CERTEZA DA SALVAÇÃO



Certeza da salvação foi uma pergunta feita no mural de recados, aqui, do blog. O leitor, que concede parte de seu tempo, ao ler esta postagem deve pensar ser essa uma pergunta simples, quotidiana, normal, e até, corriqueira. Essa é uma pergunta de caráter retórico, muito usada nos meios carismáticos, ou renovados, como desejam alguns. Entretanto, essa simples indagação tem um efeito teológico vasto e, não é uma questão, de princípio teológico, dar a ela um, indiferente, sim ou não como resposta.

A pessoa, que postou no nosso mural, conseguiu o efeito desejado com sua insinuação, pelo menos, assim, a lista de discussão do Grupo Gospel Gay interpretou. A polêmica foi lançada e, entre um sim, e um não, a melhor saída é refletir a teologia no momento histórico em que ela acontece:

A questão teológica, que está como pano de fundo, na Reforma do século XVI é a questão soterológica, o Sola Fides de Lutero ganhou as ruas européias, e deu a história do cristianismo um novo cisma, agora, o Protestante. A proposição, somente a Fé, modelou a nova forma de se compreender o estado salvífico dos filhos de Deus mediante a graça redentora, uma outra proposição do monge alemão, Sola Gratia. Não havia medianeiros entre o homem e a justiça do Cristo na cruz, não havia indulgências, não havia purgatório e nem bênçãos, que se colocassem em status de igualdade com a justificação do redentor pela fé na graça. O homem é declarado justo pelo sacrifício do Cristo no ato de fé, essa fé que vem Deus e nos reconcilia na graça. Mas, como você pode notar, a questão de estar certo disso, ou não, não estava em discussão com Lutero, e os outros pensadores, que vieram depois de Lutero.

No século XVII, o pastor luterano, Philipp Jacob Spener, que, em seu livro, Pia desideria (1675) traçou 6 aspirações, que deveriam fazer parte da vida do cristão, tocou no assunto salvação. Era o movimento PIETISTA ALEMÃO, que surgia em oposição à ortodoxia protestante, ou escolástica protestante, onde o aspecto teológico se mantinha distante da vida dos fiéis, agora, através do pietismo, o enfoque da PIA ou santidade será levado em conta, e dentro desse movimento está o 5º item dos 6, ou seja, o enfoque salvífico na pregação. Através dos morávios, essa fórmula ganhou os campos missionários pelo mundo e, chegou na Inglaterra, já no século XVIII, o século dos grandes avivamentos.

John Wesley, pai do metodismo, se viu atormentado por essa pergunta, ou por essa certeza. O seu contato com os morávios, o jogou em uma busca sem precedentes pela resposta da certeza. Wesley viajou o mundo, literalmente, tentando se encontrar. E, quando se encontrou, indagado pela pergunta: VOCÊ TEM CERTEZA DE SER UM SALVO? Sua resposta foi frustrante para quem acreditava ouvir um sim: em respeito à fé, para Wesley, era importante e necessária, para uma convicção do perdão presente (ou seja o sentir-se perdoado aqui e agora, nesse momento), mas em relação à salvação final, dizia ele, ser rara, e não deveria ser exigida ou esperada pelo cristão como um bem ou garantia. Um outro dado é que, em relação à salvação, os próprios pietistas alemães discordavam entre si, e um movimento do pietismo liderado por ZINZENDORF (morávio) dizia, categoricamente, que uma pessoa pode não estar segura de sua justificação, ainda que seja justificada. Isso pode gerar uma especulação, em que, a afirmativa do se estar certo da salvação estava mais ligada à mística pessoal, do que uma unanimidade dos movimentos de piedade.

Um movimento que varreu o solo da América do Norte no século XIX, o HOLINESS, fez a cortesia de introduzir o conceito de batismo no Espírito Santo com certeza de salvação, fora os apelos conversão, aqueles em que, o ouvinte na platéia é desafiado a levantar a mão e, aceitar a Jesus. Esse movimento invadiu o Brasil no meio pentecostal e renovado, e hoje essa pergunta:certo de ser salvo? Causa os mais variados efeitos psicológicos, fora que ela é retórica e marketeira, apenas para convencer o fiel e nada mais.

Enfim, por que digo isso? Como luterano que sou, essa pergunta direcionada a mim, ou a um outro luterano que confessa o catecismo, a resposta seria: IMPOSSÍVEL DE SE AFIRMAR QUALQUER RESPOSTA! Quem salva é Deus e, muito embora, eu possa me sentir salvo, agir como salvo, posso não estar salvo! A questão tem relações com a Soberania de Deus e a predestinação. Como, eu posso não me sentir salvo e ser perfeitamente salvo. Quem predestina é Deus, portanto essa é uma dúvida que ira acompanhar o luterano até o túmulo. Um exemplo disso, vem através de um outro reformador, que acreditava na predestinação, Ulrich Zuínglio, esse, afirmava ser os grandes filósofos: Platão, Sócrates e Aristóteles salvos, sem ao menos, terem conhecido a Cristo! É uma questão da soberania divina. A pergunta a uma pessoa, que acredita no livre-arbítrio, como Wesley, já foi discutida acima, não se deve cobrar uma segurança final de salvação do cristão, o que se tem é o alivio da culpa presente, o sentimento de estar no caminho correto. Caso fosse um universalista respondendo, ele diria, claro que tenho certeza da salvação, no final, todos irão ser salvos, esse negócio de inferno não existe.

Portanto, vai depender da confissão, e de como você encara a mística cristã. Não por ser um gay, que não se possa ter certeza ou tê-la! Esse assunto é bem mais complexo e pessoal do que se possa imaginar.

A todos um grande abraço, vivendo fraternalmente a esperança da vida eterna no Cristo, cordeiro pascal, que tira o pecado do mundo.

Renato Hoffmann

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