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O amor cristão nos EUA expulsa jovens de casa por serem gays

Cacciati dai genitori migliaia di gay diventano homeless

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Ser um homem feminino

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Se dar a bunda... Já era!

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Ainda falando sobre promiscuidade

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A culpa é da promiscuidade: um erro conceitual

os gays são promíscuos e quem não ?

 A culpa é da promiscuidade: um erro conceitual
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Carpe Anum // Carpe Culum

Carpe o quê?

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Sessão Pipoca: The Trip

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Justiça de BH autoriza casamento homossexual

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A culpa é dos gays?

Site atribui responsabilidade aos gays por mulheres estarem solteiras em Campo Grande...

A culpa é dos gays? A culpa é dos gays?

Querem desprestigiar os gays!

O Vaticano lançou uma crítica sobre a matéria publicada nos meios de comunicação...

Querem desprestigiar os gays! Querem desprestigiar os gays!

Uma defesa para Silas Malafáia.

mas não há outra coisa a se fazer aqui, nesse momento, depois de ler em alguns blogs evangélicos

Uma defesa para Silas Malafáia. Uma defesa para Silas Malafáia.

Sessão Pipoca: Mambo Italiano

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Sessão Pipoca: Mambo Italiano Sessão Pipoca: Mambo Italiano

Banho Turco/ Hamam -- Il Bagno Turco- Sessão Pipoca

Esse filme eu descobri por conta do meu professor de italiano, que constantemente...

Banho Turco/ Hamam -- Il Bagno Turco- Sessão Pipoca Banho Turco/ Hamam -- Il Bagno Turco- Sessão Pipoca

quarta-feira, agosto 31, 2011

Rua Guaicurus em BH: Dos livros, da TV, às páginas policiais


A Rua Guaicurus, em Belo Horizonte, ficou famosa em 27 de maio de 1998, em todo Brasil; época em que a Rede Globo de televisão resolveu estrear a série Hilda Furacão, uma adaptação da obra do escritor mineiro e jornalista, Roberto Drummond, de mesmo nome.

A história da Rua Guaicurus sempre foi tumultuada, ora pelas constantes inundações do Ribeirão Arrudas, que a desvalorizou como polo industrial da capital mineira, ora com o abandono e a ocupação das prostitutas, que encontraram no espaço esquecido, pelo crescimento da cidade em torno da Av. Afonso Pena rumo Zona Sul, um lugar para retirarem seu sustento, tumultuando os “bons costumes” da hipócrita TRADICIONAL FAMÍLIA MINEIRA (TFM) .

Assim, a Rua Guaicurus foi palco do primeiro ciclo comercial e industrial de BH, antes de se tornar a tradicional zona boêmia de Belo Horizonte, imortalizada pela lendária Hilda Furacão no início da fundação da cidade. A existência de muitos galpões e a proximidade com a estação central foram determinantes para que a região se tornasse um importante polo industrial, segundo o assessor da presidência do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-MG), José Abílio Belo Pereira:

"A atividade econômica ligaria a Guaicurus ao uso predominantemente comercial, mas havia também habitações. À medida que o centro da cidade foi crescendo para o lado da Avenida Afonso Pena e da Praça Raul Soares, a região (da Guaicurus) foi ficando abandonada. Todo aquele pedaço era inundado pelo (ribeirão) Arrudas, o que desvalorizava a área e a tornava incompatível com a atividade industrial. Com o abandono, ela foi apropriada para a atual função, a partir dos anos 50", explica Pereira. (EB)

A ZONA BOEMIA DA DÉCADA DE 1950- 2011

Em 1950 se formou na Rua Guaicurus a zona boemia de BH. É dessa época, inclusive, o relato de Roberto Drummond sobre a garota do maiô dourado das missas dançantes do MINAS TÊNIS CLUBE, muito embora Hilda, tal como o livro apresenta: uma garota da classe rica, que no dia de seu casamento desce à Afonso Pena para Guaicurus e se estabelece, por 5 anos, no quarto 304 do Maravilhoso Hotel e Montanhês Dancing, não tenha existido exatamente, entretanto, não se pode negar a presença marcante do travesti mais famoso que a cidade já teve: o Cintura Fina, que percorria a região, que frequentava o Montanhês e é lembrado por todos na cidade que viveram à época e contam.

Atualmente, os bordéis se disseminaram pela região, onde há grande concentração comercial, com destaque para os atacadistas de variados produtos, bares e lanchonetes.

A proximidade com os shoppings populares e a grande quantidade de pontos de ônibus também atraem muitas pessoas ao local. O comércio formal funciona das 7h às 18h. Após esse horário, sobram os botequins e os vendedores informais, que oferecem de comida a tatuagens na Guaicurus e imediações.

PROSTITUTAS AMEAÇADAS

Prefeitura quer requalificar tradicional rua desde 2008; área deve ser transformada em eixo cultural.

Tradicionalmente a zona boêmia de Belo Horizonte, em atividade desde a década de 50, à rua Guaicurus, no centro da cidade, poderá perder o estigma de ponto de prostituição. A prefeitura busca parceiros na iniciativa privada, desde 2008, para promover a requalificação urbanística e ambiental da região. A alternativa mais evidente é transformar a área em um complemento do eixo cultural instalado ao longo do Bulevar Arrudas. Com a nova ocupação urbana, a tendência é que os hotéis onde trabalham as profissionais do sexo migrem espontaneamente para outro local.

A operação urbana na rua Guaicurus, rodoviária e entorno faz parte do Plano de Reabilitação do Hipercentro, lançado pelo, ainda, prefeito Fernando Pimentel (PT), em 2008. À época segundo Maria Caldas, consultora municipal de políticas urbanas, na gestão Pimentel, ainda não tinha sido definido exatamente o que seria feito na região e quando as obras seriam iniciadas. Ela informava que o objetivo do prefeito era licitar os 14 projetos do plano até o término do mandato, no final de 2008. "O plano era uma proposta macro de identificação de áreas que poderiam sofrer intervenções. A da Guaicurus era a de maior potencial para receber projetos arrojados de substituição do tecido urbano, que demandavam grandes áreas."

Embora afirmasse que não existia nenhum projeto definido, Pimentel ressaltava que o plano queria mudar o perfil da área:

"A previsão é que quatro quarteirões, entre a Guaicurus e a Santos Dumont, sejam objeto de uma operação urbana que facilitaria algum empreendedor privado a investir e mudar o perfil que hoje tem ali. Mas não tem nada concreto e por enquanto não recebemos proposta de interesse de nenhum grupo sobre isso", dizia o então prefeito.

As mudanças na Guaicurus dependiam da aprovação de uma lei. Maria Caldas explicava que há muitos galpões na Guaicurus, a maioria vazios e danificados, que poderiam ser substituídos por centros de convenções e culturais:

"Há uma vocação para atividades complementares às do bulevar. A existência de grandes prédios, subutilizados, também permite que a área seja explorada pela hotelaria e turismo de negócios."

Em 2088, dizia o presidente da Associação dos Amigos da Rua Guaicurus, Ailton Alves de Matos, que alguns imóveis poderiam ser transformados em moradias estudantis. Maria Caldas afirmava que entre as diretrizes do plano estava o estímulo ao uso residencial no centro. Mas ela dizia que não estava definida a construção de conjuntos habitacionais. Para Maria Caldas, a existência da zona boêmia não inviabilizaria a execução de projetos:

"O abandono leva à degradação. Pode até existir uma harmonia após a valorização. O que não pode é a dominação por esse uso (a zona boêmia). A ideia, segundo a prefeitura não é expulsar ninguém, mas a tendência é que os hotéis queiram ir para outra região."

JORNAL O TEMPO NOTICIA OPERAÇÃO DA POLÍCIA CIVIL NA GUAICURUS

Na sua edição de hoje, dia 31 de agosto de 2011:

Com o objetivo de combater o favorecimento à prostituição e a exploração sexual, a Polícia Civil realizou uma operação em um dos prostíbulos mais conhecidos do centro de Belo Horizonte, que funciona no hotel Brilhante. Vários clientes e garotas de programa foram flagrados no local.

Os policiais chegaram ao prédio por volta de 10h30 e saíram cerca de 2h30 depois. As portas foram abaixadas e as pessoas impedidas de entrar ou sair. O dono e o gerente não foram encontrados e por isso o porteiro acabou responsabilizado pelo negócio. Ele foi preso por crime de casa de prostituição e encaminhado ao Ceresp São Cristovão. Se condenado, pode pegar de 2 a 5 anos de prisão.

No escritório foram apreendidos livros e cadernos com a contabilidade do negócio, além de um computador com as imagens das câmeras de segurança, que registram o movimento dentro do prédio. As provas que denunciam o prostíbulo foram encaminhadas para a perícia da Polícia Civil. Quatro garotas de programa, dois clientes e duas testemunhas foram conduzidos à delegacia para prestar esclarecimentos sobre o funcionamento da casa de prostituição.

Além do hotel Brilhante, os policiais estiveram em outro prédio, encontrado fechado. Nos próximos dias, vão acontecer outras operações em prostíbulos espalhados por vários pontos da cidade. Em cada operação será instaurado um inquérito policial, que será encaminhado para o Ministério Público.

QUESTÃO LEGAL, POLÍTICA E MORAL

Pelo jeito essa história de “saída pacífica” é para inglês ver. Obviamente a polícia civil de Belo Horizonte está vinculada não só ao governo do estado de Minas, bem como a prefeitura da capital, na dobradinha, PT-PSB-PSDB, que já tirou o sono da militância clássica do PT no último pleito municipal.

Contudo a questão é legal, muito embora possa ser discutido a MORAL; quem perde e quem ganha, aliás, quem REALMENTE GANHA com a especulação imobiliária da área da Guaicurus. Uma coisa está bem clara, não é o cidadão belorizontino, sentido lato sensu- coletividade! Ainda sim, em julgado recente no STJ ficou definido que: Manter casa de prostituição é crime que deve ser punido. O fato de haver tolerância ou indiferença na repressão criminal não significa que a conduta não está tipificada no Código Penal. Com esse entendimento, a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça acolheu o recurso do Ministério Público gaúcho contra a absolvição de três acusados de infringir o artigo 229 do Código Penal.

O código prevê pena de dois a cinco anos mais multa para quem “manter, por conta própria ou de terceiro, casa de prostituição ou lugar destinado a encontros para fim libidinoso, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente”.

Dessa forma, o senhor prefeito Márcio Lacerda vem encontrando um jeito muito peculiar de expulsar as prostitutas da Guaicurus sem envolver seu nome diretamente na questão, que se acontecesse de forma direta e propositiva geraria credito negativo para a releição nos próximos pleitos. Tudo se faz na hipocrisia, enquanto a história de Belo Horizonte vai sendo sucumbida pelo ávido interesse do lucro.

A história de uma cidade faz parte do patrimônio histórico e cultural, diz da saudável qualidade de vida, amparada pelo Direito Ambiental. E a tradição boemia de uma cidade não deveria ser sucumbida às esferas do “sub”: subcultura, ou cultura marginal, que nada acrescenta, pois a tradição boemia da Guaicurus está nos livros, e não só nos de Roberto Drummond, mas de tantos outros autores mineiros. Está na memória dos mais velhos, que lá frequentavam: na memória do meu avô, da minha avó, do meu pai, da minha mãe. Faz parte da cidade, da identificação histórica da cidade, da identificação de cada belorizontino que cruza a Praça da Estação, de cada um que consagrou aquela região, e nela lança seus olhares de aprovação ou desaprovação.

A hipocrisia da falsa moral em nome do lucro especulativo, hoje, visa descaracterizar a memória de BH, de sua zona boemia, da Guaicurus dos livros, das histórias de meus tios e avôs, do Cintura Fina, da Maria tomba-homem. Em nome de revitalização do espaço cultural. E, então fica a pergunta: e quem disse que prostituição NÃO É CULTURA?

O vídeo acima é de caráter meramente ilustrativo, pois retrata a região na atualidade, a opinião das pessoas que o produziram não condiz com a realidade, sendo descrita como uma região violenta, contrária às imagens da própria filmagem, que revelam uma região comercial, pacífica e de grande fluxo e não abandonada, como quer a prefeitura de BH.


Fontes:

Guaicurus- blogspot http://guaicurus.blogspot.com/2007/11/mais-de-2000-mulheres-sero-afetadas.html

Jornal do Comércio http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=70644

Jornal o Tempo http://www.otempo.com.br/noticias/ultimas/?IdNoticia=128198

Overmundo http://www.overmundo.com.br/guia/rua-guaicurus

Repórteres avulsos http://www.youtube.com/watch?v=hzMbLRedR74&feature=related

terça-feira, agosto 30, 2011

Suspeita de ator soropositivo paralisa indústria pornográfica de Los Angeles

Ex-ator pornô, Derrick Burts milita pelo uso obrigatório de preservativos nos filmes

Uma porta-voz da Free Speech Coalition, organização que representa a indústria pornográfica de Los Angeles, afirmou que a produção de filmes foi suspensa após um dos atores afirmar que fez um teste de HIV com resultado positivo.

Los Angeles é o maior centro de produção pornô dos EUA. A organização não divulgou nome ou sexo do artista que fez o exame, mas afirmou que vai submetê-lo a outros testes para confirmar o diagnóstico. Até que os exames sejam concluídos, todas as novas produções estão suspensas. Se o diagnóstico for confirmado, todas as pessoas que contracenaram com o artista infectado também vão ser examinadas.

A multibilionária indústria pornográfica americana submete mensalmente todos os seus atores a testes de HIV, mas não há regras que obriguem a utilização de camisinhas nos filmes. Em 2010, o ator Derrick Burts recebeu um diagnóstico positivo de HIV e passou a defender o uso de preservativos nos filmes. A causa foi adotada também pela Aids Healthcare Foundation, que pretende angariar 41 mil assinaturas para pedir um plebiscito sobre o uso obrigatório de preservativos nas produções.

Fonte: O Tempo

Casal de lésbicas consegue que dupla maternidade seja reconhecida na Justiça


Uma garota de Jandira (Grande SP) vai se tornar a terceira criança brasileira a ter o nome de duas mães na certidão de nascimento. Até 10 de setembro, Kaylla receberá o novo documento. Nele constará o nome de Janaína Santarelli, 29, que a gerou, e o de Iara Brito, 25, que a adotou na condição de companheira da mãe biológica.

O processo para reconhecer Iara, companheira de Janaína há sete anos, como mãe começou em 2008. Janaína engravidou com doador desconhecido.

"O importante para a criança é que tenha figuras significativas que exerçam as funções parentais, independente de suas opções sexuais", diz a sentença da juíza Débora Ribeiro. Para Kaylla, Janaína é “mamãe” e Iara, “manhê”.

O casal vai relatar a experiência nesta terça (30) na mesa redonda “Mulheres, lésbicas e relações familiares” da Secretaria de Estado da Justiça em São Paulo, parte da programação do Dia da Visibilidade Lésbica, celebrado em 29 de agosto.


Fonte: O Tempo

Projeto reescreve Antigo Testamento



Por raquel

Do Corriere della Sera

Duzentos anos para reescrever a Bíblia


Estudiosos da Hebrew University devem publicar o quarto volume do projeto que pretende reescrever o Antigo Testamento.

A reportagem é de Francesco Battistini, publicada no jornal Corriere della Sera, 26-08-2011. A tradução é de MoisésSbardelotto.

E Moisés disse: que o Altíssimo disperse o gênero humano "segundo o número dos filhos de Deus". Disse precisamente isso noDeuteronômio. O número dos filhos de Deus. Ou seja, muitas divindades, não uma só. Um elemento de politeísmo. É isso que nos parecem contar hoje os Pergaminhos do Mar Morto, os manuscritos mais antigos da Bíblia.

Mas não foi isso que nos transmitiram os massoretas, os escribas que, no final do primeiro milênio, releram, rediscutiram, corrigiram o Antigo Testamento. Entende-se: o politeísmo era um conceito incompatível, inaceitável, insustentável no canto de Moisés. E, então, zás: em vez de interpretar, de dar uma leitura teológica a essa passagem, melhor cortar, apagar com um pouco de monoteísmo. E recopiar de outro modo: "Segundo o número dos filhos de Israel", 70 como as nações do mundo, tornou-se a versão que chegou até nos.

Um retoquezinho: "E muitos mais foram feitos", diz o biblista Rafael Zer, da Hebrew University de Jerusalém. "Para os crentes, a fonte da Bíblia é a profecia. E a sua sacralidade permanece intacta. Mas nós, estudiosos, não podemos ignorar uma coisa: que essas palavras foram confiadas aos seres humanos, ainda que por iniciativa e com o acordo de Deus. E, de passagem em passagem, houve erros e se multiplicaram...".

Uma palavra, a Palavra. Sobre a Bíblia, se jura e se reza, na Bíblia se espera e se crê. Mas qual Bíblia? O Pentateuco Samaritano, a Septuaginta, a Vulgata, a Bíblia do Rei James? Sobre uma das mais altas colinas de Jerusalém, em uma das maiores bibliotecas do mundo, na Hebrew University fundada por Einstein e Freud, no silêncio das oliveiras e protegido de toda curiosidade, há uma equipe de biblistas que, há 53 anos, tem a ambição de publicar a última, definitiva, incontestável escritura do Antigo Testamento.

"The Bible Project", a Academia da Bíblia. Dezenas de exegetas, em grande parte judeus, mas em consulta constante com os colegas das universidades pontifícias e deFriburgo. Reuniões mensais. Boletins internos e totalmente reservados. A recomendação de não falar muito a respeito por aí. De acordo com um projeto tão ambicioso quanto lento: em meio século, só foram publicados três livros dos 24 livros da Bíblia hebraica (39 para os cristãos, que os contam de modo diferente), um quarto e um quinto são iminentes. O último componente do originário comitê científico morreu há ponto tempo, aos 90 anos. E toda a obra, se prevê, não irá terminar antes de dois séculos: por volta de 2200, ou mais do que isso.

"É um trabalho enorme", diz o Pe. Matteo Crimella, estudioso milanês da Ecole Biblique, próxima da Porta de Damasco, que conhece o projeto: "Começa-se do Códice de Alepo, o mais antigo manuscrito massorético, para oferecer um texto crítico com todas as variantes possíveis. A novidade é que se leva em conta os manuscritos do Qumran, fazendo um salto de mil anos com relação ao Códice de Leningrado, que sempre foi a base de todos os estudos. É se avalia, se compara o material disponível em todas as partes do mundo". A evolução da Palavra através dos milênios.

Compulsando manuscritos hebraicos, anotações meticulosas, traduções gregas, siríacas, latinas, coptas, etíopes, papiros egípcios, edições venezianas do século XVI, textos dePisa, amanuenses samaritanos, pergaminhos em aramaico, até citações do Alcorão...

Derrubando as certezas dos ultraortodoxos que acreditam em uma única Palavra divina, inalterada e inalterável. Cada página tem uma linha de texto e uma série de aparatos: a tradução alexandrina mais antiga, as lições baseadas nos textos do Mar Morto, as citações rabínicas e do Talmude, as diferenças de vocalização, o comentário. Destacando evoluções, correções, censuras. Algumas desejadas, outras casuais.

"Sabe-se que todo texto bíblico transmitido à mão ou por ditado nunca é igual", explica o professor Alexander Rofe, israelense nascido em Pisa, professor durante 40 anos professor da Hebrew University. "Os textos de 400 a.C. eram como um funil invertido: para uma palavra que entrava, saíam muitas mais. Mas, dois séculos e meio depois, ocorre o inverso. O funil se inverteu para o outro lado. E, no Templo, alguém disse: esse é o texto oficial. A partir disso, todos os livros foram corrigidos. E se um livro era muito divergente, não o podendo destruir, era enterrado. Foi deste modo que se começou a refletir sobre aSagrada Escritura, mas sem preservá-la".

Uma palingênese de séculos. Assim se tornou a Bíblia. Onde a uma correção se acrescentava outra correção. Onde alguma seita acrescentava a sua contribuição. Onde os tardo-bizantinos assinalaram as precisões ortográficas. Tanto que, uma verdade já consolidada, o Antigo Testamento que lemos hoje não é o que era lido originalmente.

No Livro dos Provérbios, por exemplo, quando uma versão diz que o justo "anda na sua integridade", uma outra fala da "sua morte", introduzindo um conceito do além muito caro aos fariseus: os dois termos, muito semelhantes, também são igualmente ilustrados pelo"The Bible Project" com todas as possíveis interpretações.

Outros casos? O Livro de Jeremias, concluíram os biblistas da Hebrew University, recuperando fragmentos aqui e ali, é mais longo em pelo menos uma sétima parte do que a versão geralmente aceita. Com diferenças não muito notáveis, mas com diferenças: alguns versículos, que se referem a uma profecia sobre o cativeiro babilônico do Templo, mais do que uma profecia, parece ser um acréscimo posterior, com os fatos consumados.

A Academia da Bíblia de Jerusalém não está sozinha. Projetos paralelos, e igualmente notáveis, ocorrem na Alemanha e em Oxford. Mas ninguém parece ter a mesma pretensão de completude e de monumentalidade. "Certamente, estamos diante da mais extensa edição crítica do Antigo Testamento jamais tentada na história", certifica o professor David Marcus, do Seminário Teológico Judaico de Nova York, defensor do projeto.

Em 1958, quando Michael Segal reuniu pela primeira vez o comitê de estudos sobre a colina da cidade sagrada às três religiões, ele anunciou que "aquilo que estamos fazendo deve ser do interesse de qualquer um que tenha interesse na Bíblia". Ele também não profetizou tantas dificuldades e lentidões, mesmo que pudesse imaginá-lo: não seria nada fácil recuperar os antigos documentos.

Enquanto ele falava, de Alepo, chegou a Israel o famoso Códice sobre o qual seria possível começar os estudos. Por milagre, ele havia sido salvo do incêndio de uma sinagoga da Síria. E, de contrabando, escondido dentro de um eletrodoméstico e sob uma camada de laticínios, quem o havia levado ao mundo dos biblistas havia sido um mensageiro que nenhum Malaquias ou Isaías jamais teria profetizado: um comerciante de queijos.

domingo, agosto 28, 2011

O que levar no seu KIT PASSIVO?

1. HOJE É DIA DE CHUCA! Digam o que quiserem, mas bicha prevenida é bicha bem-comida - e não faz feio na hora H. Imagine a situação: você entra no MSN, no chat, no Disponível ou no Manhunt, e o bofe quer o serviço "agora"! Você tá no trabalho ou em algum outro lugar em que uma duchinha para fazer a higiene "lá" é um sonho distante. Sem problemas: se você tiver uma ducha higiênica feminina como esta, carinhosamente apelidada de "chuca portátil", bastará sacar da bolsa, e, em poucos minutos, estará pronta com o edi limpinho. É só encher o bulbo de água, encaixar os aplicadores em cima e usar onde você está pensando...

2. MOLHADINHO É MAIS GOSTOSO: Nada de fazer a guerreira e acreditar naquela história de "é só uma cuspida que entra". Muito menos apelar pra coisas como condicionador pra cabelos, hidratantes, margarinas (e eu sei que você já fez!). Pense comigo: você quer mesmo condicionar os cabelos de "lá"? E mesmo se o edi for branquinho, não parece um pão, né? Então, faça a phyna e leve sempre um KY ou outro lubrificante na bolsa. À base de água, por favor: e deixe sempre à mão. Vai caçar no bosque? Põe na meia, bee!

3. CAMISINHAS DE TODOS OS SABORES: Inspire-se no Harry Potter e seus "feijõezinhos de todos os sabores" e faça sua coleção de camisinhas. Tenha mais de uma marca, porque você nunca sabe qual será a preferência do bofe. Mais importante: adapte-as às suas necessidades. Seu lance é lolitinho? Compre as camisinhas teens, que são mais apertadinhas e adequadas e não deixam vazar o que não deve. Sexo oral protegido? Ora, tem as com cheiro e as sensitive, mais finas, pra ele sentir sua língua. Quer uivar que nem uma cachorra? Use as com textura! Quer ter sorte no amor e chorar na vara? Extralarge! Ou então faça como eu e tenha todas rsrsrs.

4. HÉTERO QUE FAZ: Ok, reconheço que nem todos curtiriam este item. Uma... Calcinha?!?! Mas pensa comigo: NUNCA nenhum macho, daquele tipo "hétero que faz", já questionou você sobre o uso do apetrecho? Então, gata! Larga a mão de ser boba e não perca oportunidade. Tenha uma a postos e ornamente o quadril - e não pense em calçola, porque é brochante. Você vai dar, e não dormir, né?

5. LAVAGEM A SECO: Vai me dizer que depois de ter gozado e ficar toda melecada de lubrificante e... Bom, deixa pra lá rsrs, você simplesmente veste a calça e vai embora? Nananão! Papéis higiênicos são ótimos companheiros nessa hora, porque não é sempre que você vai estar num motel com hidro, right? Serve pra limpar a boca, pra secar o edi do lubrificante e dar pro bofe limpar as mãos. Agora, dica da mama: se você tiver como, use toalhas de papel. São mais absorventes e não esfarelam.

6. PADRINHOS MÁGICOS: Pode parecer que não, mas algodões são úteis em uma série de ocasiões! Bateu uma pro bofe no ônibus e uma gota caiu onde não devia? Um algodãozinho resolve e não vai deixar nada esfarelado. Quer fazer uma limpeza de pele antes de sair? Algodãozinho resolve. Marcou dois encontros em seguida e quer o edi como novo pro próximo? Algodãozinho umedecido em água é uma mão na roda! Prefira os cortados em quadradinhos ou rodelas, fáceis de usar e portáteis.

7. BOCA DE VELUDO: Nesse inverno seco, "cê jura" que vai beijar com a boca toda rachada! Tome tento, bee, porque coisa rachada com a gente não tem vez! Um protetorzinho labial vai bem, né? Beijo macio, e o bofe não vai se esquecer dos seus lábios tão cedo - e olha que você, ao contrário das mulheres, só tem um par...

8. GRIPE SUÍNA, PAU DE LATRINA: Se você é daquelas que acham que o álcool gel só serve pra evitar a gripe suína, tá na hora de se atualizar. Pense comigo: você está seca de sexo e subindo pelas paredes e resolve descarregar a energia no cinemón mais próximo. Vê um bofescândalo e pega na neca dele com vontade... E aí... Tcham-tcham-tcham-tcham. Descobre que a higiene do moço não acompanha a beleza. É óbvio que, como bicha phyna, você vai sorrir e voar... Mas o que fará com o cheiro na sua mão? Álcool gel é a solução! Afinal, tem cinemón que nem torneira funciona, e em outros lugares mais assim... Selvagens... Água próxima será um luxo. Prefira, por motivos óbvios, as versões com aroma. Ah, e lembra do papel higiênico e dos algodões? São úteis aqui também.

9. BUNDA DE NENÉM: Muitas bees embarcam naquela ideologia tosca de que hidratante é coisa de mulher. Não: é de menina, e você é uma. Então, deixa de ser boba e tenha um na bolsinha mais perto de você. Um bom hidratante amacia tudo - tudo mesmo -, deixa o aroma do seu corpo mais agradável e é especialmente útil para disfarçar cheiros pouco desejáveis... Por exemplo, o do sabonete do motel de onde você acabou de sair pra encontrar o próximo ocó.

10. AHHHHHHHHHHHHH: Vai dizer que nunca aconteceu com você? Você faz aquele oral-delícia no bofe mais próximo à luz do luar. Ele se esquece de avisar você do momento mais importante, e sua boca se enche de algo que você não gostaria. O que você faz? Vai cuspindo até em casa? Claro que não. Você saca phynamente o seu Plax, Listerine ou outra marca e faz um gargarejo. Melhora o hálito, elimina o que deve ser eliminado e retira gostos indesejáveis do seu paladar. Se você usa camisinha no oral, por exemplo, du-vi-do que curta sentir o gosto de borracha usada na língua. Ai, uó!

11. GUDE DO DESEJO: Heheheh, confesso que esse é um item pessoal meu - mas, se você quer fazer bonito, não custa ter uma pimentinha no seu kit. Não quer as bolinhas tailandesas? Pode ser algema, venda ou até aquele vibrador de 30 cm que você tem na gaveta. Se o negócio evoluir para uma brincadeira mais quente, você faz bonito, e a única dificuldade é explicar por que, de antemão, você já estava com aquilo na bolsa. Bobage!

12. DEU E FOI RASGADA? USE PROCTYL POMADA: Tá boa que nunca aconteceu de você pegar aquele ocó com a neca do tamanho do braço e não ficou minimamente assada? A menos que queira fazer uma interpretação pessoal de "Sunday Bloody Sunday", você deverá ter uma Proctyl à mão. Ela tira a dor e a ardência, ajuda a cicatrizar e pode ser usada por dias até você estar pronta pra outra. Acredite: ela pode ser sua melhor amiga!

Êpa-hei Oyá! Acarajé, o bolinho de Jesus?



O acarajé vem sendo descaracterizado...

Originado nos cultos de candomblé, onde servia como uma oferenda a Iansã, rainha dos raios e dos ventos, o acarajé tem mais de 300 anos de existência. Ao longo desse período, uma série de mudanças ocorreu: a receita já não leva apenas o bolinho de feijão; a vestimenta branca, a saia rodada e a bata que caracterizam a vestimenta da baiana foram substituídas por outras roupas; e a preparação do quitute – até então restrita às mulheres – passou também a ser feita por homens.

Além disso, o acarajé deixou de ser encontrado somente no tabuleiro da baiana e, hoje, pode ser comprado em delicatessens e restaurantes. Outra transformação, esta mais recente, é a venda da iguaria por pessoas de outras religiões, além do candomblé. Os evangélicos, por exemplo, chamam a iguaria de “bolinho de Jesus”, e alguns deles se recusam a vestir o traje de baiana. Essas mudanças fazem com que o acarajé perca a identidade?

O assunto é polêmico e divide opiniões, mas, para a antropóloga Gerlaine Martini, do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), sim. O assunto fez parte da sua tese de doutorado defendida em julho de 2007. Intitulado Baianas do Acarajé – A uniformização do típico em uma tradição culinária afro-brasileira, a autora analisou as transformações sofridas por suas formas tradicionais de venda a partir do século XX.

Além da busca pela natureza e a importância da atividade da venda de acarajé em Salvador, o trabalho tem como cerne o surgimento do chamado “acarajé de Jesus”, prática bastante recente da venda de acarajé por baianas convertidas ao protestantismo, principalmente o neopentecostal, que almejava se desvincular totalmente da tradição.

Religião – “Percebemos uma forte mudança na tradição quando adeptas do candomblé se tornam protestantes. Mesmo professando uma nova crença, desejam manter sua fonte de renda. Para isso, decidem retirar todos os signos que liguem o quitute à religião africana, como a roupa branca, o turbante e as contas no pescoço. Desfiguram o ofício ao querer que o acarajé seja visto não como uma oferenda, mas apenas como uma refeição”, explica a antropóloga brasiliense.

Para realizar o trabalho, Gerlaine Martini residiu no terreiro Ilê Odô Ogê – Pilão de Prata, localizado na Boca do Rio, e permaneceu um período no Pelourinho, onde se encontra a sede da Associação das Baianas do Acarajé e Mingau (Abam). “Também procurei visitar diversos bairros, as festas de largo e busquei inclusive os tabuleiros dos considerados evangélicos. Observei o cotidiano de venda nos pontos, desde os de menores recursos até os mais consagrados pela opinião popular”, relata.

Na opinião da antropóloga, além da venda do acarajé por pessoas de diferentes religiões, outra mudança que descaracteriza o quitute é a venda do produto fora dos tabuleiros.“A existência do tabuleiro e o fato de ser preparado na rua são tradições que devem ser respeitadas. Isso precisa ser preservado, e deixa de ser quando o acarajé passa a ser vendido em restaurantes e delicatessens”, diz.

Para a presidente da Abam, Maria Leda Marques, o crescimento indiscriminado da venda de acarajés em Salvador, seja por estabelecimentos ou por adeptos de outras religiões, é um dos fatores que podem levar a uma possível perda de identidade.“Há pessoas vendendo o acarajé sem nenhum compromisso com a nossa história, com a cultura, e é preciso preservá-la independentemente da religião. É preciso saber conviver com as diferenças, mas respeitando o lado cultural”, afirma.

Maria Leda critica a postura adotada por algumas vendedoras de acarajé evangélicas que chamam a iguaria de “bolinho de Jesus” e se recusam a se trajar de baiana. “Eu desconheço que, em algum momento na história, Jesus Cristo tenha comido acarajé para que eles chamem de o bolinho de Jesus. O acarajé, até hoje, é uma oferenda a Iansã, pertence e sempre pertenceu aos orixás. Não podemos e nem queremos impedir quem quer que seja de vender acarajé. O que pedimos é que respeitem a história”, exige.

Segundo ela, mesmo ao ser vendido num contexto profano, o acarajé ainda é considerado pelas baianas tradicionais uma comida sagrada. “Apesar de todas essas mudanças, para as baianas legítimas, o bolinho de feijão-fradinho frito no azeite de dendê não pode ser dissociado do candomblé. Daí a importância de se manter a receita e lutar para que essa tradição seja passada de pais para filhos”.

Fonte: A Tarde

sexta-feira, agosto 26, 2011

Uma bela cultura



Uma vez, lendo sobre o candomblé, fiquei curioso com toda a tradição envolta nessa religião, aliás, o próprio nome CANDOMBLÉ, segundo a fonte, à época, consultada dizia ser a tradição (costume) da casa do negro.
Costume que foi demonizado pelo cristianismo, algo do tipo: tudo que vem do negro ou é do demônio (sua religião) ou não presta (seu ethos, seu sitz im Leben), como sou curioso, nunca deixei que a "cultura cristã" ditasse a verdade cega e por ela mesma. Assim, acabei dentro de um TERREIRO para uma festa magnífica, musicalizada, dançada, cantada, em que todos se integram e são integrados.
Estou, dessa forma, hoje, postando esse filme, que fala dessa tradição da casa dos negros, ou seja, o candomblé, enraizado na nossa cultura brasileira, excomungado pela tradição cristã, mas resistente e fiel aos princípios da África, da terra, da natureza, da própria identidade violada, mas não sucumbida.

quinta-feira, agosto 25, 2011

Um teste de tolerância



Embora muitas vezes esteja disfarçado pelo discurso do politicamente correto, o desconforto diante de uma demonstração de carinho entre homossexuais não só existe como é facilmente percebido na região. Inspirada em cenas de preconceito exibidas em “Insensato coração”, novela da Rede Globo que terminou na última sexta-feira, a equipe de reportagem do GLOBO-Zona Sul foi às ruas para fazer uma espécie de teste de tolerância — será que a vida imita a arte? Acompanhando dois casais gays — um formado por homens e o outro, por mulheres —, repórteres e fotógrafos registraram as reações provocadas por beijos, abraços, toques e outras manifestações de afeto.

Numa bonita tarde de sábado, o passeio de dois homens pela Praia de Copacabana causou um pequeno alvoroço. Ao caminharem de mãos dadas, trocando carinhos, o ativista social Felipe Gomes, de 30 anos, e o arquiteto José Maurício Lima, de 40, provocaram reações que variaram de olhares arregalados a comentários maldosos. Houve, é claro, quem encarasse o casal com naturalidade, mas não foi o caso da maioria.

Na altura do Posto 5, um grupo de pessoas, na faixa dos 60 anos, trocou cutucões e cochichos ao avistar o casal. Um homem balançou a cabeça em sinal de reprovação. No entanto, ao ser abordado pela equipe de reportagem, negou ter preconceito em relação a homossexuais:

— Não estávamos falando deles, não. Por acaso, conversávamos sobre a novela. Todos nós torcemos para que os gays tivessem um final feliz. Só acho que a praia não é lugar disso, afinal, passam muitas crianças por aqui.


Mais à frente, perto do Posto 6, uma mulher de aproximadamente 30 anos também não disfarçou o incômodo ao ver Gomes e Lima de mãos dadas. Chegou a virar o pescoço quando o casal passou por ela e o acompanhou com olhos até onde pôde. Depois, reconheceu que não faria o mesmo se a situação envolvesse um homem e uma mulher.


— Mas não tenho preconceito, fiquei olhando por curiosidade. Cada um tem seu gosto — afirmou.


Anoiteceu, e decidimos continuar o teste em dois bares: Boteco do Manolo, em Botafogo, e Garota do Flamengo. No primeiro, um homem de meia-idade não escondeu a irritação quando o casal escolheu uma mesa ao lado.


— Agora é assim? — perguntou a um garçom, que não esboçou reação.


O desconforto, nesse caso, foi tão grande que o homem pediu a conta e foi embora do bar deixando metade de um copo de chope para trás.


No Garota do Flamengo, onde vários clientes assistiam a uma partida de futebol pela TV, a presença do casal gay também não foi muito bem aceita. Um grupo de torcedores fez piadas e gestos de reprovação a cada beijo ou abraço de Gomes e Lima. Um homem que aparentava ter 50 anos se levantou e passou perto do casal dando um riso debochado. Já do lado de fora, não parou de encarar os dois, como se quisesse intimidá-los.O convite para um passeio pela Zona Sul foi feito em cima da hora, mas a publicitária Cristiane Carvalho, de 40 anos, e a secretária Silvia Guimarães, de 32, aceitaram a proposta de imediato. As duas, casadas com reconhecimento legal de união homoafetiva, estão juntas desde 2006, e são mães adotivas de uma menina de 8 anos.


Levamos Cristiane e Silvia a Botafogo. Era uma terça-feira, e o horário não poderia ser mais conveniente para testar a reação das pessoas: passava pouco das 13h, as ruas estavam cheias de gente que ia almoçar ou voltava de algum restaurante.Leia a reportagem na íntegra no caderno Zona Sul desta quinta-feira ou no GLOBO-Digital (Somente para assinantes)

quarta-feira, agosto 24, 2011

Evento quer tornar São Sebastião padroeiro gay


A ExpoGay, na Espanha, quer tornar o santo católico São Sebastião num padroeiro dos gays.

Os organizadores reivindicam que o mártir seja intitulado oficialmente pela Igreja Católica como patrono dos homossexuais.

Essa referência, de acordo com estudos, começou ainda no século XIX. No mais, inúmeros artistas gays já fizeram suas versões de São Sebastião, um dos ícones da cultura gay.

Fonte: Cena G

Deputado Jean Wyllys concorre a prêmio de melhor parlamentar


O deputado federal Jean Wyllys, do PSOL-RJ, primeiro parlamentar assumidamente gay do Brasil, é um dos finalistas da sexta edição do prêmio Congresso em Foco, que elege os deputados federais e senadores que tiveram mais destaque em seus mandatos.

O objetivo é incentivar a população aacompanhar mais de perto as ações deles.

A votação que vai escolher os premiados começou na última segunda-feira, 22, e pode ser feita no endereço eletrônico www.congressoemfoco.uol.com.br

O resultado sai no dia 7 de novembro.



Bombeiros terão que incluir companheiro gay em plano de saúde


A Justiça determinou que o Governo doDistrito Federal incluia o companheiro de um sargento do Corpo de Bombeiros no plano de saúde oferecido pela corporação. O casal vive junto há seis anos.

Na sentença, o juiz avaliou que “apesar do ordenamento jurídico não reconhecer expressamente a relação homoafetiva como união estável, por ponderação de princípios constitucionais, em especial o da dignidade da pessoa humana e o da igualdade, não se pode deixar de reconhecer a sociedade de fato para fins assistenciais e previdenciários.”


Fonte: Cena G

OAB discute casamento e adoção para casais do mesmo sexo

A Comissão da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil apresentou nesta terça-feira (23) um antiprojeto de lei para criar o Estatuto da Diversidade Sexual.

A proposta foi elaborada com contribuições de movimentos sociais e é endossada pela Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

A OAB propõe criar um marco legal de defesa de direitos LGBTs, criminalizar ahomofobia e sugerir políticas públicas de inclusão.

Os defensores da proposta argumentam que a consolidação da legislação poderá garantir a aplicação de jurisprudências favoráveis ao reconhecimento de direitos acasais homossexuais sem que os interessados tenham que levar os casos aos tribunais.

Fonte: Cena G

quinta-feira, agosto 18, 2011

Silas hic persona non grata est.

Silas Malafaia é ‘persona non grata’ em São Luís

A Mesa-Diretora da Câmara de Vereadores de São Luís declarou nesta terça-feira o pastor Silas Malafaia “persona non grata” na cidade. A Casa também arquivou em caráter irrevogável o processo de concessão do título de cidadão ludovicense proposto pela comunista Rose Sales ao religioso.

Em entrevista concedida ontem à rádio evangélica 92 FM, Malafaia chamou o pedetista de “moleque”, ”vagabundo” e “bandido”, além de ter tachado a Câmara de “poleiro” e os vereadores de “bocós” (abestados).

Na entrevista, o religioso atacou até a própria Rose Sales chamando-a de “frouxa”. Acusou o partido dela, o PCdoB, de apoiar essa “porcaria” (movimentos gays). Estranhamente, a comunista não aparece na Câmara desde a semana passada.

O presidente da Casa, Isaías Pereirinha (PSL), também criticou Malafaia por ter insultado e desrespeitado o Poder Legislativo Municipal.

Ivaldo Rodrigues pediu que a Procuradoria da Câmara processe o pastor e quer que a mesa-diretora publique uma nota de desagrafo relatando também o título de persona non grata.

Em relação ao debate proposto pelo religioso, Ivaldo Rodrigues disse que topa desde que seja feito em campo neutro e mediado por jornalistas da cidade.

ENTENDA O CASO:

DE QUASE CIDADÃO DE SÃO LUIS, A “PERSONA NON GRATA”

Numa entrevista concedida a uma rádio Evangélica de São Luís, ao se referir a fracassada proposta da Vereadora Rose Sales, que pretendia lhe conceder título de Cidadão Ludovicense, o Pastor Silas Malafaia chamou o Vereador Ivaldo Rodrigues, que pediu vistas do processo, de “bandido” e “vagabundo”. Além disso, sobrou até para a Vereadora autora da proposta que foi chamada de “frouxa” e para a Câmara Municipal de São Luís classificada de “puleiro”.

Diante do destempero do Pastor Silas Malafaia, a situação se inverteu completamente.

O processo de concessão do título de cidadão foi definitivamente arquivado, a Procuradoria Legislativa foi acionada para processar o Pastor e, para piorar, a Câmara Municipal aprovou o título de “persona non grata” a Silas Malafaia.

Ou seja: além de não receber o título de Cidadão Ludovicense, a maior honraria do legislativo municipal, Silas Malafaia vai ser processado e recebeu outro título (nada honroso), o de “persona non grata” em São Luís.

sábado, agosto 13, 2011

Somos inclusivos?



Certa vez, em um artigo, afirmei que ninguém quer um pobre por perto... Esse pensamento não é fruto de um arroubo político, de teorias libertárias e revolucionárias, pelo contrário, é simples constatação do quotidiano, daquilo que muitas vezes elegemos para nós e, em contraprestação, renegamos todo o resto que se difere de um ideal muito próprio e pessoal.

A verdade é que o homem ocidental recusa a ideia de fracasso, de derrota, por um modelo de vida social altamente competitivo, em que, no fim último, são valorizados e reconhecidos aqueles que obtiveram significativas posses materiais, sendo, os restantes, estigmatizados como coitados, indignos, sofredores... Colocados à margem, chegam a causar repulsa em muitos por contraporem o ideal material, capitalizado, desejado e perseguido no imaginário coletivo.

Em uma sociedade de ideal financeiro, em que se vale pelo que se tem, possui, e não pelo que se é, em que a propriedade é colocada acima da pessoa e de sua dignidade, todos aqueles que não conseguem evoluir nesse meio, de um modo ou outro, são marcados pela ausência de uma identidade positiva, em outras palavras, o homem, para sociedade, vale aquilo que ele tem, se ele não tem nada, ele não vale nada!

No meio gay isso é um fator ainda mais excludente, pois uma das características das comunidades homossexuais é: seus membros possuírem um poder aquisitivo acima da média, e um nível de formaçâo pessoal e acadêmica de igual forma elevadas. Entretanto, existem as exceções, e elas não são poucas, e, às vezes, bem mais acentuadas do que se possa imaginar.

Assistindo a esse vídeo abaixo fico a imaginar que, hoje, até para se sentir alguém amado por Deus tem que se pagar por isso. Contudo, somos adeptos de uma teologia inclusiva e o que temos feito para mudar isso? O que temos incluído; será o homem em sua integralidade, ou parte desse homem, em que só se considera humano e alguém, aqueles que têm posses? Fica a reflexão para o nosso modo de ser cristão inclusivo:



sexta-feira, agosto 12, 2011

Transexual e gay casam-se em Cuba, para homenagear aniversário de Fidel



Wendy, uma loura que deixou de ser Alexis, depois de uma cirurgia, e Ignacio, um homossexual assumido e membro da oposição, que contraiu o vírus HIV, vão se casar neste sábado em Havana, no dia do aniversário de 85 anos do líder Fidel Castro, na primeira união desse tipo em Cuba, não isenta de polêmica.

Para o casal, o matrimônio "marcará uma nova etapa em Cuba", sendo também um "presente" a Fidel Castro, que há um ano admitiu responsabilidade na exclusão sofrida pelos homossexuais na década de 1960, quando ficavam reclusos em campos de trabalho. "Não é um ato de provocação. É um reconhecimento, pela primeira vez, em 52 anos de que a revolução admitiu culpa, embora isso não a desobrigue completamente", disse à AFP Ignacio Estrada, de 31 anos, enquanto acompanhava o companheiro na escolha do buquê na floricultura 'Aves del Paraíso', numa concorrida esquina de Havana.

Aos 37 anos, Wendy Iriepa realiza o "sonho de toda a mulher", depois de ter sido submetida com sucesso, em 2007, à cirurgia de mudança de sexo gratuita, uma operação aprovada através do Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex), dirigido pela sobrinha de Fidel, Mariela Castro, filha do presidente Raúl Castro. "Faremos o primeiro casamento entre gays em Cuba. Não quero que isso seja visto como um acontecimento político, embora seja um presente para Fidel e não me preocupa o que o governo pensa", afirma Wendy, ex-promotora de saúde do Cenesex, muito ligada à diretora.Ela conta que Mariela só não quis ser a madrinha do casamento porque o noivo é da oposição.

A incumbência coube, agora, à 'blogueira' da oposição Yoani Sánchez, quem anunciou uma "cobertura minuto a minuto via Twitter".Em Cuba, onde já foram realizadas 16 operações de mudança de sexo, as uniões entre gays não são legalizadas ainda, mas sua aprovação já foi solicitada ao Parlamento.As núpcias de sábado serão possíveis porque Wendy já tem carteira de identidade com seu nome de mulher. "Alexis não existe mais", comenta sorrindo.

Ignacio conta ter ficado sem respirar quando viu Wendy entrar nos escritórios do Cenesex no dia 13 de maio. Dois dias depois a convidava para sair. Na semana seguinte já viviam juntos. Três meses depois: o casamento. Um amor meteórico, e uma "química total" segundo Wendy. "Sempre disse que era gay. Mas com Wendy é totalmente diferente, pela primeira vez na vida me sinto confuso, sem saber direito o que sou. A única coisa que realmente tenho certeza é de estar apaixonado por esta mulher", desabafou ele à AFP.Wendy não vê nenhum problema nisso. "É gay mas também é homem, tem um pênis e me faz feliz. Ele é uma caixinha de surpresas.

Eu também, um dia tive um pênis, que usei numa época em que tive de me prostituir. Agora, se precisar recorrer a brinquedos sexuais para agradá-lo, não vou deixar de fazê-lo", diz, decidida.E assim... tudo está pronto: a cerimônia com o escrivão no 'Palacio de los Matrimonios', o bolo, o brinde e o buquê com fitas coloridas - emblema da comunidade LGBT (Lésbias, Gays, Bissexuais e Transexuais). "Nosso casamento será um canto à liberdade, pelos direitos da comunidade LGBT", completa o noivo ansioso.

Esta semana Wendy fez os últimos ajustes em seu sensual vestido branco e longo. Aponta com orgulho os seios generosos, conseguidos com tratamento hormonal, dizendo que "aqui não houve cirurgia".Para o casamento, estão convidados os opositores - inclusive as Damas de Branco -, diplomatas da Seção de Interesses de Washington em Havana, ativistas da comunidade LGBT, os funcionários do Cenesex, a própria Mariela e até os curiosos. "Em nossa cama nos envolveremos com a bandeira da diversidade; qualquer coisa pode acontecer aí. Somos uma gama de cores", suspira Wendy.

Fonte: Estado Minas- portal Uai

domingo, agosto 07, 2011

Deu na VEJA: A fé dos homofóbicos


André Petry

A fé dos homofóbicos

"Dizem eles que a criminalização da homofobia levará à prisão em massa de pastores e padres, e viveremos todos sob o domínio gay. A história ensina que essa lei será aprovada, e a vida seguirá seu curso regular, sem nada de extraordinário"

Em 1946, quando os negros reivindicaram a inclusão de alguns direitos na Constituição, foi um salseiro. Foram acusados de antidemocráticos e racistas por congressistas e estudantes da UNE. Em 1988, a Constituição promoveu o racismo de contravenção a crime. Ninguém chiou. Na década de 50, quando se discutia o divórcio, teve cardeal dizendo que se devia pegar em armas para combater a proposta. Em 1977, o Congresso aprovou o divórcio. Não houve tiroteio, e a igreja do cardeal nunca mais tocou no assunto. Recordar é viver.

Agora, os evangélicos estão anunciando o apocalipse caso o Senado faça o que a Câmara já fez: aprovar lei punindo a homofobia com prisão. A lei em vigor pune a discriminação por raça, cor, etnia, religião e procedência nacional. A nova acrescenta a punição por discriminação contra homossexuais. Cerca de 1 000 evangélicos tentaram invadir o Senado em protesto. Dizem que a criminalização da homofobia levará à prisão em massa de pastores e padres, e viveremos todos sob o domínio gay. A história ensina que, cedo ou tarde, a lei, ou outra qualquer com objetivo similar, será aprovada, e a vida seguirá seu curso regular sem nada de extraordinário.

Os evangélicos e aliados dizem que proibir a discriminação contra gays fere a liberdade de expressão e religião. Dizem que padres e pastores, na prática de sua crença, não poderão mais criticar a homossexualidade como pecado infecto e, se o fizerem, vão parar no xadrez. É uma interpretação tão grosseira da lei que é difícil crer que seja de boa-fé.

Tal como está, a lei não proíbe a crítica. Proíbe a discriminação. Não pune a opinião. Pune a manifestação do preconceito. Uma coisa é ser contra o casamento gay, por razões de qualquer natureza. Outra coisa é humilhar os gays, apontá-los como filhos do demônio, doentes ou tarados. É tão reacionário quanto uma Ku Klux Klan alegar que a proibição da segregação racial fere sua liberdade de expressão. Querem a liberdade de usar a tecnologia Holerite de cartões perfurados pela IBM?

Alegam que a liberdade religiosa fica limitada porque combater o pecado vira crime. É um duplo equívoco. O primeiro é achar que uma doutrina de crença em forças sobrenaturais autoriza o fiel a discriminar o herege. O segundo é atribuir à lei valor moral. O direito penal não é instrumento para infundir virtudes. É um meio para garantir o convívio minimamente pacífico em sociedade. Matar é crime não porque seja imoral, mas porque a sociedade entendeu que a vida deve ser preservada. Dúvidas? Recorram ao Supremo Tribunal Federal. Na democracia, é assim. Lei não é bíblia de moralidade.

O que essa proposta pretende dar aos gays, e sabe-se lá se terá alguma eficácia, é aquilo a que todo ser humano tem direito: respeito à sua integridade física e moral. Os evangélicos, pelo menos os que foram a Brasília, dão prova de desconhecer que seres humanos não diferem de coisas só porque são um fim em si mesmos. Os seres humanos diferem das coisas porque, além de tudo, têm dignidade. As coisas têm preço.

VEJA

Escreva para o autor no endereço colunadopetry@abril.com.br /

Edição 2067
2 de julho de 2008

sábado, agosto 06, 2011

Insensato Coração LGBT


Por: Lorenzo Duchetto

Do título da trama, minhas profundas e mais sinceras condolências ao movimento LGBT. Enfim, insensatez beira a loucura, a demência, também se confunde com um atrevimento desmedido, na insolência, no descaramento. E, de fato, não vejo, ou percebo, qualquer outro movimento da trama global fora do senso comum, ora exposto, e que tão relutantemente se negam a reavaliá-lo, salvo, para recrudescer todo um julgamento, a priori, demeritório, escarnecido, caricaturado de um grupo que, a todo instante, vê-se negado em sua identidade última, personalíssima, constituidora da dignidade primeira, que o ser humano tem que se ver envolto, mergulhado, inserido, constituindo-se um ente personificado, para então ser um ente social.

Novela, imediatamente, pressupõe a romance, e relembra um conto. Aliás, é a novela, segundo os literatos, o meio termo do romance e do conto (salvo, os que discordam). Nasceu na fase renascentista, no século XIV, mas se institui como gênero literário, no século XIX. No Brasil, ainda no movimento Romântico, aqueceu as faculdades de Direito em São Paulo e em Recife. Como em 1850, com a imprensa, os jornais passaram a publicar os folhetins: romances literários publicados em capítulos como as telenovelas contemporâneas.

Então, do movimento romântico, no Brasil, tem-se a tendência última global. Oras, mas o que é, então, o Romantismo? Antes de tudo um movimento BURGUÊS, que se opõe ao absolutismo e ao classicismo, mas não é um movimento de ruptura total, revolucionário. Na verdade o burguês é aquele que sempre quis (e quer) ser nobre! Deseja se sentir nobre, nem que tenha que pagar por isso... Assim, o Romantismo busca os ideais da burguesia, do poder ascendente da classe média, das literaturas, à época, publicadas em jornais, e vendidas a preço acessível, da popularização dos livros, e ao estimulo capital para aquisição dos mesmos.

Enfim, não é um ideal de releitura da realidade, no que pese algo diferente do ESTILO BURGUÊS HETEROSSEXUAL DE SER. Em termos sociais, a nobreza perde o poder e a burguesia se assenta nele, ditando os “novos valores”, mas sem romper, de fato, com os mesmos, apenas substituindo as peças no condão social. Não é sem razão que, no Romantismo burguês, uma marca é inegável, aliás, patrocinado na arte: O ESCAPISMO, em que, para o consumidor a ideia de ilusão deve ser sugerida, uma vez que a vida é bem diferente da vida que realmente se vive! A fuga da realidade marca este tipo de literatura.

Ao que pese na militância LGBT, com todo respeito, eu pensava ser essa mais articulada, e bem mais inteligente do que vem se mostrando. Se insurgir contra uma novela, como se fosse A NOVELA o meio de ruptura com a heteronormatividade, para galgarmos novos ideais, é, no mínimo, acreditar que, verdadeiramente, Papai-Noel exista! E, tão somente por isso, quando Aguinaldo Silva disse que o gay na TV é chato, eu sou obrigado a concordar com ele, com uma ressalva, os gays das novelas dele são tão chatos quanto! Mas a militância não foi capaz de enxergar isso, pois ela não é capaz de ver o óbvio!

A militância tem que parar de se ver com os óculos dos casais heterossexuais, como muitas vezes os gays vêm sendo retratados, para assumir em si mesma aquilo que somos, e temos orgulho de ser! Sinceramente, o casal gay de Ti-Ti-Ti, nunca foi o padrão da maioria dos gays, no mundo! Muito pelo contrário... Mas os gays foram ao delírio com essa “síndrome de Clodovil”, que recaiu sobre as bichas: "nunca quis ser gay, mas sou... se sou 'doente' vou então ser moral e moralista, aproximando-me dos heterossexuais, do seu discurso, para minimizar a 'doença' que carrego em mim mesmo, sendo simpático a quem é 'normal', e quem sabe consiga uma empatia? Oh mundo cruel!”. E temos produzido essa porcaria de leitura: gays cristãos conservadores e moralistas, retratados em novelas burguesas e sem compromisso, de fato, com uma ruptura radical, que desejam, antes de tudo, as misericórdias dos heterossexuais, em alguma coisa gay, mas não tão gay assim!

Os gays na atualidade estão chatos, pois carregam um coração insensato e acrítico de suas verdadeiras potencialidades, enquanto identidade última. E qual será o próximo capitulo, ou a próxima novela, para a comunidade LGBT criticar e apoiar e chamar isso de militância?

Será que funciona? "Tolerância zero!"


Teoria das janelas quebradas ou "Tolerância Zero"


Em 1969, na Universidade de Stanford (EUA), o Prof. Phillip Zimbardo realizou uma experiência de psicologia social. Deixou dois automóveis abandonados na via pública; dois automóveis idênticos, da mesma marca, modelo e até cor. Um deixado no Bronx, na altura uma zona pobre e conflituosa de Nova York e o outro em Palo Alto, uma zona rica e tranqüila da Califórnia.
Dois automóveis idênticos, abandonados em dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada lugar.

Resultou que o automóvel abandonado no Bronx começou a ser vandalizado em poucas horas. Perdeu as janelas, o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, o automóvel abandonado em Palo Alto manteve-se intacto.

É comum atribuir à pobreza as causas de delito. Atribuição em que coincidem as posições ideológicas mais conservadoras, (da direita e esquerda). Contudo, a experiência em questão não terminou aí, quando o automóvel abandonado no Bronx já estava desfeito e o de Palo Alto estava a uma semana impecável, os investigadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o do Bronx, e o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre. Por quê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso?

Não se trata de pobreza. Evidentemente é algo que tem a ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido num automóvel abandonado transmite uma idéia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação que vai quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras, como que vale tudo. Cada novo ataque que o automóvel sofre reafirma e multiplica essa idéia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Em experiências posteriores (James Q. Wilson e George Kelling), desenvolveram a 'Teoria das Janelas Partidas', a mesma que de um ponto de vista criminalístico, conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores.

Se se quebra um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o conserta, muito rapidamente estarão quebrados todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

Se se cometem 'pequenas faltas' (estacionar-se em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar-se um semáforo vermelho) e as mesmas não são punidas, então começam as faltas maiores e logo delitos cada vez mais graves. Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.

Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados pela maioria das pessoas (que deixa de sair das suas casas por temor aos gangs), estes mesmos espaços abandonados pelas pessoas são progressivamente ocupados pelos delinqüentes.

A *Teoria das Janelas Partidas*foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, o qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: grafites deteriorando o lugar, sujeira das estações, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados foram evidentes. Começando pelo pequeno delito, conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, o prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de 'Tolerância Zero'. A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana.

O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York. A expressão 'Tolerância Zero' soa como uma espécie de solução autoritária e repressiva, mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança.

Não se trata de linchar o delinqüente, nem da prepotência da polícia. De fato, a respeito dos abusos de autoridade, deve-se também aplicar a tolerância zero. Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.
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