O espaço Gospel GLBT: espiritualidade que não é posse de instituições

Lembro uma vez, navegando pela internet, deparei-me com um fórum cristão que citava o Gospel Gay. Na ocasião havia achado curioso, talvez pelo conteúdo da crítica. Uma participante, da lista de discussões Gospel Gay, havia entrado no fórum em questão (não me recordo qual fórum específico para citá-lo com endereço e tudo mais), e divulgado uma pesquisa, que havia sido tema de debates na lista, e que falava dos PADRES terem tido envolvimentos afetivos com mulheres depois do sacerdócio.

Achei curiosa a crítica do rapaz, contra a menina que havia levantado a questão no fórum, pelo fato, de que, em momento algum ele havia se preocupado em verificar se a afirmação era procedente. No caso, tal pesquisa havia sido divulgada pela própria CNBB, mas, o rapaz dizia que não poderia ser levada a sério qualquer pesquisa que um site, um blog ou uma lista de discussões com o nome de Gospel Gay viesse vincular.

Muitas vezes, a lista de discussões Gospel Gay foi palco de debates acalorados. Nos tempos áureos circulavam, aproximadamente, 500 mensagens mês. E, muitas delas com conteúdos muito impressionantes. O problema estava na compreensão ontológica do ente gay e cristão em relação a fé e a Igreja. De um lado do pólo figuravam aqueles que achavam que os cristãos gays deveriam reproduzir a mentalidade exclusivista e querigmática, fundamentalista e carismática dos ciclos institucionais. Do outro lado, figuravam aqueles que pensavam um modo novo, ou um novo modelo para esse ente gay e cristão; esse modelo era livre, era desnudo, era radical e propunha rupturas com a instituição.

Entretanto, sempre percebia uma preocupação comum na Gospel GLBT. E esta se referia em não deixar que pensamentos como o do rapaz do fórum viessem ser por premissa. Seja de um lado ou do outro, todos estávamos lutando por dignidade e respeito. Em outras palavras; sim, algo vinculado na Gospel seria, sim, levado a sério, discutido, analisado e, não apenas descartado subitamente por um apelo tácito à autoridade e preconceitos. Esse posicionamento trouxe-nos maturidade, crescimento e amizades inúmeras. E despertou a vocação da lista de discussões (fundada pelo Marco Antônio) e deste blog (que é fruto da lista Gospel GLBT, e idealizado pelo Wallace Ximenes. Aliás, lembro-me, até hoje, do momento que o Wallace me enviou um e-mail propondo a criação deste espaço).


O Espaço Gospel GLBT visa a espiritualidade, e não é posse de nenhuma instituição religiosa, não tendo vínculos confessionais em nenhuma delas. E, escrevo isso em resposta a um e-mail que recebi, de um amigo, mas que se sente triste pelas críticas deste blog em relação a Igreja.

Como temos o objetivo da espiritualidade, é nosso dever denunciar a hipocrisia. Seja ela de onde vier! A proposta da espiritualidade gay e cristã é algo novo e, muitas vezes, os donos da igreja se acham no direito de intervir na ascese das pessoas, ditando o que seria a espiritualidade. Nós, entretanto, acreditamos que religião é sentimento, e como o teólogo Schleiermacher, desenvolvemos uma teologia em relação a este sentimento. Não entramos em questões dogmáticas, mas não deixamos as questões práticas. Falamos de ética e refletimos a mesma em relação ao comportamento- a espiritualidade de um gay cristão.

Desta feita, somos cristãos, viemos de diferentes denominações, e não temos, necessariamente, que reproduzir aqui nenhuma prática, nenhuma ascese que remeta a essa ou aquela denominação em particular. E como tais denominações se acham no direito de descriminarem os homossexuais, é interessante também que sejam criticadas. Inclusive em suas aberrações.

Ter uma espiritualidade sadia, levando a religião a sério é não ser alienado enquanto esse sentimento. Pelo contrário, a consciência ativa, crítica e que responde à razão da esperança que há em nós, é a diferença daqueles que decaíram da razão e, portanto, não são capazes de avaliar seus próprios sentimentos. Ou seja, sua própria religião e espiritualidade. Assim, o espaço Gospel Gay (Lista de discussões e blog) não é Igreja. Mas, lança subsídios teológicos livres da Instituição capaz de propor uma espiritualidade sadia para o gay cristão, suprindo a ausência de tal nos círculos religiosos.

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