BH: Travestis relatam rotina de agressões

Fonte: O TEMPO

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Ataques com pedras, ovos, latas de cerveja, urina, extintor de incêndio e até bombas. Assim é a rotina das travestis que todos as noites vão para a avenida Pedro II, na região Noroeste, um dos pontos de maior concentração de prostituição de Belo Horizonte. Por dia, pelo menos 50 delas fazem programas no lugar. Entre elas, a maioria diz que já vítima de violência. As profissionais contam que é na Pedro II que mais sofrem com o assédio de pessoas que não toleram a atividade.

Nem mesmo uma delegacia integrada a um batalhão da Polícia Militar instalada na avenida garante proteção a elas. Ao contrário, segundo muitas profissionais, é entre os policiais que elas passam por boa parte dos constrangimentos e são alvo de chacotas. Com medo e vergonha, as travestis nem sempre denunciam e as agressões acabam subnotificadas.

A prisão de três homens, no último dia 17, depois de uma agressão a pedradas contra travestis só foi possível porque elas romperam o medo e oficializaram a denúncia. Na ocasião, 20 travestis ficaram feridas. "Os PMs estão aterrorizando as travestis", disse uma delas que, por medo, não quis revelar o nome.

Uma colega de ponto conta que nem as policiais femininas poupam as travestis. "Essa delegacia não resolve nada. Até as policiais mulheres fazem chacota da gente. Passam e dizem ‘Vamos bater uma bola amanhã, João?’", diz.

Reclamar da abordagem policial não resolve, segundo as travestis. "Eles acabam prendendo a gente dizendo que é desacato. Abordam nossos clientes mandando eles tomarem vergonha na cara e perguntam por que estão procurando ‘veado’", contou outra, de 27 anos. Recém-chegada do exterior, M. diz que foi agredida por um policial no dia anterior.

Na última semana, a reportagem de O TEMPO foi ao local e constatou: homens em carros, alguns em grupo, passam pela avenida e zombam das travestis frequentemente. Nos ônibus, os passageiros repetem os assédios. O movimento é intenso e algumas tentam não se intimidar. Há algumas que também carregam pedras para revidar aos ataques.

"Travesti é alguém abandonado, vulnerável e sem proteção", diz a coordenadora do núcleo trans do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual (Cellos), Anyky Lima.

Polícia confirma aumento de ocorrências e reclamações
A Policia Militar confirma o aumento de ocorrências de violência envolvendo travestis e informa que vem fazendo operações de prevenção.

Segundo o coordenador de policiamento da 9ª Companhia, tenente André Oliveira, casos de agressão, roubos e ataques homofóbicos têm sido constantes. Na mesma intensidade são registradas reclamações de moradores, que relatam aos policiais cenas de perturbação da ordem e atentado violento ao pudor.

"A vizinhança fica incomodada com os atos obscenos, alguns travestis ficam nus em via pública", disse o policial.

Sobre a versão das travestis de que são aterrorizados por alguns militares, o tenente se limitou a dizer que qualquer denúncia de abuso policial deve ser encaminhada à Corregedoria de Polícia para apuração. (RR)

Ataques em série
- Afonso Pena. Na semana passada, uma travesti de 22 anos foi brutalmente assassinada com nove tiros na avenida Afonso Pena, região Centro-Sul de BH.

Segundo a PM, existe uma suspeita de que a travesti tivesse envolvimento com drogas. O principal suspeito pelo crime está foragido.

- Santa Branca. Um dia depois, outra travesti da mesma idade sofreu tentativa de homicídio no bairro Santa Branca, região da Pampulha. A briga estaria relacionada à disputa por ponto de prostituição.

- Pedras. Cerca de 20 travestis foram agredidas a pedradas na avenida Pedro II no dia 17 de fevereiro, por um bando de 16 homens. Três homens foram presos suspeitos da agressão.

Perfil dos crimes
Violência. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), dos 252 homossexuais mortos no Brasil em 2010, 41% eram travestis. Minas ocupa o 4º lugar no ranking de Estados em que mais travestis são executados.

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