa muito simples... Só de pensar que foi em 1992 (histórico recentíssimo), que a Organização Mundial de Saúde deixou de considerar os gays como portadores de doenças ou distúrbios patológicos, nos ajuda vislumbrar o quão difícil e complexa são tais questões. Ainda, nesse mesmo sentido, toda construção social de mais de dois mil anos de história, em que os homossexuais são perseguidos pela Igreja  como corruptos, depravados, criminosos, sujos, pecadores, desonrados, blasfemos, vem fazendo, de tais conceitos, o parâmetro medidor e mediador da aceitabilidade e rejeições internas no corpo social.

Assim, por questões próprias também, digo: ninguém gosta de ser chamado de gay! E isso por quê?

Lembro-me, quando liguei para o João Marinho, em uma quinta-feira, provavelmente na hora do almoço (história recente essa, salvo engano, ano passado!), pois no clube que eu frequento, em uma discussão acalorada, fui chamado de gay e fiquei extremamente abafado e angustiado. Duas coisas a se considerar: 1) eu sou gay mesmo; 2) ser nomenclaturado por alguém, que usa do artifício social de rejeição, desse grupo societário, para expor o outro ao ridículo, ou invadir questões de foro íntimo e pessoal não é sensato, licito ou moral!

Voltemos, então, para o Raí:

Em uma bela manhã, Raí acorda e se depara com a notícia, via jornais: Bomba! Jogador Raí assume romance gay com apresentador da Globo, ou ainda, com amigos que ligam e o indagam: “e aí Raí, pegando o Zeca Camargo, hein, quem diria, por que você não falou nada para gente antes?

Deve ser bastante confortável tal questão, da noite para o dia você ter sua vida exposta de forma pejorativa, pois a homossexualidade, gostem ou não, no meio social, é símbolo de preconceitos e tabus fortíssimos; símbolo de rejeição e chacotas;  símbolo de ignomínia e perversão e, de repente, agora nem mais cobrar uma postura responsável e honesta, de quem fez o que fez, é algo viável ou possível, pois alguns militantes consideram que uma reação de indignação seja ela HOMOFOBIA!

Ao meu sentir, quem pensa assim, pensa precipitadamente... Quando uma prostituta é chamada de prostituta (por quem for), ela pode processar, inclusive, criminalmente por difamação a pessoa que lançou tal impropério. Perceba, mesmo ela sendo prostituta! Afinal, o termo prostituta usado com o intuito de desonrar alguém, ou atingir a intimidade sexual de alguém de forma vexatória é crime! Da mesma forma a questão de chamar alguém de gay, de homossexual, com o intuito de expor a condição intima de um cidadão de forma a desqualificá-lo diante da opinião pública.  

Não foi o Raí que inventou a rejeição social dos gays, nem foi ele que caçou confusão com os mesmos, pelo contrário, envolveram-no em uma situação surreal,  expuseram-no de forma acachapante em uma questão em que há dois mil anos ter seu nome associado a tal grupo traz constrangimentos mil, e só por isso, há milhões de gays pelo mundo vivendo no anonimato, na clandestinidade da orientação sexual, com medo de serem expostos e terem que enfrentar o preconceito, a rejeição, a humilhação de algo íntimo e PERSONALÍSSIMO, que não diz respeito a ninguém!

Portanto, NÃO, RAÍ NÃO É HOMOFÓBICO por processar ninguém, ele só faz uso de seu direito de não querer ter sua vida exposta, ou seu nome usado em questões em que ele não consente, independente de ser a noticia falsa ou verdadeira. É direito de Raí não querer esse tipo de assunto relacionado à sua pessoa, pelo direito pessoal, intransferível, irrevogável, íntimo, que só diz respeito a ele e a ninguém mais! 

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