22 de agosto de 2013



Celebração da vida




por João Marinho



... E aconteceu ontem. Exatamente às 6h30 da manhã, horário em que meu despertador costuma tocar me chamando para um novo dia de trabalho – malhação – estudar inglês (o que não tenho feito) – ver séries (o que tenho pouco feito) – ler livros – arrumar a casa – etc., etc., etc., eu fiz 35 anos de vida.

Tem um significado especial por ser uma comemoração “redonda”. Sabem como é: a gente “marca” as coisas de 5 em 5 ou de 10 em 10, de 20 em 20 e por aí vai...

Então, agora, aos 35 anos completos, estou exatamente na metade da terceira década de vida, lutando contra pelos brancos (até no peito, rsrsr), cabelos rareando e um pouco menos disposto do que quando eu tinha 25... Ou 15. Ah, sim, e cuidando mais da saúde por necessidade e também por esperar me tornar uma “maricona” apresentável daqui a mais alguns anos, hehehe.

Baladas que duram a noite toda? Passar noites em claro “freelando”, estudando e ter o pique para trabalhar e fazer hora extra? Dá mais não. Tem de rearranjar os horários para dar conta, e agora prefiro um cineminha com restaurante e dormir na minha cama quentinha, abraçado com meu namorado, uma boa noite de pelo menos 7 horas de sono – houve um tempo em que 6 me bastavam.

Em compensação, é legal saber que cheguei aqui me sentindo bem comigo mesmo, apesar dos pesares. Acho até que tô mais bonitinho do que quando eu era mais lolito e, se não, ao menos estou mais experiente, embora, verdade seja dita, eu não me sinta cognitivamente tããão diferente assim de quando eu tinha 18 anos. Ainda bem que tem quem discorde de mim nesse tópico...

Quando eu era evangélico e estava no segundo grau, fui levado a me perguntar por que comemoramos aniversários. Isso porque, na época, uma então conhecida minha se converteu às Testemunhas de Jeová e, embalada por sua doutrina, não viu mais necessidade de festejar a data.

Hoje, eu penso que eu seria uma testemunha de Jeová muito chinfrim. Isso porque convenci a mim mesmo que, diante de um mundo tão difícil – para todas as espécies, inclusive, já que a natureza é tão bela quanto incrivelmente cruel –, precisamos de algo que nos deixe felizes de vez em quando.

Pessoas morrem todos os dias, e todos sabemos que, cedo ou tarde, nossa hora chegará. Costuma ser uma certeza bastante angustiante para quem não vê nela uma forma de libertação, via suicídio – mas que mantém seu aspecto de angústia, uma vez que a pessoa que decide por tirar a própria vida não o faz sem senti-la.

Nós vivemos o luto por aqueles que se foram, lutamos para ficar por aqui mais tempo e tememos pelo derradeiro momento. Mesmo quem tem uma religião, porque, por mais que cada uma delas tenha sua versão sobre o pós-morte, a verdade é que ninguém tem uma certeza objetiva do que vem depois. SE vem depois. Algumas religiões mesmo ampliam o sofrimento, por condenar à danação eterna pessoas que, aqui, nos são caras.

Assim, comemorar o aniversário é uma forma de dizer, para o aniversariante, um “que bom”. “Que bom que você ainda está aqui, que pudemos passar esse tempo juntos – e eu espero que possamos passar mais um tempo assim”. É o oposto do luto. A resposta da vida perante a certeza da morte.

Não conheço pessoalmente ou intimamente todos que me escreveram aqui, mas quer seja o desejo e celebração dessa convivência físicos ou virtuais, é válido. Afinal, também nos aproximamos das pessoas pelas ideias, pelos escritos, pelas fotos e compartilhamos sentimentos e emoções afins.

Por isso, quero deixar aqui meu muito obrigado a todos que me escreveram, que me ligaram ontem ou me deram os parabéns pessoalmente. Tem de ser coletivo, porque foi um bocado de gente, hehehe, mas eu vi todas as mensagens e estejam certos de que as guardei no meu coração. Agradecimentos especialmente a meu namorado, meus amigos chegadinhos, minha família. Eu ainda estou aqui – e espero que o universo me ajude a ficar um bom tempo, pois não estou com pressa de partir.

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