Lorca y el mundo gay

Doze anos após a publicação vida, paixão e morte de Federico García Lorca, o hispanista Ian Gibson voltou escrever sobre o poeta de Granada, mas desta vez, para fazer um estudo de como a sua sexualidade influenciou sua poesia e se tornou um das causas de seu assassinato. Em Lorca, e ao mundo gay, Gibson afirmou "que o poeta era, e que não tem silenciado ou obscurecido com meias-verdades" e sublinhou que a sua condição sexual, um dos aspectos menos estudados do universo do escritor, é a chave para compreender melhor o seu trabalho.

Ian Gibson apresentou esta semana em Madri, o último livro, um estudo sobre a homossexualidade em Federico García Lorca, no qual- o historiador irlandês- alega que esta condição é fundamental para a compreensão das obras do poeta como Romanceiro cigano, o poeta em Nova York, assim como um dos motivos, junto com político, que propiciaram seu fuzilamento no início da Guerra Civil.

Gibson, que escreveu sobre Lorca, em 1997, afirmou que este novo livro surgiu a partir da insistência de seu editor, Rafael Borrás, por estar interessado no assunto. O historiador acredita que seu livro é "adequado", numa altura em que "a questão da homossexualidade é calorosamente debatida na Espanha e já percorreu um longo caminho no presente." No entanto, ele lembrou, durante o tempo em que viveu o poeta granadino "era muito difícil de ser homossexual, e à descoberta da sua condição o fez sofrer muito."

Em Lorca, e ao mundo gay, Gibson explica que incluso nos ambientes mais progressistas, como la Residencia de Estudiantes por onde passou o poeta em 1919, a homossexualidade era criticada. O livro recorda, por exemplo, que escritores como Luis Buñuel professaram críticas machistas e homófobas contra Lorca. Incluindo o pintor Salvador Dalí, com quem manteve uma estreita e íntima relação, sentiu “um profundo terror” por ser homossexual, ao passo que acabou se distanciando do escritor.

Para Gibson não cabe dúvidas de que, além do fator político, a homofobia influenciou no assassinato de Lorca. O historiador lembrou que, mesmo na família do poeta nunca chegaram a admitir sua sexualidade, algo que o próprio Gibson viveu em sua família: seu irmão, a quem dedicou o livro, era homossexual, na Irlanda católica, dos anos 50, e morreu de angustia sem poder ultrapassar seus dramas.

Gibson acredita que o próprio Lorca lutava contra sua homossexualidade, e temia ser tomado por maricas (bicha). Não queria ser ridicularizado, e apelou por um tipo de homossexualidade pura- disse o historiador- acrescentando que a descoberta de sua homossexualidade era terrível, e que se reflete nos seus textos escritos na juventude. Talvez, isso foi o que levou a busca por amores heterossexuais. O hispanista ressalta a figura de Maria Luísa Nátera, uma jovem de 15 anos, por quem Lorca teria sentido atração, mas ele nunca quis ter qualquer relação com o poeta.

O livro apresenta Lorca como uma pessoa maníaco- depressiva, relata, também, as viagens do poeta a Nova York e a Cuba, assim, como os últimos anos de sua vida, e seus amores: Eduardo Rodríguez Valdivieso e Rafael Rodríguez Rampún, que é considerado o seu grande amor e que teria servido de inspiração para os poemas: Sonetos de amor obscuro.


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